sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Conceitos de teologia - simples ou complexos?

Mão segurando um pacote - embalagem
Uma verdade precisa ser dita: os seres humanos tendem a ver de maneira simplista aquilo que é complexo, e a complicar o que é simples. Isso não é diferente no que tange à teologia, à religião e à espiritualidade. Contudo, muitos dosconceitos teológicos que criamos podem acabar por criar mais confusão teológica que esclarecimento e comunhão com Deus.



"A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples"
Salmo 119:130 (ARA)

Por diversas vezes nós cristãos empacotamos estes conceitos e criamos rótulos. Estes então passam a fazer parte de nosso cotidiano eclesiástico e são usados em jargões, cultos públicos, momentos devocionais, conversas com outros irmãos e nossos blogs. Entretanto, há o perigo destes invólucros gerarem mais confusão que esclarecimento e,exatamente por tentarem simplificar coisas complexas, complicam o que de outra forma seria simples. Um paradoxo!

Vamos a um exemplo de conceito que causa confusão (e estou pisando em ovos neste momento!): o conceito de Trindade. Este termo tem sido usado de tal forma na Cristandade que muitos falam dele com certa displicência. Contudo, esta verdade* é definida por uma única palavra, sequer usada na Bíblia, que tenta empacotar algo que pode ser expresso de maneira simples – mas é muito complexo.

Não quero discutir exatamente este ponto aqui. Meu destaque, usando este exemplo, é apenas para destacar que muitas vezes, ao contrário do que fazia a igreja primitiva,tentamos conceituar coisas que simplesmente não precisariam ser conceituadas, pois o uso de um termo pode mais confundir que esclarecer. Tente explicar para um semi-analfabeto se a eleição é condicional ou incondicional? Ele sairá de lá com a cabeça girando, provavelmente sem entender coisa alguma, e achando que os cristãos tentam problematizar o óbvio: que o Senhor nos escolheu antes da fundação do mundo (ponto).

Também nossa intenção passa longe de dizer que teologia não é algo importante. De forma alguma. Teologia é importante, muitíssimo importante. Graças a Deus pelos teólogos e seus estudos. Graças a Deus pela ortodoxia bíblica. Porém, o que muito é discutido nas cadeiras dos seminários nem sempre é apropriado para o cenário de uma igreja ou para evangelismo e discipulado. Os conceitos têm seu grau de importância, mas devem ser contextualizados e expressos de maneira simples e com as devidas ressalvas.

Em suma, devemos ter cuidado para não complicar a vida dos mais inexperientes e iletrados. Que pretensão a nossa tentar conter em nossas caixinhas conceituais o Deus que nem mesmo o céu dos céus pode conter.

*O Pai é Deus, Jesus é Deus, o Espírito Santo é Deus, os três são três pessoas distintas, mas não constituem três deuses.


Imagem: Flооd via photopin cc

fonte: http://www.questaodeperspectiva.com

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Zygmunt Bauman - Fronteiras do Pensamento

Descrição : Fronteiras do Pensamento - edição 2011 Entrevista com o filósofo polonês Zygmunt Bauman para o Fronteiras do Pensamento, apresentada na ocasião do encontro com o pensador francês Edgar Morin. Data: 08/08/2011 (Porto Alegre) e 09/08/2011 (São Paulo)


fonte: http://www.filosofia.com.br/

Reflexão loka demais (...)

Jesus Cristo: A única esperança para um mundo em crise: CONGRESSO DE JOVENS COMCAFE

Jesus Cristo: A única esperança para um mundo em crise: CONGRESSO DE JOVENS COMCAFE: Chegando no valo velho (próximo a passarela) 10 minutos de caminhada

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O que a Historiografia diz sobre Jesus ...


 Breves Informações Historiográficas Sobre a Busca Pelo Jesus Histórico
Zwinglio Alves Rodrigues *


 Resumo: Este trabalho ocupa-se em apresentar uma concisa abordagem historiográfica relativa a chamada busca pelo Jesus Histórico. Esta tentativa consiste na distinção, ou pseudodistinção como preferem alguns, entre o Jesus da história e o Cristo da fé. Para a organização deste artigo valemo-nos de um levantamento bibliográfico.Introdutoriamente, apontamos o perigo em que se pode constituir o trabalho dos acadêmicos que radicalizam em suas pesquisas. Depois, apresentamos a seguinte divisão acadêmica que direciona esse empreendimento: antiga busca do Jesus Históriconova busca do Jesus Histórico e terceira busca do Jesus Histórico. Posteriormente, destacamos, também através de uma pequena exposição, a chamada crítica à busca e, por fim, tecemos as considerações finais.
Palavras-chave: Jesus Histórico. Cristo da Fé. Evangelhos.
Introdução
A busca pelo Jesus Histórico, um empreendimento acadêmico do período moderno, tenta apresentar um Jesus a partir do uso de instrumentos científicos da moderna pesquisa histórica. Desde o século XVIII, o cristianismo e a figura de Jesus Cristo – sua identidade e significado – tem sido desafiados pelas incursões desta “busca”. Esta tentativa é perigosa, pois, caso a crítica moderna embrenhe-se por um caminho radical, o resultado será esse apresentado por Champlin:
Essa atividade, quando atinge proporções radicais, faz o Jesus teológico reduzir-se a uma investigação do cristianismo, além de assegurar-nos que essa atividade foi tão radical que nos é praticamente impossível descobrir como Jesus era, realmente, com base nos documentos bíblicos que atualmente possuímos. (2008, vol. 3, p.499)
Esse possível resultado destacado acima deixou a categoria das possibilidades para se tornar fato. Foram muitos os eruditos que radicalizaram na tarefa de despir os evangelhos do material teológico supostamente imposto por seus autores o que, como conseqüência, apresentou-nos diversas “vidas de Jesus” comprometidas com os pressupostos dos escrutinadores. Ou seja, como diz Blomberg (2009) citando Albert Schweitzer (1910), os estudiosos radicais recriaram Jesus à sua própria semelhança. William Lane Craig argumenta: “Quando se faz tal distinção (entre o Jesus da história e o Cristo da fé), não há limitação objetiva (ênfase nossa) sobre quem ou o que é o Cristo da fé.” (In: COPAN, 2012, p. 51)
Bom, o fato é que, incrivelmente, em pleno século XXI, Jesus de Nazaré ainda exerce uma atração nos corações de muitas pessoas por diversas razões.  Portanto, apenas devido a este axioma, justifica-se relembrar panoramicamente o percurso historiográfico da busca pelo Jesus Histórico mesmo sendo esta empreitada um universo de dificuldades conforme podemos compreender a partir das seguintes palavras de John P. Meier:
Não podemos conhecer o Jesus “real” através da pesquisa histórica [...] No entanto, podemos conhecer o “Jesus histórico” [...] o Jesus da história é uma abstração e constructo modernos [...] O Jesus histórico não é o Jesus real, e vice-versa [...] O Jesus histórico pode nos proporcionar fragmentos do indivíduo “real”, e nada mais. (1992, p. 35)
Então, para efetuarmos esse breve trajeto, dividiremos o núcleo desse artigo a partir dos períodos chamados de antiga busca do Jesus Históriconova busca do Jesus Histórico e terceira busca do Jesus Histórico. Em seguida, destacamos, através de uma pequena explanação, a chamada crítica à busca.
A Antiga Busca do Jesus Histórico
A antiga busca começou em sua forma clássica com Herman Samuel Reimarus (1694-1768). Reimarus era docente de línguas orientais de Hamburgo e foi durante sua vida um pioneiro literário da religião da razão do deísmo inglês. Ele foi o primeiro a desenvolver uma imagem de Jesus diferente da do Cristo apresentado nos Evangelhos. Esse crítico debruçou-se sobre os evangelhos na tentativa de distinguir o que Jesus teria realmente dito do material que os apóstolos escreveram subsequentemente. Ele submeteu a Bíblia aos padrões da crítica racionalista. Reimarus via Jesus como um revolucionário que falhou em sua tentativa de estabelecer um reino messiânico na Terra, ao passo que o Cristo não passava de uma projeção fictícia daqueles que teriam roubado o corpo de Jesus e que proclamavam fraudulentamente a sua ressurreição (BROWN 2004).
A obra de Reimarus, An Apology for the Rational Worshipper of God[1] não fora publicada. Porém, depois de sua morte, este texto caiu nas mãos de Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781) que a publicou sem dizer o nome do autor. No conteúdo da obra havia um violento ataque à historicidade da ressurreição de Jesus (MCGRATH, 2007).
Depois de Reimarus vieram outros estudiosos importantes como David Friedrich Strauss (1808-1874) e Johannes von Weiss (1863-1914). Strauss falou muito sobre os evangelhos estarem eivados de mitos[2] e isso tornou-se bastante popular entre os teólogos liberais. Em sua compreensão, Jesus foi um Messias que errou ao acreditar que sua morte despertaria os acontecimentos que propiciariam o estabelecimento do reino judaico de Deus de modo terreno e literal. Weiss traçou o perfil de um Jesus escatológico divergindo assim de seus antecessores que concebiam um Jesus social. É com o trabalho de Weiss, Martin Kahler (1835-1912), William Wrede (1859-1906) e Albert Schweitzer (1875-1965), combinados, que a primeira investigação termina.
Kahler, em sua obra The So-Called Historical Jesus and the Historical Biblical Christ (O Chamado Jesus Histórico e o Cristo Bíblico Histórico) criticou vigorosamente o pressuposto fundamental de alguns estudiosos que afirmavam ser o Jesus Histórico, o Jesus real. Ele disse que o kerigma[3] cristão estava tão entretecido com a vida real de Jesus que era impossível determinar historicamente qualquer separação entre ambos (BLOMBERG, 2009). Para Kahler, o importante não é saber quem Cristo foi, mas aquilo que ele faz nos dias atuais pelos cristãos.
Wrede também defendia um entrelaçamento entre história e teologia nas narrativas dos evangelhos sinópticos que tornava impossível a separação dos mesmos. Para ele, o texto marcano é uma imposição teológica sobre as informações que ele dispunha e, o que pode ser genuíno não era suficiente para erigir um construto minucioso a respeito do Jesus da história.
Quanto a Schweitzer, ele concordava com Johannes Weiss sobre ser Jesus um proclamador escatológico do reino de Deus. Este iria agir sobrenaturalmente para trazer Seu reino a terra. Schweitzer argumentava que todo o conteúdo da mensagem de Jesus era sempre e inteiramente condicionado por idéias apocalípticas” (MCGRATH, p. 295, 2007). Aqui, Schweitzer se distancia de Weiss que apenas admitia como apocalíptica parte da prédica de Jesus.
 As grandes contribuições da antiga busca foram:
  • a diferenciação entre os sinóticos e João como fontes históricas;
  • a escolha de Marcos como o mais antigo evangelho;
  • o posicionamento de Jesus dentro do contexto escatológico da sua época.
É necessário ressaltar que Schweitzer, Kahler e Wrede estão imersos nesse debate sobre a velha busca como críticos à “busca”, conforme já indicado acima.
A Nova Busca do Jesus Histórico
Essa nova busca distingue-se da anterior. Ao passo que esta última trabalhava para desacreditar a imagem do Cristo do Novo Testamento, dado como uma figura mitológica, a primeira se preocupou em linkar a pregação de Jesus Cristo com a pregação dos primeiros cristãos sobre Jesus Cristo. De acordo com Blomberg (2009) é com Ernst Kasemann (1906-1998) que inaugura-se a nova busca. Em seu texto The Problem of the Historical (O Problema do Jesus Histórico) Kaseman argumenta ser possível reaver informações históricas, pois os evangelistas criam ter um material historicamente confiável a respeito de Jesus Cristo. Ele parte do critério de historicidade chamado dedessemelhança[4] para chegar aos informes históricos. Segundo McGrath, Kasemann “identificou a ligação existente entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático na declaração de ambos da vinda do reino escatológico de Deus. Tanto na pregação de Jesus quanto no kerigma cristão primitivo, o tema da vinda do reino é de suma importância.” (2007, p. 301)
A síntese do pensamento de Kasemann é a seguinte:
  • Os sinópticos são documentos teológicos;
  • Suas declarações teológicas são expressas dentro da forma histórica;
  • Os autores dos sinópticos acreditavam ter acesso a informações históricas sobre Jesus;
  • Há nos evangelhos sinópticos tanto a narrativa histórica como o kerygma.
Outros estudiosos como Joachim Jeremias (1900-1979) e Gunter Bornkamm (1905-1990) trataram do kerygma cristão primitivo a partir de posições distintas. A posição de Joachim Jeremias sugeria “que a base para a fé cristã se encontrava naquilo que Jesus havia dito e feito, na medida em que isso pode ser definido pela erudição teológica” (idem, p. 301). Bornkamm, embora afirmasse que os autores não foram instrumentos passivos (com isso ele quer dizer que os escritores foram também intérpretes) no desenvolvimento dos evangelhos e negasse a autoconsciência de Jesus quanto ao seu messianado, cria existir um conteúdo significativo de ensinos autenticamente pertencentes a Jesus, pois há um tom de autoridade nas palavras de dele que não podem ser produto da comunidade criativa.
Superada esta brevíssima trajetória relacionada a nova busca, entremos no período chamado de terceira busca.
Terceira Busca do Jesus Histórico
terceira busca iniciou-se nos anos 70 e perdura até os dias atuais.  Suas principais metas são:
  • Examinar fontes arqueológicas, históricas e textuais do primeiro século e aplicar os descobrimentos da sociologia e antropologia a estas fontes para tentar entender a Jesus;
  • Submeter a um exame rigoroso e à aplicação de critérios de historicidade com vistas à determinação da autenticidade de variegado dados dos evangelhos;
  • Enfatizar o judaísmo de Jesus e a necessidade de sua compreensão no contexto do primeiro século.
Eruditos como Alister Mcgrath afirmam que esse movimento é deficiente porque os estudiosos envolvidos com ele e suas respectivas obras não possuem elementos em comum em número suficiente para serem categorizados como terceira busca, ou seja, sua multiplicidade de hipóteses de trabalho depõe contra. No entanto, eles admitem que tal movimento tem recebido uma aceitação considerável e que o mesmo ainda receberá destaque nas discussões sobre esse assunto importante.
Alguns nomes de estudiosos de destaque desse movimento são: Burton L. Mack, Marcus L. Borg e John Dominic Crossan. Para esses teóricos – principalmente Crossan – o Jesus Cristo dos Evangelhos é um Jesus mítico. Destacamos o Dr. Crossan porque ele é o representante atual de mais notoriedade, nos meios acadêmicos, do chamadoJesus Seminar[5]. Para ele Jesus era um homem normal que foi mitologizado e divinizado, posteriormente, pelos evangelistas. Ele diz: “Isso tudo diz respeito à mitologia grega e à romana, e o que eu posso fazer? Devo acreditar em todas essas histórias, ou devo dizer que todas elas são mentiras, exceto a nossa história cristã?”[6] Os acadêmicos ligados ao Jesus Seminar provocam dizendo que os evangelhos apresentam o Cristo da Fé, um ser mítico, e, observar esta distinção é a primeira coluna da sabedoria acadêmica. Por outro lado, a abordagem utilizada pelos estudiosos doJesus Seminar para o estudo do Jesus Histórico tem sido duramente criticada juntamente com a crença deles de acharem que são representantes de um consenso acadêmico da crítica bíblica moderna.
Fazendo um percurso diferente dos estudiosos do Jesus Seminar, mas incluídos nestabusca”, temos importantes nomes como Geza Vermes, E. P. Sanders, John Paul Meier, Raymond E. Brown (1928-1998), Martin Hengel (1929-2009), Gerd Theissen, Richard Hosley, N. T. Wright, Ben Witherington e Elisabeth Schussler Fiorenza. As pesquisas sobre o Jesus Histórico nesses últimos anos têm recebido diferentes enfoques:sabedoria divinaJesus profeta do cumprimento das expectativas dos últimos tempos;estudos sobre o contexto histórico-social da Palestina do I séc. d.C. – a Galiléiaa guerra judaicao movimento de Jesus; as influências helênicas no movimento de Jesus;Jesus como um feminista à frente de seu tempo; messias marginalizado; homem santo e carismático, etc.
Vale destacar nesse instante as perspectivas messias marginalizado e sabedoria divina. A primeira trabalha com um Jesus marginalizado e executado pela sociedade. Devido a colisão com as autoridades por causa de seu discurso messiânico Jesus fora crucificado, afirmam proponentes desta perspectiva como N. T. Wright e John P. Meier. Um aspecto importante do trabalho desses estudiosos é que o material escrito pertencente aos evangelhos é considerado em sua maior parte autêntico (BLOMBERG 2009).
A segunda concepção, sabedoria divina, “vê Jesus como a encarnação da sabedoria divina, em continuidade ao crescente desenvolvimento no judaísmo da Sabedoria como uma personificação de Deus” (idem, p. 241). Nesse sentido, as declarações de Jesus são mais importantes que suas obras e seus relacionamentos.
A Crítica à Busca
Entre os anos de 1890 a 1910 a crítica à busca emergiu a partir do pensamento de importantes estudiosos como Martin Kahler (1835-1920), William Wrede (1859-1906) e Albert Schweitzer (1875-1965). Depois, temos o proeminente teólogo alemão Rudolf Bultmann (1884-1976) que considerava essa busca pelo Jesus Histórico um beco sem saída. Reveste-se de grande valor falarmos um pouco sobre Rudolf Bultmann e o seuafastamento da História.
Bultmann era cético quanto a possibilidade de alcançar o Jesus histórico por meio de métodos históricos. Ele também “estava convencido de que o erro destas tentativas anteriores (as buscas pelo Jesus histórico) estava intimamente conectado com suas pressuposições filosóficas, que as levaram a rejeitar a possibilidade de um evento salvador” (GONZALEZ, 2004, p. 450).
Para Bultmann
Jesus Cristo vem ao nosso encontro somente no kerigma, da mesma maneira como confrontou o próprio Paulo e o levou a tomar uma decisão. O kerigma não proclama verdades universais ou uma idéia eterna – seja ela uma idéia de Deus ou do redentor – mas um fato histórico… Portanto, o kerigma não é um veículo para idéias eternas nem o mediador de informações históricas; o fato de importância decisiva é este: o kerigma é o “que” de Cristo, seu “aqui e agora”, um “aqui e agora” que se torna presente no próprio discurso. (apud MCGRATH, 2007, p. 299)
Bom, é preciso explicar algumas coisas. Primeiro, Bultmann considera como fato histórico aquilo que ocorre dentro da história humana. Aqui encontramos a presença do existencialismo do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) que fora colega de Bultmann na Universidade de Marburg. De acordo com Gilbert Durand,
as idéias de Bultmann são típicas do círculo em que mergulha todo pensamento que busca um sentido enquanto se satisfaz em dar voltas lineares, prisioneiro da temporalidade histórica; em que a tradição passada remete à existência presente e vice-versa, indefinidamente. (1995, p. 233)
Segundo, a compreensão de Bultmann de que o kerygma não é mediador de informações históricas implica na admissão de que enxergar o que está por detrás dokerygma para reconstruir o Jesus histórico é um erro, pois esse procedimento leva ao não mais existente “Cristo segundo a carne” que em hipótese alguma é o Senhor, diferentemente do Jesus Cristo que é pregado. Dessa perspectiva bultmaniana, duas perguntas emergem:
  • Como era possível ter certeza de que a cristologia estava fundamentada corretamente na pessoa e obra de Jesus Cristo?
  • Como verificar a cristologia se a história de Jesus era irrelevante?
Conclusão
Em linhas gerais, pode-se dizer que a busca pelo Jesus histórico foi, e é, até certo ponto, baseada no racionalismo, no naturalismo e criticismo. Paul Tillich (1886-1965) crítica essas tentativas[7] de busca do Jesus Histórico nos seguintes termos:
Os que nos falam sobre Jesus de Nazaré são os mesmos que nos falam sobre Jesus como o Cristo, ou seja, as pessoas que o receberam como o Cristo. Portanto, se tentarmos encontrar o Jesus real que está por trás da imagem de Jesus como o Cristo, é necessário separar criticamente os elementos que pertencem ao lado factual do evento e os elementos que pertencem à recepção. Ao fazer isso, esboça-se uma “Vida de Jesus” – e fizeram-se muitos desses esboços. Em muitos deles colaboraram a honestidade científica, a devoção amorosa e o interesse teológico. Em outros são visíveis o distanciamento crítico e inclusive a rejeição malévola. Mas nenhum deles pode reivindicar ser uma imagem provável em que tenha desembocado o tremendo esforço científico dedicado a esta tarefa durante 200 anos. No máximo, eles são resultados mais ou menos prováveis, incapazes de fornecer uma base para a aceitação ou para rejeição da fé cristã. (2005, p. 396)
Na introdução deste artigo apontamos o problema da criação de muitos esboços a respeito da vida de Jesus que acaba envolvendo as pesquisas sobre o Jesus histórico. De acordo com estudiosos como Craig Evans, professor de Novo testamento e Diretor do programa de Graduação no Acadia Divinity College em Wolfville, Nova Scotia, muito do labor dos críticos tem produzido um “Jesus Fabricado”. Este é o título de um dos livros de Evans. Nesta direção do que estamos ressaltando agora, ele tece uma crítica violenta contra alguns estudos relacionados a busca do Jesus histórico nos seguintes termos:
O Jesus fabricado é um livro que examina com seriedade alguns dos estudos desleixados e das teorias equivocadas que tem sido apresentados em anos recentes. Fico consternado com muitos desses trabalhos. Alguns deles são, francamente, uma vergonha. (2009, p. 13)
Mesmo recordando-nos da linguagem de Meier (1992) que disse sobre o Jesus histórico não ser o Jesus real e o Jesus real não ser o Jesus histórico, desejamos salientar mais uma vez a importância da busca pelo Jesus histórico. Na introdução apresentamos como uma razão básica para tal empreendimento, o fascínio que Jesus de Nazaré ainda causa em homens e mulheres em pleno século XXI. Neste instante, oferecemos outra que é a lembrança sobre ser nossa fé não apenas uma vaga atitude existencial ou uma maneira de ser, mas que ela está vinculada a alguém especial cujas ações e palavras podem ser situadas num tempo e local da história humana (idem). O cristianismo não teme qualquer escrutínio que seja referente aos evangelhos canônicos. Apenas espera-se que a honestidade intelectual esteja na vanguarda das pesquisas acadêmicas.
Referências
BLOMBERG, Craig. Jesus e os Evangelhos: Uma introdução ao estudo dos 4 evangelhos. São Paulo: Vida Nova, 2009.
BROWN, Raymond. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004.
CHAMPLIN, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, vol. 3, 9ª edição, 2008.
COPAN, Paul (ed.). O Jesus dos Evangelhos: Mito ou Realidade? São Paulo: Vida Nova, 2012.
DURAND, Gilbert. A Fé do Sapateiro. Brasília: Editora Universidade de Brasília, DF, 1995.
GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
MCDOWELL, Josh. Evidência Que Exige um Veredito: Evidências Históricas da Fé Cristã. São Paulo: Candeia, 1997.
MCGRATH, Alister E. Teologia Histórica: uma introdução à História do pensamento cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico. Rio de Janeiro: Imago, 1992.
TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. São Paulo: ASTE, 2004.

* Pós-Graduado em Metodologia do Ensino Superior. Pós-Graduado em Ciências da Religião. Graduado em Pedagogia e Teologia.
[1] “Uma apologia em defesa do adorador racional de Deus”.
[2] “Ao usar o termo mito, Strauss quis dizer que os fatos registrados não haviam acontecido de verdade, mas representavam as crenças da igreja primitiva projetada retroativamente.” (COPAN, 2012, pp. 11-12)
[3] “(literalmente ‘proclamação’): a primitiva prédica cristã acerca de Jesus, como o Cristo (Messias), com o propósito de impelir os ouvintes a uma decisão de fé.” (MCDOWELL, 1997, p. 287)
[4] Este critério é também chamado de “da dissimilaridade, da originalidade ou da dupla irredutibilidade, se concentra nas palavras e atos de Jesus que não podem ser originários nem do judaísmo de seu tempo, nem da Igreja primitiva depois dele.” (MEIER, 1992, p. 174)
[5] O Jesus Seminar é uma coalisão internacional, centrada nos Estados Unidos, que reúne cerca de cem  eruditos e estudiosos da Bíblia. Em debates intensos, o Seminárioprocura atestar a veracidade do que foi escrito nos evangelhos neotestamentários a respeito da vida e das palavras de Jesus. O seu fundador foi o teólogo da Universidade de Montana Robert W. Funk em 1985. Hoje, o nome de destaque do Seminário de Jesus é o seu co-fundador e co-presidente John Dominic Crossan.
[6]Disponível em < http://www.icp.com.br/41materia1.asp > Acesso em: 18 de fevereiro de 2012.
[7] Mais precisamente em relação às duas primeiras buscas visto que quando surgiu a terceira ele já tinha falecido (1965). Porém, alguns estudiosos entendem que se ele tivesse vivo quando do surgimento da Terceira Busca seu ceticismo em relação à busca do Jesus histórico continuaria sendo o mesmo.

Estou Lendo - O Império Das Trevas - Andrea Cristina Donizette Pio



Descrição

Uma das características do diabo é sua habilidade de enganar as pessoas, sejam elas conhecedoras da verdade ou não. Ele é enganador e trabalha para enganar a todos e se possível até os próprios eleitos. Este livro apresenta de forma clara e objetiva as várias estratégias utilizadas pelo inimigo das nossas almas para nos induzir ao erro e provocar danos terríveis em nossas vidas.

Você encontrará subsídios para identificar as manobras satânicas utilizadas como objetivo de atingir sua vida e das pessoas que você ama. Ao ler esta obra seus olhos se abrirão para enxergar as artimanhas malignas hoje apresentadas de maneira sutil para assaltar sua alma, tais como:

- Mensagens subliminares;
- Mistérios do vampirismo;
- Práticas de satanismo;
- A maldição de Lilithi;
- Atuação de demônios dentro de igrejas;
- Leviatã e o mistério do triângulo das bermudas;
- Como enfrentar os ataques satânicos;
- As vertentes modernas da bruxaria;
- Os espíritos enganadores dentro das religiões.

Um verdadeiro manual que irá habilitar você para discernir as astutas ciladas do mal e capacitá-lo a guerrear nas regiões celestes contra estas hostes tenebrosas que agem às ocultas; e trazer à luz o que tem sido feito nas trevas.

DESMASCARANDO O IMPÉRIO DAS TREVAS é um livro para mudar a vida de toda pessoa que tem sofrido com os ataques demoníacos, pois, esclarece muitos temas pouco explorados hoje em dia, abrindo os nossos olhos espirituais para detalhes que muitas vezes passam despercebidos à maioria das pessoas. Este livro irá revolucionar sua visa espiritual e livrá-lo do convívio com objetos, costumes, "culturas", amizades, jogos, músicas, aparentemente inofensivos, mas, que são armadilhas forjadas para trazer o mal para sua vida e de seus familiares.

Estou lendo - História do Povo de Deus” de Euclides Martins Balancin


 por: 

Blog do Nazareth



Amigos,

Conforme prometido, segue o resumo do Livro “História do Povo de Deus” de Euclides Martins Balancin que fiz para a disciplina Bíblia IV, Livros Proféticos e Históricos da Faculdade Católica de Uberlândia, disciplina ministrada pelo professor Jacaúna.

Segue o resumo:

Temas diversos são abordados no livro História do Povo de Deus, e de maneira sucinta, e ao mesmo tempo estrutural, tentaremos explanar nesse resumo sobre todos os pontos chaves elaborado pelo autor. Esses são: Religião: História, Judaísmo e Povo de Israel; Egito: Deserto. Davi: Rei de Judá e Israel; Reino de Salomão: Grandiosidade. Independência; Idolatria. Opressão. Profetas. Fim do Reino de Israel; Ruína. Esperança. Resistência. Revolta. Guerrilha; Terra de Jesus. Religião x Poder; Saber x Poder; Contestação; Economia; Grupos Sociais; Jesus e o Povo de Deus.

O povo conta sua história com emoção, sem se preocupar com dadas ou estatísticas, conta a sua história nua e crua, não está preocupado se uma seca arrasou uma lavoura toda de plantação, afetou os fazendeiros e todo o povo sofreu, conta a história comovida de uma família que perdeu sua "rocinha" e ficou sem nada para comer como se fosse a sua dor e a dor do seu povo.

A bíblia não tem a pretensão de ser um livro de história, astronomia, biologia, etc. Ela quer contar a história do seu povo a partir do próprio povo que interpreta a sua história, sendo que esta história muita vezes é marcada fortemente com a presença de Deus no seu dia a dia. Vemos passagens em que uma grande chuva de pedra aconteceu para livrar o povo de Deus do inimigo, mas em outro momento esta mesma chuva de pedra serviu para advertir o povo, como um castigo de Deus, em um tempo e momento diferente da sua história.

O autor nos mostra que há uma grande diferença entre contar uma história ou estória a partir do povo que viveu, transmitiu a sua história, do que contá-la a partir dos historiadores, estes muitas vezes não querem compreender a essência da história, ou a teologia daquela história, mas sim escarafuncham os dados, fatos, lugares, objetos para tentar compreender e organizar aquela história frente aos mecanismos de sua ciência tem o seu valor, mas não reflete a mesma história que o povo quis contar, o livro em questão mesclará esses dois modos de contar uma história, primeiramente contata a partir do seu povo, mas recorrendo a ciência dos historiadores quando precisar.

A história que o livro pretende contar é a história das famílias mais importantes do Antigo Testamento (AT), as famílias de Abraão, Isaac e Jacó, que ocorrem entre 1950 até 1300 a.C. Esse Deus de Abraão, de Isaac e Jacó não eram como os outros deuses, não ficavam em seus templos, mas sim no meio do seu povo.

O povo conta a sua história a partir daquilo que é mais importante para eles, e na história do povo de Deus gira em torno de um fim prático, necessário e muito importante para eles, o fim da libertação, o mesmo território ao longo dessa longa história de luta pela libertação recebe três nomes: 1) CANAÃ: antes que o povo de Israel se formasse. O território estava nas mãos dos reis das cidades-estados, e fazia parte do império do Egito. 2) ISRAEL: quando os diversos grupos se uniram e se estabeleceram de maneira estável. 3) PALESTINA: quando outras grandes potências passaram a dominar a região. Ao contar a história do povo de Deus, nós vamos usar os nomes de acordo com esses períodos. E quando conquistavam a sua terra, nem que fosse por um determinado período, cantava cânticos e cânticos em louvor a Esse Deus que os havia libertado e com a libertação sempre vem a aliança de Deus com o povo, e nesta aliança que Deus trás o seu povo para perto novamente.

A primeira aliança feita primeiramente com Noé, mas é com Moisés que a mesma é firmada de maneira inigualável. Moisés, esse hebreu de nascimento que lidera a revolta do povo contra a escravidão brutal do faraó do Egito. É a partir dessa organização e mobilização de grupos que desejam construir uma sociedade em que haja liberdade e vida para todos, e nessa luta, feita de acertos e erros, o mais importante é que o Povo de Deus não se sentem sozinhos, pelo contrário, vão se encontrando com YHWH (Javé), o Deus aliado e companheiro, que deseja a seu povo o que ele mais procura: liberdade, terra e vida.

O fato de ter duras batalhas faz parte da história do povo, pois o opressor, por si só, nunca concede a liberdade, a terra e a vida aos seus escravos, é preciso travar sim uma luta para conseguir o que se quer, e com Javé ao seu favor, tudo que antes parecia impossível, torna-se possível para aquele que crer.

Depois de muita luta, o povo de Deus concede a liberdade tão sonhada, a história contada da trajetória de Moisés parece simples, mas nada tem a ver com simplicidade, uma vez que é dificílimo fugir das garras do opressor, e após o período de escravidão, as gerações e gerações deveriam recordar do que passaram durante a escravidão no Egito e glorificar a Deus esse fato tão grandioso de enfim ter a sua livre e igualitária.

É interessante que o Deus que Moisés conversa e fala não aparece em templos, ou em locais de terra fértil, mas sim no deserto, onde nada dá, justamente para lembrar que o povo sofrido, que passa fome, sede, que é escravizado por anos tem contato com um Deus que caminha junto deles no mesmo deserto em que vivem. Esse Deus não tem nome, o Seu nome não pode ser pronunciado, “Ele é Aquele que é”, um nome enigmático, é um Deus que vai sair da montanha, do Monte Sinai, para fazer o percurso com seu povo no deserto.

A caminhada no deserto é dura, e mesmo Moisés proclamando que o Deus de Israel, YHWH (Javé) caminha com eles, parte desse povo não conseguem seguir adianta, crentes na promessa de libertação, e, portanto, escolhem a escravidão do que a libertação, se afastando novamente de Deus.

Depois de uma caminhada longa, é nas montanhas que o povo que caminhou por anos pelo deserto encontra refúgio, e ali, os hebreus do Egito e os semi-nômades do deserto do Sinai junto com o povo que estava nas montanhas e vão formar o povo de Deus. O mesmo Deus que acompanha o povo no deserto é o mesmo Deus que luta a favor, os grupos então são formados cada vez maiores, e suas características é muito diferente dos grupos da cidade, eles não se conformam com os deuses da cidade que justificam a escravidão, a soberania de uns frente aos outros, o Deus deles é um Deus que luta com o povo contra a escravidão, e, portanto, é chamado Israel, que quer dizer, Deus luta.

É através da formação desses grupos que tinham Deus por Javé, diferente dos grupos da cidade que chamavam Deus de “El”, que se formam algo importante para a história do povo de Deus, as Tribos de Israel. Com o poder do Egito cada vez mais fraco para controlar o povo, a cobrança de impostos e as tropas para manter a ordem, os grupos vêem uma oportunidade de descer a montanha e conquistar através de guerras e invasões terras melhores, mais férteis, planícies, etc. Um fator importante para que o povo ganhe força para vencer a escravidão e passar a ser donos de suas terras é ter um Deus presente na vida deles e que caminha com eles tanto no deserto quando na obtenção de novas terras e formação de uma nova sociedade, a sociedade do povo de Deus.

Uma preocupação é quem irá governar esse povo. Eles não queriam correr o risco de cair na opressão novamente, e nem na escravidão, portanto, o poder e as leis não poderiam vir dos homens, mas de Deus, ou de certa forma, que tivessem representantes, juízes que pudessem organizar as tomadas de decisão das 12 tribos a nível religioso, político e econômico, assim nasce a Confederação das Doze Tribos de Israel. Mas esse povo seguia qual lei? Quais mandamentos? Ora, aqueles contidos no Decálogo, que se tornou de fato a verdadeira Constituição do povo de Deus.

Os dez mandamentos, porém, eram muitos abrangentes e muitas vezes muito difíceis de serem cumpridos em sua amplitude, dessa forma foram criados novos códigos e novas normas para que o povo pudesse cumprir no seu dia a dia, assim aparecem os códigos Deuteronomistas. Embora tivessem sido criadas pelos homens essas normas e códigos, o povo de Israel seguia-a como se fosse do próprio Deus.

Embora os ideais das Tribos de Israel fossem aceitos e queridos por todos, isto é, participação, partilha, fraternidade, justiça e liberdade a Confederação das Doze Tribos de Israel encontravam uma grande dificuldade para que esses ideais tornassem realidade. E muitos nesse deslocamento entre o ideal e a realidade queriam um Rei. E uma leitura aos olhos da fé, mostra que o rompimento desta aliança com Deus é que surge a necessidade de outro tipo de segurança, a Monarquia, isto é, governo de uma só pessoa.

Com a monarquia, porém, surgem questões não bem vistas pelos israelitas, como por exemplo, o esbanjamento de riqueza dos reis conquistado com os impostos coletados do suor do seu povo. Deus não intervém para dizer qual é o melhor poder político, só se preocupa com a garantia da mesma liberdade e igualdade para o seu povo.

O povo de Deus então conta a história de seus reis, primeiro como Saul foi eleito de três maneiras diversas para ser o chefe de sua tribo Benjamim. Depois mostra o encontro de Saul com Davi, uma das principais personagens da bíblia, da tribo de Judá. O encontro se dá na participação de Davi junto ao exercito de Saul na luta contra os filisteus. O problema é que Davi pela sua garra, luta e coragem passa a ser admirado por todos, inclusive pelos oficiais de Saul, e dessa forma começa uma rivalidade entre os dois, ao ponto de Saul querer a morte de Davi.

Davi então precisa se refugiar para as cavernas com medo da morte encomendada por Saul e nesse momento encontra com o povo sofrido e marginalizado, Davi não teria sido o grande homem que foi se não tivesse tido esse encontro com o seu povo que sofria as escondidas. Davi mais do que um guerreiro sempre foi visto como um homem de fé desde sua juventude. Ele tem a firme convicção de que Javé, o Deus que libertou seu povo do Egito, está presente nas horas mais difíceis.

Davi fortaleceu o seu exercito, fez novas alianças, teve inúmeras oportunidades de derrotas Saul e seu exercito, mas não o fez, pela consciência que tinha em correr o risco de matar um grande líder como Saul e correr o risco de perder o respeito e a confiança do povo, dessa forma protegem a dignidade de Saul e o poupa da morte, passando então a ser respeitado não só em Judá, mas em todo o Israel. Após a morte de Saul em campo de batalha, após a morte do filho de Saul, o caminho estava livre e o povo também quis Davi como rei de Judá e de toda Israel. O povo todo acolheu Davi como seu novo Rei.
O reinado de Davi foi bem visto pelo povo uma vez que levou a libertação ao povo, levou a arca da aliança, símbolo da libertação para Jerusalém, administrou bem o seu povo, com justiça, paz, sem extorquir seu povo com altos impostos, etc. Porém, comete um pecado grave, não simplesmente em torno do adultério com Bate-Seba, mas de violar o contrato que o rei tinha com o seu povo, o de proteção da vida de seus súditos, e na medida que faz de tudo para Urias,  marido de Bate-Seba, morra em campo de batalha só para poder ficar com a sua esposa e isso vai alimentando algo grave que o leva a decadência, isto é, o poder pelo poder.

Um momento importante da história do povo de Deus é o governo do Rei Salomão, um governo que virou referencia na história que transformou o pequeno reino de Israel em um poderoso império. Além de sua administração fantástica, lembramos também de Salomão por sua sabedoria. O episódio de resolver um conflito interno ao propor cortar um recém nascido ao meio para descobrir qual seria a mãe verdadeira é um dos exemplos de sua sabedoria, ele também conseguiu trazer para sua corte, cientistas, estudiosos de cultura e literatura, formou diplomatas para estreitar relacionamento com outras nações, sobretudo com o Egito, a grande potencia da época, patrocinou a consolidação de livros importante da Bíblia, tais como: Gênesis, Êxodo e Provérbios. Também foi marcado por ser um rei religioso e agradecido a Deus, teve sempre em seus planos a construção de um templo para Javé, seu Deus e o Deus do seu povo.

Com o desejo de construção do templo para Javé também vem os gastos e a exploração do povo, os gastos eram recebidos em forma de participação agrícola, Salomão recebia diariamente toneladas e mais toneladas de produtos agrícolas para a construção do tempo. Outro método era o trabalho forçado, o recrutamento de milhares de homens para trabalhar na construção foi também uma medida tomada por ele. Isso tudo causou uma insatisfação tremenda no povo, principalmente naqueles que eram escravizados e essa insatisfação tomou corpo de revolta. E com a morte de Salomão o povo, as doze tribos passam a ter voz ativa novamente e começa então um período de divisão do reino, entre reino do norte e reino do sul. Jeroboão lidera a separação do reino do norte, a partir de Jeroboão muitos reis sucedem o trono, sejam do reino do norte (reino de Israel) seja do reino do sul (reino de Judá).

A partir da divisão do reino do norte e do sul começa-se a era dos profetas. Os grandes profetas começam a surgir no reino do norte, o reino de Israel. Como as sucessões do reino na época dos reis não estavam ligadas a hereditariedade e sim a força que o rei ou o candidato tinha na sociedade, a maioria deles eram militares. Somente um tipo de homem poderia concorrer com os militares em termos de adesão do povo, esse tipo de homem era o profeta. O povo acreditava no profeta por um motivo muito forte, acreditava que ele era um homem de Deus, pois ele anunciava as coisas de Deus como profecia e elas se cumpriam.

Elias é o grande profeta que enfrenta o rei, mesmo com o perigo da morte, pois suas profecias e denuncias muitas vezes criticava a corte real e privilegiava os humildes e sofredores. Os profetas que virão em seguida agirão da mesma maneira: falarão diretamente e sem medo aos reis, ministros, sacerdotes e à classe alta, defendendo o povo sofrido. Com suas denúncias colocam em xeque a própria instituição, e por isso serão perseguidos e até mortos.

Os profetas do Antigo Testamento podem ser divididos em dois grupos. Os profetas maiores, que são quatro: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os profetas menores são doze: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Mas de onde vem toda esta convicção dos profetas? De onde vem sua autoridade? Por que o povo de Deus acredita tanto neles? Essas perguntam certamente tem respostas convincentes uma vez o povo deu grande importância a esses homens ao contarem a sua história.

Um dos fatores mais importantes é a crença do profeta como portador da voz de Deus, por ele estar intimamente ligado com o Deus no qual acredita: Javé, o Deus libertador. O profeta acredita que a vontade de Deus é a fraternidade e a justiça e, por isso, ele tem certeza de que está falando em nome de Deus quando exige isso dos governantes e de toda classe dirigente do seu país. O ataque aos reis, príncipes, chefes, sacerdotes, comerciantes, profetas comprometidos com os latifundiários, é uma constante na atividade dos profetas. Essas denúncias, porém, não é fruto de uma ideologia barata, mas a posição convicta do profeta, pois ele está do lado das camadas empobrecidas e marginalizadas da sociedade: pobres, indigentes, fracos, órfãos, viúvas, estrangeiros.

E ao fazer essas críticas aos governantes, eles ganham uma força imensurável do povo que os apóia. Algo intenso é profeta é porta-voz do mesmo Deus do Êxodo, que libertou os hebreus do regime da escravidão, Aquele que se revelou a Moisés como o Deus Libertador, o YHWH, Javé.

Com a decadência do Egito, maior império do Oriente, nasce um império entre os rios Eufrates e Tigre, a Assíria, lá para os lados da mesopotâmia, o império Assírio dominava os outros países que negavam em pagar impostos e o transformava em uma simples colônia, sem liderança própria, pois esta sempre era retirada e exilada pelo império e colocava novos líderes nos países derrotados, e esses países ficavam sem direito político, econômico ou religioso. Por isso, a preocupação de Israel sempre foi de tentar conter o império da Assíria, mas em 722 a.C o império prendeu o rei de Israel, tomou a Samaria e milhares de israelitas foram levados para o exílio, enquanto muitos estrangeiros chegavam para fazer a vida naquele novo país. Assim, o Reino de Israel (Norte) deixou de existir, e a região se tornou colônia assíria. Do antigo império de Salomão, agora sobrava apenas o pequeno Reino de Judá, no Sul.

Mas se foi a Samaria foi invadida pelos assírios, sofreram com essa invasão, perderam os seus direitos, teve seus líderes exilados, porque vemos no Novo Testamento (NT) os samaritanos serem excluídos e desprezados pelos judeus? Ora, simplesmente pelo fato de que aqueles estrangeiros que foram tentar a vida na nova colônia da Assíria, após a tomada da Samaria, ali se fixaram, casaram, constituíram famílias e miscigenaram a raça e esta raça tornou para os judeus piedosos uma raça impura, os samaritanos seguiam fielmente a Torá, mas não aceitavam os outros escritos do Antigo Testamento (AT), também acreditavam na vinda de um messias, mas não da descendência de Davi e sim de um novo Moisés. Até hoje existem grupos de samaritanos com os mesmos costumes.

O reino de Israel foi desaparecendo com a invasão da Assíria e também o reino de Judá estava desintegrando lentamente, e rapidamente também a Assíria tomou Judá com o mesmo empenho que havia devastado Israel, porém Judá preferiu aceitar o pagamento de impostos e o culto aos outros deuses do que lutar contra o império assírio como fez Israel. Essa submissão de Judá ao império da Assíria durou longos cinquenta anos e com todos esses anos de dominação e submissão aos cultos aos outros deuses, chegando ao ponto de fazer sacrifícios humanos em favor dos deuses, a religião de Javé caiu em decadência, o povo passou a desprezar a lei, e a injustiça e a violência permaneceu no meu do povo fazendo-o sofrer.

O povo de Deus depois de um longo período de escravidão e insatisfação reage com luta e violência, e com a mesma velocidade que o império da Assíria subiu, ele começa a cair, devido um número grande de rebeliões, e o povo da terra coloca no poder um dos seus, o menino Josias com inteiro apoio popular e a partir dele inicia todo um trabalho de independência do povo. A partir dele toda a idolatria foi sanada, a luta com a volta da cultura, da economia e da religião judaica é instaurada, o livro de Deuteronômio é encontrado e as suas prescrições e leis é instaurada para restabelecer a ordem e a justiça.

Com a reforma de Josias tinha iniciado um processo de modificações profundas no Reino de Judá: eliminação da idolatria, não pagamento de tributos, justiça social e integração do antigo Reino do Norte. Mais uma vez, porém, os acontecimentos internacionais truncaram o ressurgimento de novas esperanças para o povo israelita. Porém, com a luta pela independência do povo os egípcios se aproximam dos assírios para a luta contra a Babilônia, Josias tenta impedir que o Egito ganha essa batalha, mas infelizmente acaba morrendo em campo de batalha e momentaneamente o Egito acaba predominando na Palestina, assim o reino de Judá (reino do Sul) que acabara de sair das mãos dos assírios cai novamente na mão dos egípcios. O povo passa a sofrer duplamente com essa derrota, passa a pagar imposta para sustentar a classe dominante do país e também paga impostos para os estrangeiros que dominam o país.

Com todos esses problemas de dupla opressão a posição dos profetas dentro da situação do Reino de Judá nos últimos anos de sua existência, vários profetas exerceram sua atividade, procurando um discernimento, mais preocupados com a vida do povo do que com a segurança nacional.

Jeremias mostra que a hipocrisia e a injustiça podem conduzir a uma catástrofe irremediável. Por isso, foi torturado e preso. Não sendo ouvido, o profeta parte para um realismo assustador: a única saída para o país é se entregar à Babilônia, para que o desastre não seja total. Foi acusado de traidor, mas de fato as coisas aconteceram como ele havia previsto.

Habacuque não se conforma com a idéia de que a invasão de uma potencia estrangeira possa melhorar as coisas para o povo. Diante da injustiça interna e da opressão externa, ele anuncia outra saída: a tenacidade do povo em se manter fiel ao projeto de justiça, isto é, a salvação do país depende do povo, que precisa sair de sua passividade e se tornar gente dentro da história.

Ezequiel insiste que é inútil tentar reformar um sistema de sociedade que é injusto por dentro e na essência. Para Ezequiel, é preciso encontrar uma alternativa de sociedade totalmente nova.
No meio dessa confusão toda, o sistema Israel havia desaparecido do mapa político do Oriente Médio, pois todo o seu território pertence agora à Babilônia. Os israelitas estavam agora sem terra, exilados, dispersos e sofrendo em muitos dos locais da Babilônia. No meio dessa nova confusão, o que foram feitos dos israelitas que ficaram em no Reino do Norte? E dos que foram para o Reino do Sul? O que fora feito dos exilados? E dos que fugiram para outros locais?

Os israelitas do Reino do Norte foram exilados na Assíria, e a população restante se misturou com estrangeiros. Agora, esse território também faz parte do império babilônico e a vida aí é bastante precária, baseada na agricultura e comércio. Os que aí viviam eram desprezados pelos israelitas do Sul, e criou-se um clima de rixa e até de ódio, que vai durar muito tempo, com conseqüências graves.
Os israelitas do Reino do Sul no qual a sua grande maioria de exilados pertencia à classe dirigente, intelectuais e profissionais especializados. Muitos permaneceram aí, principalmente os camponeses. É difícil saber o tipo de vida que levava o pessoal que ficou em Judá durante os cinqüenta anos de domínio babilônico. Certamente foi uma época difícil, de vida precária e triste.

Os israelitas que fugiram durante a invasão babilônica, que tentaram buscar lugares mais seguros para salvar a própria vida, principalmente no Egito constroem colônias próprias, chegam até a construir um templo nesse local, e adotam uma religião sincretista, isto é, uma mistura da crença em Javé com outras crenças presentes naqueles locais.

Os israelitas exilados embora a vida deles não seja fácil, pelo menos no começo, não devemos imaginar que os judeus foram trancafiados em prisões ou masmorras. Uns se tornaram comerciantes e até banqueiros, outros acabarão conquistando postos administrativos e até altos cargos. A dispersão é grande e parece que a Babilônia manterá seu império por muito tempo. Tudo leva a crer que não existe mais possibilidade de restaurar novamente o povo de Israel. Mas a história ainda não acabou.

Quem estuda ou viveu naquela época, nunca imaginava que um super império como o Babilônico estaria em ruínas cinquenta anos depois do seu grande esplendor. E para substituir um grande império opressor, somente outro mais forte ainda, neste período então surge o império Persa, os persas entra sem nenhuma resistência e aclamado pelo povo que estava há muito tempo sofrendo nas mãos dos babilônicos. Ciro, o general persa possui uma vantagem frente aos babilônicos e assírios, ele não obrigado o povo dominado a seguir a religião do seu governo, dessa forma o povo é liberado novamente para ter o seu próprio Deus e sua própria cultura, adquirindo então a sua identidade novamente. Quem está no exílio recebe permissão para voltar.

Esse fato histórico da vitória dos Persas sobre a Babilônia e a Assíria trouxe esperança novamente para o povo e uma leitura de fé do povo de Deus foi de que Deus nunca os abandona. Todo este movimento de reconstrução e volta do povo para sua terra causa alguns conflitos, tanto com o poder central persa e quanto com o governo da Samaria.

Após mil anos de história do povo de Deus, mais estrangeiros aparecem na história do povo, agora com o grande Alexandre Magno, filho do rei Felipe da Macedônia, chefe do exército queria enfrentar os senhores do Oriente, os persas. Em doze anos de lutas e batalhas Alexandre consegue muito mais do que qualquer homem poderia imaginar, além do império Persa ele também é dono do império Indiano. Após a sua morte seu império é dividido entre os seus generais e por cinquenta anos a Palestina e a Judéia ficam sob o domínio desses generais. A língua grega fora instaurada nesse período nos países sobre o domínio de Alexandre e seus generais, logo aparecem escritos não mais só em hebraico, mas também em grego em todas as áreas de conhecimento e com os escritos sagrados não foi diferente. Além da língua também a cultura grega foi instaurada no povo de Deus.

Os gregos dominaram o Oriente por muito tempo, com os reis Antíoco II e III, mas entrou logo em decadência ao querer expandir seu império para a Europa, os sucessores Seleuco IV e Antíoco IV, os judeus não concordam com as novas formas de governo pelo simples fato que estes extorquiam o povo e faziam corrupções com as coisas sagradas para os judeus, sobretudo em relação ao templo de Jerusalém. Os judeus criam resistência quanto ao culto a Zeus imposto pelos gregos, eles não podiam mais guardar o Shabat, não podiam mais praticar o judaísmo nem os sacrifícios para Javé. Isso afetou muito o povo e iniciou uma nova luta que durou mais de vinte anos.

Os gregos atacavam os judeus nos dias de sábados e estavam acabando com o povo, com a família, com o gado, etc. É Matatias que restabelece um novo sentido em relação ao dia do sábado que mais tarde seria instaurado por Jesus, “o sábado foi feito para servir o homem, e não o homem para servir o sábado” (Mc 2.27). Matatias morre em campo aberto, e Judas o seu sucessor traça uma nova estratégia, atacar em forma de guerrilha, isto é, atacam em lugares inesperados. Estavam destruindo aos poucos o exército grego e o rei Antíoco V quis negociar e fazer uma aliança, uma aliança perigosa para os judeus ao ponto de Judas recorrer aos romanos, porém a aliança com os romanos serviu apenas para os romanos intrometerem na política da região.

A revolta dos Macabeus que havia começado pequena conseguiu com a luta em forma de guerrilha e com a aliança com os romanos devastar o exército grego e conquistar novamente as suas terras, só não conseguia resgatar novamente suas tradições e costumes, mas, as terras conseguiram todas da época dos reis Davi e Salomão. Após a vitória dos Macabeus, independência política e financeira, liberdade de culto, resgate dos costumes e tradições iam se fortalecendo, porém alguns conflitos internos começaram a surgir entre partidos, os saduceus, os fariseus e os essênios.

Os romanos haviam criado aliança com os Macabeus com algo em vista, ser o novo senhor do Oriente, conseguiram com ajuda da guerrilha enfraquecer os gregos, aos poucos foram conquistando territórios e alguns anos depois tomou a Palestina com o intuito de trazer a paz aos conflitos internos dos judeus e em 63 a.C a Palestina era uma província romana e por mais incrível que pareça em 37 a.C os romanos colocam uma coroa na cabeça de um estrangeiro para reinar na Palestina, o nome dele era Herodes. Surgem neste período um grupo de revoltosos para se opor ao reinado de Herodes, esse grupo era os Zelotes ou Zelotas, Judas Iscariotes, que mais tarde se juntaria ao grupo de Jesus de era desse grupo.

Entramos então no período em que surge Jesus de Nazaré, o homem que chamaríamos mais adiante de Messias, ou o Cristo da Fé, para os cristãos. Jesus nasce em Nazaré, mas sua pátria já era uma província romana, com concessão dos Romanos, Herodes, que nasceu no sul da Palestina, regia toda a Palestina. Os filhos de Herodes que comandavam as regiões da Palestina, essa era dividida basicamente em três partes:

1. Judéia. Assim é chamada porque corresponde, em sua grande parte, ao antigo território da tribo de Judá. Depois do exílio na Babilônia, foi nessa região que os israelitas reorganizaram a sua vida e passaram a ser conhecidos como judeus. sem dúvida, se tornou a principal, pois dentro dela ficava a cidade santa de Jerusalém e o Templo.

2. Samaria. O nome provém da antiga capital do Reino do Norte, destruída pelos assírios em 722 a.C. os samaritanos que aí habitam não pertencem ao judaísmo propriamente dito. Os samaritanos são considerados raça impura pelos judeus, por serem descendentes da população misturada com estrangeiros.

3. Galiléia. O nome significa círculo, distrito. É uma encruzilhada de importantes rotas que se dirigem para várias direções. Com uma população mista, era chamada a "região das nações". No tempo do Novo Testamento, a Galiléia era habitada por gente misturada de muitos povos, tanto assim que os judeus viam com desprezo alguém que morasse ou tivesse nascido nessa região. Jesus passou a maior parte da sua vida na Galiléia, passando a ser chamado até mesmo de Galileu.

A dominação e o poder do período da terra de Jesus eram muito mais do que com armas e força e sim através da religião e dos aparelhos ideológicos, os saduceus utilizaram dessa forma de dominação para se manter no poder como sumo sacerdotes implantando o sistema do puro e do impuro.

Precisamos lembrar que os saduceus eram compostos pela elite sacertodal que administrava o Templo e o culto, além de serem homens de muita posse, comerciantes e com forte influência política e social.
Instauraram o sistema religioso do puro e do impuro que também abrangia o mundo e não só a sociedade judaica, a ordem a seguir caminha sempre do mais puro ao mais impuro.

1. O esquema geográfico do puro e do impuro: Templo, Jerusalém, Palestina (Judéia, Samaria e Galiléia), Demais Nações.

2. O esquema social do puro e do impuro: Sumo Sacerdote, Sacerdotes, Levitas, Observantes da Lei, "Povo da Terra" e Pagãos.

3. O Templo de Jerusalém: Santo dos Santos, Santo, Vestíbulo, Pátio dos Sacerdotes, Pátio dos Homens, Pátio das Mulheres e Pátio dos Pagãos.

Tudo gira em torno do Templo, por isso, ele tão importante para os judeus. É no templo que há toda a organização econômica da vida judaica, é no templo que aos 20 anos o judeu tem que pagar o “resgate”, uma quantia para resgatar sua vida diante de Deus. É no templo que anualmente todo judeu paga uma quantia para a sustentação do templo (sacrifícios, sacerdotes, restaurações, etc.), é no templo também que um judeu piedoso oferece quantias voluntárias e individuais aos sacerdotes como agradecimento de algo.

Toda essa riqueza do Templo estava nas mãos do alto clero de Jerusalém, e esses sacerdotes, os saduceus administrava também o poder econômico, o poder ideológico-religioso e o poder político dos judeus. Esse grupo conseguia bem dominar todo esse poder por deter algo raro para o homem comum, isto é, o conhecimento das leis e prescrições. Na Palestina na época de Jesus possuía dois grupos que detinham muito conhecimento dessas leis, os escribas ou doutores da lei, que eram intérpretes das escrituras e os fariseus, que rigorosamente cumpriam a lei.

Na época de Jesus como já citamos acima teve grupos de contestação, a maioria dos integrantes desses grupos pessoas simples, eles não tinham condições de obedecer todas as prescrições e regras de grupos de judeus ricos e, portanto eram vistos como malditos. Desses grupos destacam dois. Os Zelotes ou Zelotas, o qual Judas Iscariotes fez parte e os Essênios, o qual João Batista fez parte.

Os Zelotes surgiram dentro do partido dos fariseus, surgiu um grupo que não se conformavam com a atitude passiva diante do domínio de Roma, esses eram os Zelotes. Os Essênios foi o resultado da fusão entre sacerdotes contestadores do clero de Jerusalém e de leigos exilados, embora se assemelhassem aos fariseus em muitos pontos, estavam em ruptura radical com o judaísmo oficial, foram viver de forma eremita bem parecido com os “monges beneditinos”.

A atividade econômica da Palestina no tempo de Jesus depende da agricultura, pecuária, pesca artesanato e do comércio. Havia também a divisão de classes na época de Jesus. A "classe alta" era formada por grandes proprietários de terras e rebanhos, grandes comerciantes e pela elite estatal (a família de Herodes e o alto clero).  A "classe média" era composta por pequenos proprietários agrícolas, pequenos artesãos e profissionais independentes, comerciantes, cobradores de impostos, burocratas de segundo escalão e o baixo clero, os mestres (escribas e fariseus), em geral, pertenciam a essa "classe". A "classe pobre" consistia de assalariados, meeiros, pastores, empregados de fábricas artesanais, funcionários de baixo escalão no Templo ou na corte, rachadores de lenha, carregadores de água, etc. Além do povo da terra que era pequenos agricultores, artesãos e diaristas.

Mas quem foi então esse homem chamado Jesus de Nazaré? Ora, Jesus é israelita, Jesus viveu na Palestina do século I, mas muito mais do que isso é saber que para nós, cristãos, Jesus é o Filho de Deus encarnado. Saber o que ele fez e ensinou é aprender o que o próprio Deus quer para a nossa vida e para a vida dos outros.

Paz e História do Povo de Deus!!!

BIBLIOGRAFIA
BALANCIN, Euclides Martins. História do Povo de Deus. Paulus, São Paulo – SP, 1989.

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