terça-feira, 10 de agosto de 2010

Entrevista Exclusiva: Cacau fala sobre o novo CD do Rap Sensation (não na terra do sim) "só sou uma pequena placa na estrada indicando O Caminho..."



"Suba o Primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas de o primeiro passo."
Martin Luther King


finalizei o bate-papo em forma de entrevista com o Cacau (Rap Sensation), algumas vezes pelo MSN e outras por e-mail.

Passei alguns dias pensando em um texto de abertura com aquele cunho jornalístico, valorizando as idéias e resumindo de forma interessante as 10 perguntas que, a meu ver, transcendem meras linhas e passam a ditar a nova era do RapGospel aqui no Brasil. Esforcei-me ao máximo e privo pela imparcialidade, pois o tenho não só como amigo e irmão em Cristo; o tenho como exemplo de vida e nesse caso fica quase impossível não ser tendencioso em minhas indagações.

Como não sou jornalista, e nem bom escritor (RS), escolhi a frase de Martin Luther King, pois acho que resume bem as linhas que vêem a seguir...



1 – aice man: Por que o titulo do CD é “Não na terra do Sim”?

Cacau RS: Vendo toda a evolução humana na questão da ciência, inteligência, tecnologia e modernização de tudo, as grandes metrópoles, internet e etc. Com tudo isso vem a busca incansável por ter, poder e ser, nisso cresce a ganância, inveja, desonestidade, engano, a começar do fato no Jardim do Éden, a serpente dizendo pra Eva; “Sim” você pode comer da árvore do conhecimento do bem e do mal que Deus disse; “Não” você não pode comer! Enfim o homem regrediu na questão ética e moral.
Com os sentimentos esfriando a cada dia, em que as coisas tem mais valor que as pessoas, a polícia vira ladrão, a lei virou um fora da lei, os bons se calando e os maus gritando, a criatura quer virar o Criador... Vi uma inversão de valores muito grande na grande parte das pessoas. Com tudo isso veio minha indignação e disse; Eu preciso falar sobre isso, e escrevi a música. Minha intenção é alertar as pessoas através do privilégio que Deus me deu, só sou uma pequena placa na estrada indicando O Caminho, elas é quem decidem andar Nele, dizendo; Sim ou Não na terra do Sim.


2 – aice man: Conte como foi o processo de produção do CD e a composição das Letras.

Cacau RS: Primeiro escolhendo e abordando com cuidado os temas diferentes e escrevendo com cautela e muito carinho as letras.

A parte musical e de estúdio já foi mais complicada, impedimentos, contra tempos, dificuldade e uma batalha dura contra o nosso inimigo, mais com muita persistência, perseverança, foco, comunhão entre nós do grupo, muita fé em Deus concluímos o CD em 4 árduos anos. Estamos muito felizes por isso, nós conseguimos!

3 - aice man: Após alguns anos no Evangelho e trabalhando o cd “Qué Colá?” obviamente vocês amadureceram sendo notável a evolução espiritual e musical da banda. O que vocês aprenderam nessa jornada e como você vê o cenário gospel hoje?

Cacau RS: Com o passar do tempo normalmente o ser humano evolui pela experiência de vida, pela idade, conhecimento e com o dia-dia. É simples, um mecânico quando conserta o seu primeiro carro, terá menos habilidade do que com alguns anos de experiência na mesma função com dedicação, assim aconteceu com a gente, fora a experiência de 4 CDs que tínhamos no secular que ajudou muito na confecção do Qué colá? Assim sendo, miramos e creio que acertamos no alvo que miramos, a experiência foi meio caminho andado.

Quanto ao cenário gospel, vejo muitos músicos, cantores, rappers, pregadores e pastores, tentando acertar o alvo “ IDE ” e errando muito na mira, uns por conhecer e negligenciar a palavra e outros por não conhecerem a palavra disponível e acessível a todos.

Também os de dentro (crentes) querendo sair, e os de fora querendo entrar, e como entram os de fora se os de dentro saem? Somente pela misericórdia e graça de Deus mesmo!

No caso do rap que é a minha área, vejo os rappers tirando o significado do ritimo e poesia e só deixando o ritimo, achando que poesia é só pra poeta, e não para um poeta rapper.

Fora a exclusão da palavra de Deus nas musicas e hipocrisia de não viverem o que cantam ou pregam em suas letras. Mais oro pela conversão dos de dentro do cenário gospel e aos de fora!

4 – aice man: Trocando idéia com o Nino (quando ele foi participar de uma musica minha) ele me disse que você participou em dezenas de trabalhos de rap gospel este ano. Isto se deu a vasta bagagem que você tem no rap? Ou foi pelo testemunho de vida, hoje vivendo a palavra de Deus? Comente.

Cacau RS: Não fiz participações só em musicas ou grupos de rap, participei rimando em várias bandas de Black, Soul, e Pop também.

Talvez os convites se deu por que viram mais do que a rima e a bagagem em mim, viram Deus, e Ele falou por mim, muitas vezes a experiência ou a bagagem que alguém tem não conta tanto pra os que valorizam valores, quando não é só por interesse, acho que um Cd feito por cada um é muito pessoal pra chamar uma pessoa que não conhece direito pra participar só por bagagem ou por experiência e sim por que Deus anda com o experiente.
"Será que preciso dizer como me vejo???
5 - aice man: O CD é repleto de temas do cotidiano como: O som que fala do motoboy, a vida de um homem de 80 anos, viver em um mundo de aluguel etc. Mas, percebi que tem raízes profundas na teologia, analogias entre o velho e novo testamentos, a pessoa de Cristo e sua divindade, o pecado do mundo e como persistir na fé para salvação e muitas outras referencias bíblicas... Vocês estudam a bíblia diariamente? Comente como foi possível escrever letras simples para o povão entender e tão complexas ao ponto de igrejas convidarem você para pregar?

Cacau RS: Vou dizer por mim, mais cada um do grupo tem a sua intimidade com a palavra, amo profundamente a palavra de Deus e a estudo muito, aí junta a fome com a vontade de comer e já sabe no que da né?

Só precisei com muita atenção e ajuda do Pai, ser profundo na reflexão com um fácil entendimento, não deixando o som ficar religioso e sim de Deus!

Não penso em atingir um público só e sim públicos, desde o moto boy até as pessoas idosas, quando vejo os crentes falando do ide, só falam e não fazem, atingem somente um público restrito e as vezes levam o remédio aos sãos, querem libertar os livres e levar alegria aos felizes.

Quando vejo Jesus dizendo; IDE E PREGAI... entendo que eu preciso que ouçam a voz Dele através de mim além do nosso quintal, por isso, os de fora também precisam escutar e com mais urgência, antes que satanás os matam e percamos a oportunidade e privilegio do ide. E o Senhor nos chamou de pescadores não de peixeiros!

As vezes recebo convites pra pregar e aceito com muita felicidade, aí a minha experiência de 23 anos no rap não vale de nada , e se eu não tenho intimidade com a palavra e com o Dono dela, estou só e não sai nada de Deus da minha boca, só de mim mesmo!

Aí prefiro contar com a soberania da Trindade augusta, do que dos meu 35 farrapados anos de idade.

Muitos pastores e lideres de muitas igrejas, precisam entender que existem homens de Deus e grandes pregadores da palavra no rap, mais não são todos. Orem por nós ao invés de nos julgar só por que cantamos rap, que aliás, o rap Brasileiro é o melhor rap do mundo!


6 – aice man: Como você se vê hoje? Sendo um pai de família com uma esposa abençoada trabalhando secularmente, mas com o coração voltado para a obra. Quais são as bênçãos e desafios de ministrar o Evangelho através do rap?

Cacau RS: Sim, tenho o privilegio de ser marido de uma esposa inacreditavelmente maravilhosa que também me deu 2 filhos lindos. Será que preciso dizer como me vejo???

Tenho meu trabalho independente do rap e desde o secular nunca fiquei esperando valores financeiros dele, apesar de acreditar, mais o que sempre esperei de verdade do rap é valores que não tem preço , como por exemplo, uma vida que queria se matar e resolveu viver por ouvir um rap meu.

Essa é a maior benção que eu recebi de Deus, ter o privilégio de fazer o que anjos, Arcanjos, Serafins e Querubins não fazem, que é pregar a palavra de Deus através do rap ou não.

E o meu maior desafio é me vencer e me superar sempre, ser um melhor cristão amanhã do que hoje, ser um melhor marido, pai, cidadão, rapper, compositor, pregador, etc... a lei e o governo vem pela razão e sendo um líder as vezes por ser muito mais emocional, sofro com as minhas atitudes emocionais por não ser mais racional do que devo, os de coração mole sofrem mais que todos! Mais to no caminho, tô aprendendo.

7 - aice man: Boa parte da Igreja hoje em dia aceita o rap em seus templos, O Rap Sensation tem viajado por todas as regiões da capital, interior e fora do Estado. O que os Pastores e lideres tem buscado nas bandas de rap? Comente.

Cacau RS:O rap tem sido mais aceito sim, talvez por conta dos resgates que Deus tem feito através do estilo musical e muitos entenderam quão poderosa é essa ferramenta nas mãos de Deus.

Ainda não são todos, mais muitos tem buscado uma parceria de fé, como membros de um mesmo corpo, os olhos precisando do ouvido, o ouvido contando com a ajuda das mão, as mãos ajudando os braços, os pés pisando com a cooperação das pernas e o Cabeça comandando todo o corpo “ Cristo ”, tenta imaginar um corpo sem os membros? Ou um corpo feito de um só membro? Melhor serem 2 do que 1, melhor serem 1000 diferentes do que 10 iguais ...

8 – aice man: CD muito bem produzido e recentemente o vídeo clipe da faixa “Meus 80”. Trabalho para qualquer Big gravadora lançar e distribuir. Por que independente?

Cacau RS: Nesse caso, a independência te da liberdade pra fazer o que quiser com o talento que Deus te deu, por que em muitos casos as gravadoras interferem muito no seu repertorio musical, as vezes limitam os lugares e shows que tem que tocar, contratos e regras que as vezes não concordo.

Mais por um outro lado temos limitações de financeiras que as vezes impedem que nossas vozes vá mais longe, mais isso esta acabando, no mínimos Deus nos ensina através das formigas, trabalho em silêncio, com consistência e persistência elas chegam no objetivo!

9 – aice man: O qual é o propósito desde abençoado trabalho? E quais os resultados esperados?

Cacau RS: Como diz o meu irmão Paulo; Deus faz infinitamente mais do que aquilo que pedimos e pensamos...

Os resultados já ultrapassaram os esperados, que foi o de mexer os corações a não só corpos.

Estamos satisfeitos até agora, mais como sei que Deus fará além, to preparado pra fazer aquilo que Ele quiser que eu faça.

A chave é se preparar pra receber o que vier da vertical pra lançar na horizontal, mais estamos tranqüilos e preparados!


10 - aice man: Espaço livre para comentar algo que não foi mencionado e deixar contato CD´s e Eventos.
Cacau RS:Obrigado Aice, pela confiança de me permitir falar através do deu blog, beijo no coração irmão.

Ta tranqüilo, falei tudo que quis. Mais convido à todos a ouvir uma faixa no final do nosso novo CD “ Eu Continuo...” que creio que existe mais coisar contidas ali que resume bem o meu desabafo e propósito.

Deus abençoe!

A paz do Senhor Jesus.

http://www.rapsensation.com.br/

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Bíblia Sagrada



A palavra grega Bíblia, em plural, deriva do grego bíblos ou bíblion (βίβλιον) que significa "rolo" ou "livro". Bíblion, no caso nominativo plural, assume a forma bíblia, significando "livros". No latim medieval, biblìa é usado como uma palavra singular — uma colecção de livros ou "a Bíblia".

Foi São Jerónimo, tradutor da Vulgata Latina, que chamou pela primeira vez ao conjunto dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento de "Biblioteca Divina". A Bíblia é uma coleção de livros catalogados, considerados por diversas religiões cristãs como divinamente inspirados. É sinónimo de "Escrituras Sagradas" e "Palavra de Deus".
Os livros bíblicos considerados canônicos pela Igreja Católica Apostólica Romana são ao todo 73 livros, sendo 46 livros do antigo testamento e 27 do Novo. A Bíblia Católica contém 7 livros a mais no Antigo Testamento do que outras traduções bíblicas usadas pelas religiões cristãs não-católicas e pelo Judaísmo. Esses livros são chamados pela Igreja Católica de deuterocanónicos ou livros do "segundo Cânon".

A lista dos livros deuterocanónicos é a seguinte: Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (Ben Sira ou Sirácida) e Baruque. Além disso, ela possui alguns trechos a mais em alguns livros protocanônicos (ou livros do "primeiro Cânon") de Ester e Daniel. Outras denominações religiosas consideraram estes livros deuterocanônicos como apócrifos, ou seja, livros ou escritos que carecem de inspiração divina, reconhecendo, porém, o valor histórico dos livros dos Macabeus.

cafetorah

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Gente Cansada de Igreja

Israel Belo de Azevedo

Não sinto vontade de ir à igreja! Muitas pessoas me decepcionaram. Estou dando um tempo! O que leva tanta gente a desistir do convívio em uma comunidade cristã? Por que sempre encontramos alguém que deixou de ir à igreja por alguma decepção que sofreu? Em Gente cansada de igreja o autor nos mostra os caminhos para sair do desanimo e superar os fatores que contribuem para o cansaço e nos levando a entender a importância e o prazer de viver em comunidade - pocket book

Leia o 1º capitulo

O aitolá dos ateus

Richard Dawkins é o líder de uma nova cruzada, desta vez contra Deus.

por Texto Barbara Axt


João reza todos os dias a uma chaleira de porcelana que está no céu, em órbita entre a Terra e Marte. Ele só namora moças que também acreditam na Chaleira e nunca usa camisetas verdes, pois isso é uma grande ofensa à Toda-Poderosa.

Renato, vizinho de João, acredita que o mundo foi criado por um gigantesco monstro voador feito de espaguete. Todo mês se encontra com um grupo de espagueteiros para cantar músicas sobre como o Monstro é bacana. Um belo dia, depois do café-da-manhã (sem pão, pois sua religião proíbe comidas feitas com farinha), Renato veste uma camiseta verde e sai para trabalhar.

Ao encontrar com ele, João fica muito chateado com sua roupa. Renato fica meio sem graça, afinal ele não é um seguidor da Grande Chaleira, e sim do Monstro de Espaguete. Mas promete que vai usar sua camiseta verde menos vezes.

Parece loucura? É mais ou menos assim que o zoólogo Richard Dawkins vê o mundo, com pessoas seguindo reli­giões cegamente, obedecendo a regras sem sentido e acreditando em deuses e milagres sem ter evidência nenhuma.

Para expor esse ponto de vista o cientista inglês, professor de compreensão pública da ciência na Universidade de Oxford, publicou no final de 2006 Deus, um Delírio. O livro, que chega este mês às livrarias brasileiras, é um grande manifesto ateu – mas, ironicamente, acabou se tornando um presente de Natal bem popular em países de língua inglesa. Nele,­ Daw­kins afirma que as religiões não são só coisas sem sentido, como monstros de espaguete voadores. Elas também são altamente prejudiciais à sociedade.

“Meu grande sonho é a completa destruição de todas as religiões do mundo”, dispara, com sua voz tranqüila, depois de dois minutos de entrevista. A Super conversou com o cientista em sua confortável casa de tijolinhos na cidade inglesa de Oxford onde, sentado no sofá e vestido como um perfeito inglês, de paletó, camisa social e colete de lã, ele completou o raciocínio: “Mas eu sei que isso é ambicioso demais. Na verdade, eu quero atingir as pessoas que estão em cima do muro. Pensando no assunto, talvez elas percebam que não são religiosas”.

Radical ateu

Dawkins é considerado um dos mais importantes intelectuais do mundo e um dos mais famosos divulgadores de assuntos científicos. Ele já publicou 8 livros, que venderam centenas de milhares de cópias e foram traduzidos em mais de 25 línguas, começando pelo best seller O Gene Egoísta, de 1976. O livro revolucionou a área de biologia evolutiva ao explicar a Teoria da Evolução de Darwin pelo ponto de vista dos genes. De acordo com sua perspectiva, a seleção natural não favorece os organismos mais adaptados à sobrevivência, mas, sim, os genes mais eficientes em se multiplicar. Depois que Darwin provou que os seres humanos não foram criados à imagem e semelhança de Deus – eles evoluíram a partir de animais mais simples –, Dawkins tirou os animais, as plantas e os seres vivos em geral do papel de protagonistas da evolução, afirmando que nós não passamos de máquinas de sobrevivência projetadas pelos genes. Agora volta sua bateria para Deus.

A maior parte das religiões afirma que estamos sendo acompanhados de perto por um ser superior e que isso dá sentido à nossa vida. Uma imagem tão confortante quanto sem sentido, na opinião de Dawkins. “Existe um propósito na nossa existência, que é a propagação do DNA. Pode não parecer muito nobre, porque não é o tipo de objetivo que as pessoas procuram”, explicou em uma entrevista à BBC.

Criado em um lar anglicano, Dawkins descobriu que era ateu aos 17 anos, quando se convenceu de que a Teoria da Evolução de Darwin explicava o mundo muito melhor do que qualquer religião. Mas, só agora, aos 65 anos, decidiu se dedicar de corpo e alma (ops!) a uma cruzada pela ciência e contra o obscurantismo. Seu objetivo é combater o poder crescente das religiões como forças absolutas e inquestionáveis – cita como exemplos o fundamentalismo islâmico e o que ele chama de talibã cristão nos EUA. “Supostamente os EUA são um Estado desvinculado de religião, mas George W. Bush está levando o país na direção de uma teocracia, dizendo que fala com Deus e que Deus lhe disse para invadir o Iraque”, afirma. Para combater esse tipo de atitude, criou a Fundação Richard Dawkins para a Razão e a Ciência, que “tem como objetivo defender a ciência contra os ataques da ignorância organizada”, definição que inclui tanto os defensores do ensino de criacionismo quanto as pseudociências (astrologia, homeopatia, ufologia etc.). A fundação pretende financiar pesquisas sobre a psicologia das crenças, apoiar a educação científica e ajudar a divulgação de idéias racionais.

Ele é o primeiro a reconhecer que suas opiniões são polêmicas. “Se você colocar meu nome no Google, vai encontrar um equilíbrio: há coisas muito negativas escritas por gente religiosa e coisas muito positivas escritas por gente não religiosa”, se diverte. Ocorre que até entre os ateus existe gente que discorda de suas idéias, como o físico brasileiro Marcelo Gleiser. “Acho que o Dawkins escreveu um livro provocativo para polarizar ainda mais as tensões entre ciência e religião, o que é inútil”, reclama. “As pessoas se sentem ameaçadas pela ciência, achando que ela vai ‘matar’ os deuses. É essa distorção que os cientistas devem combater, e não a fé. A ciência não quer roubar Deus de ninguém”, diz Marcelo.

Bem, não é bem isso que Richard Dawkins pensa. Ele discorda radicalmente da posição liberal de ateus como o paleontólogo Stephen Jay Gould, que afirmava que religião e ciência são assuntos que não se misturam e podem coexistir em paz, cada um ocupando partes diferentes da vida (e da mente) humana. Para Dawkins, isso não passa de duplipensamento, a técnica descrita por George Orwell no livro 1984: acreditar em duas coisas conflitantes ao mesmo tempo. No caso, o Gênesis e a Teoria do Big-Bang.

Em sua opinião, essa posição conciliadora mais atrapalha do que ajuda. Quem não se opõe abertamente às religiões ajuda, com sua omissão, a fortalecer o poder que elas já têm. Ainda assim ele nega que seja um radical: “As pessoas acham isso porque já se acostumaram a falar de religião sempre pisando em ovos”, argumenta. “É possível questionar e discordar de alguém sobre economia, esporte ou qualquer outro assunto. Quando se trata de religião, é proibido falar qualquer coisa.”

Em termos: as religiões vêm, sim, sendo questionadas em vários livros sobre ateísmo lançados recentemente. Dawkins faz parte desse movimento, ao lado de pensadores como os americanos Daniel Dennett (autor de Quebrando o Encanto) e Sam Harris (autor de O Fim da Fé). Em sua casa é possível ver várias dessas obras, que são citadas em Deus, um Delírio, pelas estantes, em cima das mesas e até mesmo no banheiro.

Movimento dos sem-deus

O cientista compara a situação dos ateus hoje em dia com a dos homossexuais nos anos 50. Para mostrar o preconceito contra as pessoas sem religião, ele cita uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup em 1999. Segundo o levantamento, 95% dos americanos votariam em uma mulher para presidente, 92% em um negro ou judeu e 79% em um homossexual. Mas apenas 49% colocariam um ateu na Casa Branca. “Enquanto o número de judeus nos EUA é muito menor do que o de ateus, eles são muito mais poderosos, pois foram capazes de se organizar e criar lobbies políticos para defender seus interesses”, diz Dawkins. “Os ateus americanos, que são entre 20 milhões e 30 milhões, não fazem isso.”

Na verdade, é difícil até mesmo perceber que a quantidade é tão grande, porque muitos deles evitam manifestar publicamente sua ausência de crenças. “Muita gente veio me agradecer por ter escrito o que elas não tinham coragem de dizer”, se anima Dawkins. “Apesar de não ter escrito o livro pensando nessa conseqüência, agora eu acho que talvez a melhor coisa que ele pode fazer pelas pessoas é encorajá-las a sair do armário.”

Ao que parece, a porta do armário foi arrombada: uma pesquisa feita em 2006 pela companhia Harris Interactive mostra que menos da metade dos ingleses, dos alemães e dos espanhóis crêem em Deus ou em algum tipo de ser supremo. Na França, são apenas 27% da população. No Brasil os números ainda são bem diferentes, mas dá para perceber que alguma coisa está ocorrendo (apesar de o questionário do IBGE não incluir a opção “ateu”). No censo de 1991, o número de pessoas que disse não ter religião foi de 4,7%. Já em 2000 esse percentual foi de 7,4%.

Para Richard Dawkins, a pior coisa das religiões é a idéia de fé. A simples idéia de acreditar em algo que não pode ser provado é capaz de tirá-lo do sério – o que significa, para um britânico tão educado, levantar uma das sobrancelhas. “Fé é algo em que você acredita sem evidência. Pior: quanto mais absurdo o artigo de fé, mais virtuoso é o fato de se acreditar nele.” Dawkins crê que a aceitação de dogmas pode levar a sérios problemas. “Disputas entre crenças incompatíveis não podem ser resolvidas com argumentos racionais”, disse à revista online americana Salon. “Cientistas discordam entre si usando fatos e evidências para decidir quem está certo. Mas é impossível argumentar racionalmente se você simplesmente sabe que o seu livro sagrado contém a verdade absoluta dita por Deus, e a pessoa do outro lado pensa a mesma coisa sobre o próprio livro. Não surpreende que, ao longo da história, fanáticos religiosos tenham lançado mão de torturas, execuções, cruzadas, jihads e guerras santas.”

O teólogo e químico Alistair McGrath, que também é professor em Oxford, está lançando um livro em resposta a Deus, um Delírio, com o título de The Dawkins Delusion (“O Delírio de Dawkins”, sem tradução para o português). McGrath, um ex-ateu que se tornou religioso, acha que o colega apresenta as religiões de uma forma injusta. “Dawkins defende seus argumentos representando o cristianismo da pior maneira possível.” E provoca: “Concordo com Dawkins que é muito perigoso acreditar em alguma coisa sem investigar por conta própria. Mas acho que essa atitude de checar por si mesmo deve ser usada tanto para as religiões quanto para o próprio ateísmo”. Ainda que um consenso não esteja à vista, os dois têm opiniões muito parecidas em assuntos fundamentais: ambos apóiam a separação entre Estado e religião e são contra o ensino de criacionismo nas escolas, entre outras coisas.

“Acredito que é possível ter uma atitude crítica em relação às religiões. Eu costumo perguntar a alguns amigos muçulmanos onde no Alcorão está escrito que a violência, especialmente o terrorismo, é encorajada. E ninguém me responde, porque não existem esses trechos que legitimam a violência”, observa McGrath. “É essencial questionar o porquê das coisas, afinal a capacidade de fazer perguntas é muito importante para tornar o mundo um lugar mais seguro.” Uma opinião que não poderia gerar nenhuma reclamação do próprio Dawkins.

O plano assassino

Quando perguntado como poderíamos acabar com as religiões do mundo, a resposta de Richard Daw­kins é bem clara: dando uma boa educação a todo mundo. Ele explica que o número de pessoas praticantes de religiões entre os mais educados é menor do que entre os menos educados. E cita uma pesquisa publicada pela revista Nature, mostrando que, entre os cientistas da Academia de Ciências dos EUA, mais de 90% são ateus ou agnósticos e apenas 7% acreditam em Deus.

“É importante ensinar que pensar é uma coisa boa, virtuosa. Todas as crianças deveriam ser estimuladas a pensar. E elas também não deveriam seguir automaticamente a religião de seus pais”, afirma. Ele acredita que as crianças deveriam crescer conhecendo um pouco de cada religião, inclusive sabendo que é possível não escolher nenhuma. E depois de crescidas escolherem que caminho tomar. “Não se deve atribuir automaticamente a religião dos pais a uma criança. Expressões como ‘criança católica’ ou ‘criança muçulmana’ deveriam nos dar arrepios. Ninguém fala em crianças marxistas ou neoliberais, por que com as religiões deveria ser diferente?”

Ou seja, o cruzado antideus é na verdade um defensor do conhecimento e da liberdade de escolha – além de um inveterado polemista. Radicalismos à parte, seu discurso prega que uma dose de bom senso melhoraria muito a situação. O ponto nevrálgico da causa de Dawkins é a adoção de uma separação real entre Estado e religião – isso significa a exclusão dos dogmas e pressões de religiosos na implementação de leis que regulam assuntos como aborto e homossexualismo, por exemplo.

Mas, no final das contas, se todo mundo tivesse acesso à educação, não se deixasse levar por fundamentalismos religiosos nem se metesse na maneira como os outros vivem sua própria vida, talvez não fizesse mais a mínima diferença se uma pessoa acredita em Maomé, numa chaleira sagrada, num monstro de espaguete ou em nada.

ATEÍSMO PARA PRINCIPIANTES

Como boa parte do pensamento ocidental, o ateísmo tem suas raízes na Grécia antiga. Mais exatamente nos filósofos materialistas, que só acreditavam na existência daquilo que pudesse ser percebido pelos sentidos (visão, olfato, tato etc.). O primeiro ateu célebre da história foi o filósofo Epicuro, que afirmou não acreditar na existência de Deus nem na vida após a morte. Séculos depois, suas idéias foram difundidas em Roma pelo poeta Lucrécio. A discussão morreu depois da queda do Império Romano, já que na Idade Média questionar a existência de Deus era suficiente para levar uma pessoa para a fogueira. O assunto voltou a público lá pelo século 16, quando surgiu o conceito de deísmo – a crença em um Deus, mas não em uma religião. Foi a deixa para que as pessoas começassem a questionar as religiões. Textos da Antiguidade Clássica foram resgatados e alguns filósofos, como Thomas Hobbes, foram preparando o terreno para o crescimento do ateísmo como o conhecemos hoje.

Esse novo pensamento possibilitou o surgimento dos Estados laicos (em que governo e religião são separados), como o francês. No final do século 19, havia uma crença disseminada de que um dia a ciência explicaria tudo no mundo e ninguém mais precisaria de religião. O filósofo alemão Nietzsche disse “Deus está morto”. Hoje já sabemos que matar Deus não é tão fácil e que as verdades científicas não fazem necessariamente as pessoas deixar de lado suas idéias religiosas. Apesar disso, o que não falta é gente tentando juntar ciência e religião “na marra”, como os defensores do design inteligente, que nada mais é do que o velho criacionismo vestido de ciência.

Para saber mais
Deus, um Delírio

Richard Dawkins, Companhia das Letras, 2007.

Quebrando o Encanto

Daniel Dennett, Globo, 2006.

O Fim da Fé

Sam Harris, Tinta da China, Portugal, 2007.