sábado, 29 de setembro de 2012

23ª Cruzada Evangelística Embu das Artes SP


Em breve fotos:


Estilo de vida - Hip Hop Cristão



Muito interessante o documentário do Parceiro Trip Lee - Embora os americanos tem uma visão mais liberal do Evangelho e tudo o que fazem é voltado para os negócios, fica ai o exemplo. É possível viver de maneira sadia (sendo cristão) e utilizar a plataforma secular para propagar assim a Fé.

Recentemente fui ao aeroporto de Guarulhos com um amigo, Apostolo Sandro de Embu das Artes, Receber o Apostolo Ruan da Colômbia (estava em cruzada pelos Estados do Sul do Brasil) e conversávamos sobre a Instituição da Igreja nos dias de hoje. Ruan teceu  um comentário que ecoa dentro de minha mente até agora, ele disse: O software da Igreja (instituição) está desatualizado, nós precisamos desenvolver mediante inspiração das sagradas escrituras um novo software, que rode nesse grande hardware que é o mundo (...)


Escola de Sexualidade



Escola de Sexualidade
06 de fevereiro a 02 de março (1º semestre)
2 a 27 de outubro (2º semestre)
(período integral)

- Abuso
- Aconselhamento
- Auto estima
- Corpo Humano
- Construção da Sexualidade
- Dependência Emocional
- Homossexualidade
- Identidade
- Intervenção Urbana
- Legislação Brasileira
- Oração
- Repressão Sexual
- Revolução Sexual
- Travestismo e Transexualismo
- Vício Sexual
E muito mais!
Importante:  Todos os alunos precisarão adquirir apostila para leitura obrigatória (em torno de R$40,00).
Conheça o projeto sentinela: Clique aqui
Entre em contato: Clique aquiimg
Sexo vende. Sexo compra. Sexo ensina. Sexo manipula. Sexo faz dormir. Sexo acorda. Sexo constrói. Sexo destrói. Sexo trás vida. Sexo mata. “Sexo! Eu quero é sexo”, já gritava em alto e bom som a banda Ultraje a Rigor.
Pela falta de orientação ou simplesmente por ignorarem que é necessário sim haver uma educação sexual, fazemos o que quiser com sexo. Mas ele também pode fazer o que quiser de nós. E normalmente as consequências não são nada boas. Vidas (plural) inteiras são mudadas da noite para o dia.
Filhos antes da hora. Doenças. Dependência emocional. Identidade sexual confusa. Conceitos morais distorcidos. Falso moralismo. Hipocrisia. Depressão. Angústia. Desconfiança. Instabilidade emocional. Abuso. Degradação. A lista é imensa. E ela não se aplica somente as pessoas que fazem sexo desvairadamente. Boa parte também se relaciona aos castos e virgens.
Sexo está mais do que em alta, inclusive e principalmente, dentro das igrejas. E como lidar com a gama de prazeres e problemas que lhe são inerentes? Como lidar com a nossa própria sexualidade, carregada de dogmas e conceitos repressores ou libertinos?
Sabemos que há muita informação espalhada por ai. Com a Escola de Sexualidade, que acontece no mês de Outubro, a Missão Avalanche tem o intuito de transformar toda essa informação em conhecimento. Antes de qualquer coisa, autoconhecimento. Conhecer os conceitos, histórias e tudo o que tem ocorrido no nosso mundo hoje e durante toda a história. Fatos que interferem diretamente em nossas vidas.
E em 2010 a Avalanche deu início à escola de aconselhamento em sexualidade. Diante da demanda recebida durante todos esses anos, a Missão lança a Escola, que acontece em Novembro. O pré requisito básico é ter feito a Escola de Sexualidade antes. Como ajudar, efetivamente, alguém nessa área? Será que a igreja está preparada para tal responsabilidade? Foram séculos de repressão, opressão e falta de entendimento. Você está preparado? Por que é fato. Pessoas virão querer tirar dúvidas. Hoje esse ciclo está sendo quebrado. Mas para que isso ocorra de forma coerente e responsável, conhecimento é preciso. E ai, ta disposto a encarar?


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Estou Lendo




O Último show




O público se amontoava em frente ao palco, frenéticos olhavam para cima aguardando o por vir. Alguns bem alterados. Químicos ambulantes gesticulavam em coro uníssono, embalados pelo ritmo do DJ.  ­­­– how how, how how . No camarim em ponto estratégico, atrás do palco, meninas de calça jeans bem apertadas, rostos pintados e cabelos penteados. Lotou o corredor, bem dispostas como no harém de Salomão, de todos os tipos: cores, cheiros, curvas e tamanhos, prontas a realizar os desejos mais íntimos dos artistas que estavam num côncavo guardado por dois seguranças (...)
   O DJ soltou uma balada tão enérgica que a multidão bradou como num rito aos deuses! Eu olhei pelo viés da estrutura quando vi centenas de milhares de jovens e pensei: Mano, “estou no topo do Everest, essas cabeças representam a minha grande jornada” olhei no relógio, o ponteiro gravou nos minutos 25 as retinas inclinaram para cima 1. Uma e vinte e cinco da madrugada, voltei para junto da banda.
O mestre de cerimônia vociferou: Daqui a cinco minutos os loucos; um dos melhores grupos de Rap da Zona Sul de São Paulo, Conceito Moral. Passei a mão na careca espalhando o suor do intenso calor. Na entrada do palco quatro jovens aguardando a chamada com o microfone em riste .

Continua ...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Cristãos na Política


Nos últimos 25 anos, o crescimento em número dos evangélicos coincidiu com uma maior conscientização das possibilidades da liberdade, do poder dos grupos e da democracia. Assim, de comportado e submisso curral eleitoral até final dos anos 70, os rebanhos evangélicos evoluíram para disputadas hostes de votos que poderiam ser capitaneados através de alianças dos caciques políticos com os pastores evangélicos.

Essa descoberta do crescente poder de voto dos evangélicos gerou algumas palavras de ordem nos arraiais evangélicos: "Irmão vota em irmão"; "O Brasil é do Senhor Jesus"; "Vamos ganhar nossas cidades para Cristo"; "Comunistas comem criancinhas"; "Vamos eleger o primeiro presidente evangélico do Brasil" (o Gal, Geisel, luterano, não eleito, era evangélico?); "Não troque seu voto por tijolo para a sua igreja"; "Vamos invadir o arraial do inimigo". Toda sorte de argumentação dita bíblica se espalhou para alicerçar posições a favor ou contra candidatos, partidos, ideologias.

Na história recente do Brasil, pastores evangélicos alcançaram as mídias de massa com discursos tanto revolucionários como extremamente conformistas, reacionários. Alguns pentecostais foram tachados de direitistas e outros de alienados; pastores de igrejas históricas e de teologias mais liberais foram associados a movimentos gays, esotéricos ou espiritualistas; igrejas envolvidas com movimentos sociais foram identificadas como o "perigo vermelho".

A conversão do diabo


A babel se instaurou nas planícies evangélicas: muitos inocentes úteis foram cooptados pela mídia secular para fazer discursos ora de ataque a evangélicos de uma facção, ora a defender pontos de vistas claramente profanos. Por outro lado, houve visível escalada da ambição de poder temporal por parte de muitos líderes, denominações, indivíduos e instituições evangélicas. Se a política se cristianizou, o fez às custas da profanação do poder eclesiástico.

Ao longo das últimas campanhas presidenciais, por exemplo, o sempre candidato Lula foi chamado de "diabo" por alguns líderes evangélicos. Hoje, a aliança do PT com o PL (partido onde atua preponderantemente a Igreja Universal) nos faz pensar: mentiram os pastores, no passado, ou o "diabo" se converteu?

A antes eterna polêmica - "Pode um pastor concorrer a um cargo público?" - foi amenizada por outras questões: que aliança "devemos" fazer? (implicitamente, este "devemos" significa "nós", igreja, denominação ou grupo evangélico de interesse); como ter certeza de que vamos eleger uma pessoa "comprometida com os princípios cristãos, custe o que custar"? Como de costume no meio evangélico, todos recorrem à Bíblia.

A Bíblia e a política


Usada como fonte da verdade para as diversas áreas do conhecimento humano, a Bíblia se presta a defender pontos de vista até mesmo antagônicos. Assim é que, sendo aplicada como base de doutrinas, teologias, ideologias ou interesses, os homens dela extraem os fundamentos de suas "particulares interpretações".

Como resultado dessa miscigenação de texto sagrado com casualidades humanas, descobre-se uma vasta literatura defendendo os mais diversos pontos de vista. De fato, há suficientes porções da Bíblia que nos permitem verificar que o povo de Deus viveu e participou dos fatos políticos - ativa ou passivamente - nos diversos períodos da história. Há um desfile imenso de personagens que ocuparam posições e exerceram poder político, quer tenha sido em relação ao povo de Deus como sobre nações pagãs: José, Moisés, Davi, Daniel e outros mais.

Se há evidências bíblicas e históricas no cristianismo tanto dos benefícios e como dos riscos da participação política, o que fazer, então? Dentre muitos textos bíblicos que possam nos fornecer alguns princípios para analisar este tema, recorro ao apólogo de Jotão, em Juizes, capítulo 9. Nele encontramos algumas luzes que podem iluminar o caminho das nossas decisões políticas.

Jotão, o sobrevivente


Gideão, juiz de Israel durante 50 anos, é mencionado em Hebreus 11.32 como um dos notáveis homens de fé no período do Velho Testamento. Não obstante tal reconhecimento, ele é citado também como exemplo de líder do povo de Deus que cedeu às pressões da idolatria. Ele manchou o final de sua vida com uma escolha que veio a "ser um laço... e à sua casa"(Juizes 8.27). Embora Gideão tenha resistido à tentação de aceitar a criação de uma dinastia real (8.22-23), a tal estola sacerdotal que fez para si representava a tentativa de usurpação de um poder maior ainda: o de ser o intermediário divino, o sacerdote.

O laço de Gideão logo se manifesta por meio de Abimeleque, um dos filhos de Gideão. Logo após a morte de seu pai, Abimeleque assassina sessenta e nove dos seus setenta irmãos - sobrevivendo apenas Jotão, que se escondera. A ânsia de poder provocou essa dissidência e Abimeleque proclama a cidade de Siquém - de onde sua mãe era originária - como um estado independente, chegando a dominar sobre todo o Israel durante três anos.

Jotão, compreendendo que a idolatria de seu pai agora se manifestava na rebeldia de Abimeleque, proclama a verdade aos moradores de Siquém: eles deveriam refletir sobre a escolha que estavam prestes a fazer, seguindo a Abimeleque.

A voz do profeta

O discurso de Jotão começa com uma advertência: "Ouvi-me... e Deus vos ouvirá" (9.7). Os homens de Siquém estava prontos a seguir um de seus filhos notáveis - Abimeleque - mas não compreendiam o caráter profético da condenação que pairava sobre ele. Jotão tentava adverti-los a não seguirem Abimeleque, que caíra no laço de desejar inaugurar uma dinastia real para Israel.

Gideão havia recomendado a todo Israel: "Não dominarei sobre vós, nem tão pouco meu filho dominará sobre vós; o Senhor vos dominará" (8.23). Mas as suas palavras foram abafadas pelo seu gesto seguinte, assumindo um poder sacerdotal do qual não fora investido. Quando Abimeleque mata os seus irmãos e oferece-se como "dominador", o gesto de Abimeleque falando mais alto: a sede de poder!

Depreendemos desse primeiro ponto do apólogo de Jotão que toda dominação sobre o povo de Deus não pode ser derivada de palavra humana. Antes, qualquer decisão precisa resultar de uma convocação profética para a igreja, destinada a ser sal e luz do mundo. Não devem os cristãos, individual ou coletivamente, ceder a argumentos, mas reconhecer a sua vocação profética em cada momento e lugar que vivam. A igreja que anuncia é a mesma que denuncia. O evangelho é perfume de vida, mas também perfume de morte. E Jotão começa a descrever tal forma de compromisso.

A oliveira


Os homens de Siquém compreendiam o significado dos elementos da paisagem rural da época - motivo pelo qual Jotão apelou para uma comparação singela, que todos pudessem compreender: os homens de Israel seriam as árvores e a oliveira seria uma primeira escolha de um tipo de rei, de governante. As árvores teriam dito à oliveira: "Reina sobre nós!". Mas, esta se esquivara, dizendo: "Deixaria eu o meu óleo, que Deus e o homem em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores?" (9.9).

A oliveira é a árvore da qual se extraía, por meio da prensagem do seu fruto, o azeite. Ela tipificava a fonte da unção do povo de Deus. Era da oliveira que vinha o caráter sagrado dos ritos e da religião, pois ela fornecia o óleo através do qual coisas, pessoas e animais eram consagrados.

A recusa da oliveira é a representação de uma posição típica do povo de Deus em todas as épocas: "Nós, os pastores, o povo de Deus, a Igreja, não devemos nos envolver nestas questões de política, de escolher quem vai nos governar. Não devemos comprometer a nossa unção". A recusa da oliveira é o posicionamento do cristão diante da política quando diz: "Isto nada tem que ver comigo, não me afeta - ou até mesmo pode me contaminar. Deus tem prazer na minha unção - e a minha pureza é também apreciada pelos homens". Certamente, o argumento é justo, mas desconhece um perigo que será explicado mais adiante por Jotão.

A figueira


A próxima alternativa para os homens de Siquém seria a figueira.

Uma curiosidade sobre a figueira nos permite entender porque tal árvore foi utilizada por Jesus como exemplo do que o pecado provocava em Israel: ela produz o seu fruto antes das folhas, ao contrário das demais árvores. Ela simbolizava, assim, a necessidade de uma espiritualidade verdadeira (os frutos), antes de uma religiosidade aparente (as folhas).

Esta era a próxima escolha que Jotão oferecia: "Se vocês rejeitam a Deus (desejando escolher um rei), e aos seus ungidos (a oliveira), pelo menos aceitem homens espirituais (figueiras com frutos). Mas, tal figueira não se apresentou disponível, se justificando: "Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria pairar sobre as árvores?" (9.11).

A recusa da figueira é, também, um sinal justo de precaução diante de outra verdade historicamente comprovada: muitos cristãos, envolvendo-se na política, perdem a sua "doçura" (espiritualidade), o seu fruto é arrancado da sua vida. Mas, é suficiente este argumento para então recusar uma chamada ao desafio de participar do ato de "pairar sobre as árvores" (governar, em algum sentido)? Igualmente, Jotão irá concluir que, não obstante a verdade do argumento da figueira em não se envolver, a sua recusa implicava em um perigo maior ainda.

A videira


A terceira alternativa oferecida por Jotão foi a videira - uma parreira de uvas.

Há mais de uma dezena de palavras em hebraico e grego para designar o que entendemos biblicamente como videira. Este fato realça um dos símbolos da videira, em termos bíblicos: prosperidade sobre toda a nação. Isto é, o vinho - resultado de prensar o fruto da videira - é o elemento presente nas festas, o símbolo da alegria. A diversidade dos frutos expressa nas muitas expressões da língua para representar a videira - típico de cada região e clima - alude ao fato de que as videiras se espalharam sobre todo o Israel. Era, assim, a prosperidade, a alegria, a paz, a força de Israel. A videira simboliza, deste modo, a bênção de Deus repartida sobre o Seu povo, o cumprimento das Suas promessas sobre a nação obediente. É a vitória dos valores divinos sobre os valores humanos.

Quando Jotão conta aos homens de Siquém que as árvores se contentariam apenas com a videira ("bons cristãos") para "pairar sobre as árvores", também lhes fala da recusa da videira: "Deixaria eu o meu vinho (os meus valores, as minhas bênçãos, a minha prosperidade)...?".

A recusa da videira representa o argumento de que as bênçãos de Deus e a prosperidade dos cristãos não devem ser desperdiçadas em "negócios deste mundo". Aparentemente, esta prudência se justificaria, mas ela desconhece o perigo que, finalmente Jotão proclama aos moradores de Siquém.

O governo do espinheiro


Somente ao sermos apresentados à opção do governo do espinheiro é que compreendemos que as três primeiras alternativas compunham três diferentes grupos de preferências, mais do que uma hierarquia de escolhas. Isto é, algumas árvores procuraram a oliveira; outras, a figueira; e outras mais, a videira. A ordem não especificaria uma distinção hierárquica entre unção, espiritualidade e valores. Ao contrário, as alternativas apresentadas por Jotão procuram relevar a necessidade da presença e preservação desses valores em todas as escolhas do cristão.

Mas, no caso do espinheiro, a escolha foi unânime: "...todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós". A linguagem não é mais uma amenidade - "pairar sobre nós", como que a demonstrar um certo nível de igualdade e tolerância entre as árvores. Não é um grupo aceitando um domínio consentido da oliveira, da figueira ou da videira sobre todas elas. Mais do que um consenso, o convite ao espinheiro é uma permissão expressa: "Vem tu [espinheiro], e reina sobre nós". Não há engano nessa escolha, pois a unanimidade dos participantes e a concordância de propósito atestam o caráter de uma decisão fruto de uma vontade coletiva. Jotão assim descreve como tal escolha parecia ter sido feita pelos habitantes de Siquém: "de verdade e com sinceridade" (9.16).

Diferentemente das árvores anteriormente convidadas, que centralizaram nas suas qualidades um argumento de recusa, o espinheiro realça a natureza do relacionamento que estaria por se tornar realidade. A oliveira não quis comprometer a sua unção. A figueira declarou-se zelosa de não arriscar a sua espiritualidade. Enfim, a videira não arriscou desperdiçar os seus valores. Mas o espinheiro, este foi ao ponto principal e disse: "Se vocês estão me escolhendo, saibam que eu vou assumir domínio sobre vocês!". Mesmo diante desta advertência, Abimeleque foi proclamado rei.

Escolhas e não-escolhas


Uma análise simples, baseada no apólogo de Jotão, nos permite reconhecer que há sempre duas grandes escolhas presentes na vida dos homens: o governo de Deus (que Gideão defendera em palavras, mas recusara com seu gesto de auto-unção) ou o governo dos homens (o domínio dos espinheiros). A alternativa de escolhermos entre a oliveira, a figueira ou a videira não é uma oposição ao governo do espinheiro. Antes, são o compromisso do cristão diante de qualquer tipo de "árvore que paire" sobre a sociedade. A unção, a espiritualidade e os valores do cristão são realidades que devem resistir até mesmo ao fogo do espinheiro.

O espinheiro é sempre a alternativa do poder temporal, secular - quer seja político, social, econômico ou das armas. O espinheiro sempre "cospe fogo" (9.15) para exercer seu domínio, e punir os que lhe resistem. Todo sistema humano de representação de poder é babilônico, demoníaco - por definição da natureza dos poderes deste mundo. Entretanto, a presença do cristão o torna "sal e luz" neste mundo. O cristão planta o poder de Deus, através das oliveiras, figueiras e videiras "no arraial do inimigo" - sempre expostas ao fogo do espinheiro.

As nossas escolhas não mudarão a natureza do governo do espinheiro - com o qual as alianças são impossíveis de se fazer. A cristianização de uma nação (uma espécie de evangelização sem Cristo, pelo domínio dos meios políticos) não produz a justiça de Deus. Entretanto, a não-escolha significa que estamos escolhendo o espinheiro, por omissão. Se a nossa unção, espiritualidade e valores não podem ser a expressão viva do poder de Deus - inclusive nas escolhas políticas - então seremos consumidos pelo fogo do espinheiro...!

Envolvimento ou não-envolvimento

Não é o escopo dessa singela reflexão esgotar as possibilidades teóricas sobre os pontos a favor ou contra o envolvimento do cristão na política - ou da Igreja nos poderes temporais. A realidade supera a vitória de qualquer discurso que vença a questão: o mundo sempre cobra o testemunho dos cristãos através das suas escolhas. Durante o holocausto nazista, o silêncio dos cristãos locais se fez rompido quando o pastor Bonhoeffer foi martirizado em um campo de concentração, às vésperas da capitulação do III Reich. Somente cinqüenta anos depois houve um meia culpa - que, mesmo assim dividiu os cristãos - quando muitas igrejas e líderes pediram perdão, publicamente, pelos seus atos de omissão enquanto Hitler "cuspia fogo" pelo espinheiro do nazismo.

A sociedade consumista, permissiva e egoísta que nos envolve já invadiu o arraial do povo de Deus. De tempos em tempos, vemos que a unção de líderes é comprometida pelas alianças indevidas; que a espiritualidade dos cristãos não é suficiente para evitar a corrupção de pastores, empresários, políticos e outros que se dizem cristãos. Os valores da vida cristã parecem não resistir à sedução de aceitarmos um confortável lugar de reconhecimento na sociedade. Honestidade, pureza sexual, fidelidade ao cônjuge, piedade em relação aos pobres e desafortunados, uso das nossas riquezas em prol da evangelização, amor à vida destruída pelo aborto, compartilhar bênçãos e valores - tudo isto tem deixado de ser o alvo das nossas escolhas. A conformação ao mundo remove a perseguição e a acusação de sermos legalistas, moralistas, radicais.

Mais poder, mais riqueza, mais fama tem substituído a prioridade de unção, espiritualidade e valores. Como conseqüência, o envolvimento na política pode correr o risco de ser, não uma empreitada de "iluminar" ou "salinizar" o mundo, mas uma verdadeira contaminação do povo de Deus e da Igreja. Mas não precisa ser assim.

Se um cristão, um líder ou denominação advoga um não-envolvimento, que avaliem até que ponto tal ato será uma omissão que acaba contribuindo para consolidar o poder do espinheiro. Por outro lado, se um cristão, um líder ou uma denominação defendem e participam politicamente, seu maior desafios são permanecerem fiéis ao chamado profético de influenciar, em lugar de serem influenciado. De serem luz, em lugar de trevas. De fornecerem saber, em vez de serem pisados pelos homens.

Testemunho e martírio


Para ambos - tanto para o que se envolve, quanto para o que não se envolve - a questão maior sempre será evitar o laço de rejeitar o governo pessoal de Deus sobre as suas próprias vidas. Os governos humanos e os poderes invisíveis são sempre passageiros - por mais que exerçam seus domínios por algum tempo.

Em tempos de aparente paz, a nossa luz é denominada "testemunho". Em tempos de perseguição, a palavra é "martírio". Ambas têm o mesmo sentido original, no Novo Testamento. João, o batista, pagou com o preço da sua vida, quando sua pregação denunciou as trevas que haviam se abatido sobre o trono de Israel. Seu anúncio do Messias era, ao mesmo tempo, denúncia da impiedade e da pecaminosidade do rei Herodes, o tetrarca. O testemunho de João foi o seu martírio, para obedecer a Deus, resistiu ao poder do rei.

Todas as autoridades estão debaixo do governo de Deus. Por este motivo, aumenta a nossa responsabilidade das "oliveiras", "figueiras" e "videiras" no processo de escolha na sociedade. Nossa omissão pode ceder lugar ao espinheiro. Mas, em cada geração, a principal escolha é sempre escolher o que não nos afaste de Deus. Eis o grande desafio.

Campinas
Pr. Márcio Nogueira
marcio@ifcc.org.br

Fonte http://estudosbiblicos.spaceblog.com.br