segunda-feira, 16 de julho de 2012

Gustavo Gutiérrez, o pai da teologia da libertação



Ele é um dos teólogos mais importantes do século XX. O dominicano peruano explica por que consagrou sua vida ao reencontro de Deus e dos pobres.
A reportagem é de Martine De Sauto, publicada no jornal La Croix, 24-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele avançou um pouco cansado, apoiou na mesa a sua bengala preta que ele nunca abandona, e se sentou. De passagem por Paris, por ocasião do 50º aniversário do Comitê Episcopal França-América Latina (Cefal)Gustavo Gutiérrez, considerado o "pai" da teologia da libertação, já se encontrou com missionários, estudantes e professores do Institut Catholique de Paris, responsáveis peloSecours Catholique, parceiro do CCFD [Comitê Católico contra a Fome e pelo Desenvolvimento].

Na manhã do dia 24, na sala da casa provincial dos sulpicianos onde ele se hospedava, ele evocou de novo aquela teologia que marcou profundamente a Igreja latino-americana. Falar de si mesmo não é um de seus hábitos. Mas, nessa manhã em que a primavera [europeia] clareava as velhas paredes da sala, esse pequeno homem, simples, amável, aceitava fazer o relato da sua vida. O encontro durou quase três horas. Também poderia ter continuado. Gustavo Gutiérrez não estava mais cansado.

Ele nasceu em Lima, no Peru. Com apenas 12, por causa de uma osteomielite, ficou preso à cama durante vários anos. "Não havia antibióticos. Eu era aluno dos Irmãos Maristas. Tive que abandonar a escola". Estudava em casa, jogava xadrez, lia. "Meu pai era um grande leitor", lembra. "Seguramente, ele me influenciou. Dele também herdei o senso de humor, que ele sempre mostrava, apesar das nossas dificuldades".

Aos 15 anos, descobriu Pascal, que o marcou permanentemente. E, pouco tempo depois, a História de Cristo, deGiovanni Papini, que o tocou profundamente. Interessou-se também por filosofia e psicologia através dos escritos deKarl Jaspers e de Honorio Delgado. O desejo de se tornar padre, que ele tivera no início da doença, o deixara. No entanto, entrou aos 14 anos na Ordem Terceira Franciscana. "A pobreza já estava presente na minha vida de filho de família modesta, marginalizado pela doença, e nas minhas escolhas", observa.

Aos 18 anos, pôde finalmente ir para a universidade estudar medicina (com o desejo de se tornar psiquiatra) e filosofia. "Membro do movimento universitário católico, eu participava ativamente da vida política da universidade", lembra. "Foi então que ouvi na minha vida perguntas que questionavam a minha fé. Aos 24 anos, eu escolhi me tornar padre. O bispo de Lima, considerando-me muito velho para o seminário, me mandou para a Europa".

Em Leuven, aprendeu francês, escreveu uma tese sobre Como Freud chegou à noção de conflito psíquico. Depois, se transferiu para Lyon para estudar teologia. "Era um período difícil na Igreja francesa, mas muito rico", diz, "que me permitiu encontrar Albert Gelin (cujos trabalhos sobre os 'Pobres de Javé' orientaram as minhas pesquisas), Gustave Martelet e dominicanos (como Marie-Dominique ChenuChristian Duquoc... e também aqueles da minha geração, como Claude Geffré). Muitos anos depois, quando eu tomaria a decisão de entrar na Ordem dos Pregadores, um dos meus amigos de então, padre Edward Schillebeeckx, dominicano flamengo, me escreveria uma carta que começava assim: 'Finalmente!'".

Viver em solidariedade com os pobres

Enquanto isso, ordenado sacerdote, Gustavo Gutiérrez voltou ao Peru. Nomeado a uma paróquia do bairro pobre deRimac, em Lima, e capelão dos movimentos cristãos, ele se dedicou ao seu trabalho pastoral, dando aulas também na universidade católica. Mas já havia um problema que o atormentava: como dizer ao pobre que Deus o ama?

Em maio de 1967, dois anos depois do Concílio, do qual participou, ele abordará essa questão diante dos estudantes da Universidade de Montreal, distinguindo pela primeira vez três dimensões da pobreza. A pobreza real de todos os dias: "Ela não é uma fatalidade", explica, "mas sim uma injustiça". A pobreza espiritual: "Sinônimo de infância espiritual, consiste em colocar a própria vida nas mãos de Deus". A pobreza como compromisso: "Ela leva a viver em solidariedade com os pobres, a lutar com eles contra a pobreza, a anunciar o Evangelho a partir deles".

Para explicar a ideia, ele se concede um pouco mais de tempo, atento a não pular alguma etapa. "No ano seguinte, eu ainda tinha que dar uma conferência em Chimbote, no Peru. Haviam-me pedido para falar sobre a teologia do desenvolvimento. Expliquei que uma teologia da libertação era mais apropriada". Essa linguagem teológica, que leva em consideração o sofrimento dos pobres, inspiraria os bispos reunidos em Medellín (Colômbia) para a segundaConferência do Episcopado Latino-americano (Celam).

Nasce a teologia da libertação

Em maio de 1969, Gustavo Gutiérrez foi para o Brasil, que vivia então as horas mais escuras da ditadura militar. Ali encontrou estudantes, militantes da Ação Católica, padres cujo testemunho enriqueceriam a sua reflexão que desembocou na sua obra fundamental: Teologia da Libertação. "Antes do Concílio", especifica, "João XXIII havia anunciado: a Igreja é e quer ser a Igreja de todos, e particularmente a Igreja dos pobres". Os padres conciliares, preocupados com o problema da abertura ao mundo moderno, esqueceram-no um pouco. Na América Latina, essa intuição foi retomada. Os pobres começavam a se fazer sentir. "Muitos de nós víamos neles um sinal dos tempos que era preciso perscrutar, como pede a constituição Gaudium et Spes. Por causa da minha idade, da minha presença no Concílio e em Medellín, eu é que fiz um trabalho de teólogo. Mas poderia ter sido outro".

A libertação da qual Gustavo Gutiérrez fala não é um programa político. Ela se situa em três níveis que se cruzam. O nível econômico: é preciso combater as causas das situações injustas. O nível do ser humano: não basta mudar as estruturas, é preciso mudar o ser humano. O nível mais profundo, teologal: é preciso se libertar do pecado, que é a recusa de amar a Deus e ao próximo. 

Quanto à teologia, ela é o meio para fazem com que o compromisso com os pobres seja uma tarefa evangélica de libertação, uma resposta aos desafios que a pobreza coloca diante da linguagem sobre Deus. Essa teologia se revela contagiosa. Nos Estados Unidos, na minoria negra, na África, na Ásia, teologias desses "terceiros mundos" se despertam, impulsionadas por um novo fôlego.

Uma vida pelos pobres
Mas essa teologia também se choca com oposições. As mais violentas vêm dos poderes econômicos, políticos e militares da América Latina, assim como nos EUA. Mas também vêm de católicos que a acusam de fazer referência, ao analisar certos aspectos da pobreza, à teoria da dependência, que usava noções provenientes da análise marxistas. 

Na conferência do Celam em Puebla (1979), que confirma a visão de Medellín e fala da "opção preferencial pelos pobres", manifestam-se resistências também dentro da Igreja latino-americana. "Medellín", reconhece Gustavo Gutiérrez, "foi uma voz muito profética que provocou compromisso e resistências. Mas quando uma Igreja é capaz de ter entre os seus membros pessoas que dão a sua vida pelos pobres, como Dom Oscar Romero e muitos outros, há algo de importante que acontece nessa Igreja".

A teologia da libertação também sofreria por causa das posições do Vaticano. Em 1984, ela foi severamente criticada pela Congregação para a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Ratzinger era então prefeito. Gustavo Gutiérrez, assim como outros, teria que dar explicações. Em 2004, ao término de um processo de "diálogo" de 20 anos, o mestre daOrdem dos Dominicanos recebeu uma carta em que o cardeal Ratzinger "rende graças ao Altíssimo pela satisfatória conclusão desse caminho de esclarecimento e aprofundamento".

"Durante aqueles anos, eu podia, mesmo assim, pregar o Evangelho na minha paróquia", conta Gustavo Gutiérrez, que se dedicava naquela época às suas pesquisas sobre Bartolomeu de Las Casas – "um gênio espiritual", diz, "que soube ver no índio o pobre segundo o evangelho" –, continuando a sua obra teológica e acompanhando de perto "a nova presença das mulheres, depois dos índios, na cena da história, do pensamento, da que estavam ausentes".

Teologia como poesia

Hoje, ele reside no convento dos dominicanos de Lima. Divide o seu tempo entre o seu trabalho pastoral, os retiros que prega, os cursos de teologia na Universidade de Notre Dame (IndianaEUA) e no Studium Dominicano de Lille(França). Mas, incansavelmente, ele continua a sua obra teológica, lendo muito, até mesmo poetas. "A poesia é a melhor linguagem do amor", confidencia. "Fazer teologia é também escrever uma carta de amor a Deus, à Igreja que eu sirvo e ao povo a que eu pertenço".

Atualmente, ele está terminando um livro dedicado à opção preferencial pelos pobres. "A teologia da libertação pode até desaparecer", afirma, "mas, se restar a preferência pelos pobres, nós teremos vencido algo importante, profundamente ligado à Revelação". Depois, acrescenta, com uma expressão de clara gravidade no rosto: "A pobreza e as suas consequências são sempre o grande desafio do nosso tempo na América Latina e em muitos outros lugares do mundo. Praticar a justiça, trabalhar pela libertação dos seres humanos é falar de Deus. É um ato de evangelização".

quinta-feira, 12 de julho de 2012

(Há um ano atrás) Primeira campanha ateísta do Brasil foi lançada em Porto Alegre

em 05/07/11 |


Milton Ribeiro e Vivian Virissimo



Porto Alegre se tornou na terça-feira (5) a primeira capital brasileira a exibir outdoors de uma campanha de mídia sobre ateísmo. A iniciativa foi da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos e já havia sido recusada no final de 2010 pelas companhias de ônibus de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.Outdoors foram instalados na terça-feira (05/07/2011) em Porto Alegre | Ramiro Furquim/Sul21
A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) havia anunciado em 13 de dezembro de 2010 que alguns ônibus de Porto Alegre ostentariam mensagens ateias, porém, segundo Daniel Sottomaior, a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) teria desistido da campanha na última hora.
“Fiquei sabendo pela imprensa que a ATP vetara a veiculação dos anúncios. Quando contatei com a Associação, ela primeiro confirmou o veto e depois passou a dizer qua nada ocorrera e que desconhecia o assunto”, afirmou Sottomaior ao Sul21.As peças são polêmicas e falam sobre fé, moralidade e ateísmo. Uma delas exibe as fotos de Charles Chaplin, que era ateu, e Adolf Hitler, que não era ateu, com os dizeres “religião não define caráter”. Outra afirma “Somos todos ateus com os deuses dos outros”, e traz imagens de uma divindade hindu, uma divindade egípcia e de Jesus de Nazaré, com as legendas “mito hindu”, “mito egípcio” e “mito palestino”. Uma terceira diz que “A fé não dá respostas, só impede perguntas”. Os cartazes foram exibidos ao longo de um mês."A fé não dá respostas, só impede perguntas", diz um dos cartazes | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Conforme pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, os ateus são as pessoas mais detestadas no país, merecendo repulsa, ódio ou antipatia de 42% da população. Para o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, o propósito da campanha é aproximar o ateísmo do dia-a-dia da sociedade e assim ajudar a diminuir o preconceito que existe contra ateus.
Em junho, a entidade ganhou uma liminar que lhe concedia direito de resposta na TV Bandeirantes para responder a comentários considerados ofensivos do jornalista José Luiz Datena, no extinto programa Brasil Urgente. A liminar foi cassada mas o julgamento do mérito continua pendente. Datena e a Bandeirantes foram processados por diversos ateus no país devido a esse episódio.
Na ocasião, Datena disse que só quem não acredita em Deus é capaz de cometer crimes. Para ele, ateus são “pessoas do mal”, “bandidos”, “estupradores”, “assassinos” e atribuiu a culpa da violência e da corrupção no país aos ateus.
Entre os dias 4 e 17 de julho estarão expostos dois outdoors. Os outdoors da segunda quinzena serão outros.
Os cartazes esteve nos seguintes locais de Porto Alegre.
Bairro Bela Vista – Av. Carlos Gomes, 1229Bairro Jardim Botânico – Av. Ipiranga, 3850 próx. Rua Barão do AmazonasBairro Chácara das Pedras – Av. Antônio Carlos Berta, em frente ao  Mc Donald’s do shopping IguatemiBairro Petrópolis – Av. Protásio Alves, em frente ao Hospital Petrópolis na esquina com a Lucas de Oliveira

fonte: sul21

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Religião ou Espiritualidade


Há centenas de religiões, cada uma se proclamando portadora da verdade e desqualificando as outras.
A espiritualidade é apenas uma, em exercício permanente e sem forma única.

A religião possui templos para louvores e adorações.
O templo da espiritualidade é o ser, o mundo, o universo.

A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que despertam.

A religião é para aqueles que necessitam de um código externo e precisam ser guiados.
A espiritualidade é para os que ouvem e praticam o embrião da consciência, a voz interior.

A religião é um conjunto de regras e dogmas, não admite questionamentos.
A espiritualidade te leva à reflexão, a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça, amedronta, impõe e cobra.
A espiritualidade procura, desenvolve, liga causas e conseqüência, serenamente.

A religião aponta pecados e declara culpas.
A espiritualidade aponta a ignorância e toma o sofrimento como ensinamento.

A religião reprime, condena e acusa.
A espiritualidade transcende, compreende e esclarece.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.

A religião determina formas.
A espiritualidade desenvolve conteúdos.

A religião não indaga, nem questiona.
A espiritualidade duvida, experimenta, observa e procura absorver..

A religião é crença.
A espiritualidade é busca.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é ligação e não tem regras.

A religião divide, secciona e discrimina.
A espiritualidade une, respeita e abraça.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade, você precisa buscá-la.

A religião necessita do (e determina o que é) sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado, em tudo.

A religião se alimenta do medo e da ignorância.
A espiritualidade se alimenta na busca e no desenvolvimento da consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com ser.

A religião ensina a evitar o mal por medo do castigo e fazer o bem por interesse na recompensa.
A espiritualidade ensina que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.

A religião é adoração e temor.
A espiritualidade é reflexão e amor.

A religião tortura o presente com os valores do passado, ameaçando com castigos no futuro.
A espiritualidade vive o presente, levando em conta as lições do passado, fazendo o plantio do futuro.

A religião condena e encarcera a natureza.
A espiritualidade desenvolve a consciência para tratar com a natureza.

A religião manda crer na vida eterna.
A espiritualidade nos permite viver a eternidade da vida.

A religião promete o encontro com Deus depois da morte.
A espiritualidade busca o encontro com Deus dentro de nós mesmos, a cada momento.

A religião determina e inquieta.
A espiritualidade desabrocha e aquieta.

Religião é tirania espiritual.
Espiritualidade é consciência existencial.

É isso mesmo? comente.

“Peguei ódio pelo rap, mas certo dia Deus me tocou…”, Dimenó-Alvos da Lei

Postado por Paula Farias em 29 de junho de 2012 ás 0:45


ARTE DO CD
O Portal Rap Nacional teve a honra de mais uma vez entrevistar um dos grandes rappers do Brasil, Dimenó- Alvos da Lei.
Nessa entrevista exclusiva, Dimenó fala sobre a sua conversão, e abre o coração de maneira nunca vista antes, desabafando sobre várias situações tristes e enganosas da qual já foi vitima ou já presenciou nos bastidores do rap nacional.
O rapper ainda anuncia o lançamento do novo disco do Alvos da Lei e disponibiliza uma faixa inédita já como rapper evangélico.
Leia a entrevista a seguir, se surpreenda  e deixe seu comentário.


Portal Rap Nacional: Como aconteceu a sua conversão, faz quanto tempo ?
Dimenó: Bom primeiramente é uma grande satisfação estar novamente somando com o Portal rap nacional.
Eu me converti no dia 20 de novembro de 2011. Mas de criança já frequentava a igreja Batista. Com quatro anos meu pai me perguntava e ai o que você vai ser quando crescer?  Eu respondia PROFETA de DEUS!!!! Como diria meu amigo Mano Brown as palavras não voltam vazias.
Resumindo, como a bíblia diz em Eclesiastes 3 “Há, para todas as coisas um tempo determinado por DEUS”, e comigo não foi diferente. Depois de ser evangelizado por Dudu Nascimento,Humdostais, Féx,Bido, Pastor Ton, Pastor Gilson,irmã fia[ex sogra],Mônica[rp],Pastor Antônio,minha esposa Silane, Reinaldo, Juntai,Cascão TSG, Pastor Adilson, Mano Reco e tantos outros nessa minha caminhada que já chega aos 34 anos.
E depois de estar frequentando a Comunidade Evangélica Partir do Pão a quase dois anos com minha esposa, teve seu desfecho numa noite no lançamento do cd do meu mano MW na igreja Pentecostal Vida com Abundancia, ouvindo meu irmão DG Discípulo Gil louvar ao senhor e vendo, participando de um amor intenso e uma enorme alegria que transbordava naquele templo, eu fui tomado pelo Espírito Santo que me abrasou, emfim amor não se explica se vive e tive a certeza que era o meu chamado.
P.R.N: O que muda na sua vida pessoal e profissional ?
Mudam muitas coisas. Os roles já não são mais os mesmos, os manos também não são mais os mesmos, principalmente por não ter mais vícios como bebidas alcoólicas, isso afastou muitas pessoas de mim.
Mas os verdadeiros continuam firmes comigo e vise versa. Hoje, consigo planejar um futuro pra mim e toda minha família, tenho mais paciência, sabedoria para tomar decisões. Meu cérebro esta trabalhando com mais razão e menos emoção. Hoje sou um verdadeiro marido, um bom pai e amigo do meu filho, tenho tempo pra eles coisa que antigamente não tinha, hoje mais do que nunca, sou um exemplo de homem para o Guilherme. No trabalho é só vitória, progresso nunca me senti tão realizado profissionalmente, hoje sei o que é viver de verdade.
P.R.N: Você agora está escrevendo músicas gospel ? Fale um pouco sobre essa nova forma de escrever como está sendo  a produção ?
Eu não escrevia uma música desde julho de 2011, fazia algumas apresentações meio que forçado, não existia mais prazer em cantar e compor. E após minha conversão enterrei esse don que DEUS tomei ódio pelo rap, não conseguia mais ouvir, só escutava Aline Barros ,Bruna Carla, Renascer Praise, Diante do Trono, Talles, Toque no Altar entre outros. Eu estava buscando somente a presença do Senhor, e por ter passado por vários bang loucos no rap e nunca ter sido um pai, um filho ou marido presente coloquei toda a culpa na música.
Mas depois de muita insistência dos manos, dos irmãos da igreja , mesmo eu falando que  iria parar. Então em fevereiro conversei com DEUS em pensamento e pedi que me desse uma resposta sobre essa questão,  e teria que vir da boca de alguém de fora da minha congregação. Conclusão em março veio à resposta de um pastor foi tremendo muito louco a confirmação “ABRE tua boca e louve ao Senhor chegou a tua resposta “, enfim não da para falar tudo foi muita ideia.
Um dia em casa de boa ouvindo um som, DEUS pegou na minha mão e novamente senti prazer em compor, DEUS ditava e eu escrevia e foi assim que o primeiro louvor surgiu “O Chamado”.
Bom à forma de escrever é a mesma o que muda é que em todas músicas  habita o senhor JESUS,todas são exaltando ao senhor,hoje posso indicar uma saída pros manos do crime ,das drogas e da prostituição.
O resgate que sempre sonhei em fazer desde 1990, está sendo realizado hoje na presença de DEUS. Muitas pessoas estão se convertendo através do meu testemunho na igreja, no meu trabalho e continuo acreditando no rap nacional. Pois foi o rap que me educou, me deu forças,  auto estima no passado, mas infelizmente hoje muitos daqueles que com suas músicas me fez ser forte, ouço da boca dos mesmos que ideologia é dinheiro no bolso.
Dizendo que sucesso é as nave [aparência], as mina novinha [pedofilia] os role de patrão[ilusão]  todo mundo feliz na rua, mas quando chega em casa mó solidão, sem amigo , casamento destruído, sem um qualquer no bolso, parede mofada, goteira no teto, alimentação escassa, conforto pra amante e nada pra mulher nem pros filhos.
Eu sei o que é isso sou exemplo vivo e sei que vários deles passam por isso, nada contra querer dinheiro, mas hoje vejo que a verdade a lealdade não tem mais tanta importância e aquela frase do Sabota rap é compromisso esta se perdendo. Nunca deixei de ser fã dos caras, fã do rap entendeu, mas DEUS deixou o livre arbítrio e tenho que orar por todos, pois um dia eu também vivi uma vida desregrada A.C.C.=Antes de Conhecer Cristo.
P.R.N: Tem previsão de sair um disco novo voltado pro lado religioso ?
Não gosto dessa fita religioso pois a religião afasta as pessoas, divide, prefiro dizer voltado pra DEUS, JESUS CRISTO pois ele não faz acepção de pessoas,ele uni a todos com amor!
P.R.N. Como está sua carreira seus projetos? Você acha que as pessoas dentro do rap continuarão te tratando da mesma forma?
Minha carreira é servir ao senhor JESUS, e está muito bem. Como meus irmãos do Estratagema de DEUS rima, “É uma questão de fé e não de lógica”.Meu vou falar pra você, se eles vão me tratar da mesma forma eu não sei, só sei que eu vou tratar todos com o maior respeito e amor pois “os que necessitam de médico não são os sãos mas sim os doentes” mat:cap.9 ver.12
P.R.N: Você é um grande rapper, excelente compositor, mas vive meio afastado dos grandes eventos , a que se deve isso ? Você sente alguma magoa dentro do rap?
Obrigado pelo elogio, mas eu não acho tenho muito que evoluir. Na verdade nunca fui incluído em muitos desses chamados grandes eventos, hoje sei que a boca abençoa e amaldiçoa desde o início eu e o GILMAR sempre dizia ” não fazemos rap por dinheiro e sim por amor, nós preocupamos em levar a mensagem pros manos e fazer com que eles entendam as ideias”.
E não era apenas musica sempre fomos envolvidos com ações comunitárias, então nunca me fez falta, pois os maiores eventos que fiz foi nos presídios, febém, na periferia nas favelas, em meio ao fogo cruzado assaltante versus polícia, onde os moleques não tem dinheiro pra comprar cd original, ir a eventos pagos,onde sonhavam em tirar uma foto pegar um autógrafo dos mano das mana,ou apenas ver de longe e saber que aqueles que eles ouviam na rádio eram reais.
Eu sei que muitos nunca fizeram isso já presenciei tanta fita louca, já ouvi mano dizendo nunca vou cantar na favela pois não tem cachê,vi um menino colar com a camiseta do grupo do mano e pedir pra ele um autógrafo e ser mau tratado sem um mínimo de atenção e quase que ao mesmo tempo esse mesmo mano atender uma mina semi nua e autografar os seios dela tirar foto trocar telefone,facebook ,orkut,twitter,nextel,tudo quanto é tipo de contato.
E o moleque vendo tudo,vi um mano chegar com um boné pra eu fazer uma tag, e um mano que tava entre nós que faz esse grandes eventos dizer pro mano “tá tirano não vou escrever nesse boné velho”, mas aquele boné era mó relíquia tinha autógrafo de vários do rap era um tesouro para aquele mano tá ligado,vi muita fita louca.
Falando a respeito de não estar muito envolvido ou nada envolvido (risos) é porque tem muita pilantragem pelo menos comigo,teve mano que veio me contratar e disse “bom quero fechar somente com você, deixe o A Fallange de fora” não aceitei e fiquei de fora também (risos),outro disse que eu não tava envolvido por falta de público.
É teve várias situações, por exemplo eu me neguei a cantar no mesmo local que alguns mentirosos e confesso que faltou sabedoria da minha parte, me neguei a fazer música, participar de sons com esses mesmos manos que fazem  parte da máfia do mensalão do rap ou melhor mensashowsalão (risos), muitos sabem disso, mas não tem coragem de correr pelo certo e fingem que não vê, colocando o deles no bolso tá pela ordem.
Teve um lance na baixada de uma estrela do rap que ofereceu uma quantia do cachê dele se me cortassem do evento. É que DEUS tenha misericórdia desses manos.
Teve um caso mais recente, em que um mano foi fazer um lançamento e me convidou,dizendo que minha presença era muito importante, mas tinha um problema não iria rolar cachê pra ninguém, bom vários manos de conceito estavam no bang, e o mano estava me pedindo um apoio então demoro.
Meu vou te falar, com uma semana antes do show chegaram a mim e disseram que estava rolando mais de 20 mil no bang que era destinado pros grupos, não acreditei de início, mas esperei até os 45 do segundo tempo pra chegar no mano,de cara ele negou, mas era verídico e o pior todos estavam ganhando menos eu (risos) dai falei pra ele” tiu não importava o dinheiro e sim a verdade, se você  tivesse falado que tinha uma quantia, mas só poderia me pagar a gasolina eu iria da mesma forma como sempre fui” e o loco foi que o mano quis me dar um cala boca depois pique propina (risos).
Dinheiro maldito, são poucos catando o torro tirando dos justos, fico triste, pois tem uns manos bom que fingem que não vê, pois estão envolvidos  ganham uma merreca, é cada um por sí tá ligado.
Então depois de várias caminhadas dessas não sinto falta nenhuma desses grandes eventos dos políticos do rap, que roubam nosso dinheiro, são mó comédia os caras metem o pau no sistema, mas fazem a mesma fita.
Eu  já fiquei bravo com essas paradas, mas hoje sei que não é o rap é o homem, o homem já nasce com  tendência pro mal.
Nascendo em um mundo corrompido corrupto, e se não tiver uma família presente um exemplo bom para se espelhar é só lamento, pois o mundo jaz do maligno.
Não guardo mágoa, pois a primeira coisa que aprendi quando me converti foi a perdoar, a única coisa que sinto falta mesmo é do público, pois agora sei que posso falar pra eles sobre a transformação que DEUS pode fazer na vida de cada um ,posso indicar um caminho real e eficaz cheio de amor e paz, posso falar sobre o milagre que ele fez na minha vida,e hoje pra mim o maior evento é estar  na presença de DEUS.
P.R.N: Salve
Gostaria de agradecer a você Paula pelo espaço. E dizer que oro por todos, independente de classe social, religião, opção sexual e segmento musical, e gostaria de lembrar que estou sedento o meu disco latino americano pra ser lançado aqui no site grátis pros mano baixar. Firmeza Mandrake?  Desculpe o sumiço minha vida deu mó virada, mas é muito bom estar vivendo tudo isso.
Quero agradecer aos meus manos Preto Rock, Pastor Daniel, Pastor Antônio, irmã Marlene, Denis,Mano pool, Moisés, Cérebro,Dudu e Viviane,Black, Jhota c.,Profeta[time do J] minha esposa por ter sido a mulher sábia das escrituras,e que DEUS abençoe a todos,e agradeçam por cada respiração cada batimento do seu coração,por cada amanhecer o senhor seja louvado amém,VIDA NOVA EM CRISTO!!!!
Dimenó fala sobre o lançamento do novo disco Alvos da Lei
Entrevista: Paula Farias
Vídeo : Mano Pool

(Eu sei como é Dimenó, também vivi isso na pele...)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Se as pedras pudessem falar

“As estátuas andaram”, dizem os nativos da ilha de Páscoa. Os arqueólogos estão tentando descobrir como – e se a história delas é um alerta a um desastre ambiental



Em uma noite de inverno no ano passado, José Antonio Tuki, de 30 anos, artista da ilha de Páscoa, faz uma das coisas de que mais gosta: sai de sua casa de um cômodo na costa sudoeste e atravessa a ilha a pé até a praia de Anakena, ao norte. Diz a lenda que os primeiros colonizadores polinésios atracaram suas canoas em Anakena, há mil anos, depois de navegar por mais de 2 mil quilômetros pelo Pacífico. Sob a mesma lua e estrelas, Tuki senta-se na areia e fita as colossais estátuas humanas, os moais, esculpidas séculos atrás em tufo vulcânico para corporificar os espíritos deificados de ancestrais.
Galos insones cantam, cães sem dono latem. Tuki é um rapanui, indígena descendente de polinésios residente em Rapa Nui, como os habitantes chamam a ilha de Páscoa; e seus ancestrais esculpiram algumas das centenas de estátuas da ilha. Em Anakena, sete moais aprumam-se em uma plataforma de pedra de 16 metros de comprimento – de costas para o Pacífico, os braços ao lado do corpo, cada cabeça enchapelada com um alto pukao, feito de escória vermelha, outra rocha vulcânica. As estátuas velam essa ilha longínqua desde tempos remotos, mas, quando Tuki contempla seus rostos, sente forte ligação. “É uma coisa estranha, uma energia”, diz. “Este é um produto da minha cultura. É rapanui.” E indaga, perplexo: “Como foi que eles fizeram?”
A ilha de Páscoa, de apenas 164 quilômetros quadrados, fica a 3 500 quilômetros a oeste da América do Sul e a 2 000 quilômetros a leste de Pitcairn, sua vizinha habitada mais próxima. Toda energia e os recursos despendidos nos moais – que têm de 1 a 10 metros de altura e chegam a pesar mais de 80 toneladas – vieram da própria ilha. No entanto, quando exploradores holandeses desembarcaram ali, no domingo de Páscoa de 1722, encontraram uma cultura da Idade da Pedra. Os moais foram esculpidos com ferramentas de pedra, a maioria em uma única pedreira, e transportados, sem animais de tração nem rodas, até imensas plataformas de pedra, ou ahu, por até 18 quilômetros. A pergunta de Tuki – como foi que eles fizeram? – instiga legiões de visitantes.
Nos últimos anos, porém, os moais entraram em um debate mais amplo, que opõe duas versões do passado da ilha – e da humanidade em geral. A primeira, defendida com eloquência por Jared Diamond, laureado com o prêmio Pulitzer, apresenta a ilha como uma parábola de alerta: o caso mais extremo de uma sociedade que se destruiu arruinando o próprio ambiente. O planeta como um todo, pergunta Diamond, será capaz de evitar o mesmo destino? Na outra versão, os antigos rapanuis são emblemas enaltecedores da resiliência e do engenho humanos – por exemplo, sua habilidade de carregar estátuas gigantescas em pé por quilômetros de terreno irregular.
Quando os colonizadores polinésios chegaram a Rapa Nui, haviam percorrido o oceano por semanas em canoas abertas. Eram apenas dúzias de pessoas. Hoje chegam 12 voos por semana, vindos do Chile, do Peru e do Taiti, e em 2011 trouxeram 50 mil turistas, dez vezes a população da ilha. Há três décadas, carros, eletricidade e telefone eram raros; agora, a única cidade, Hanga Roa, fervilha de cibercafés, bares e danceterias, e as ruas ficam apinhadas de carros e utilitários nas noites de sábado. Turistas endinheirados deixam 1 000 dólares por noite nos mais luxuosos dentre as dezenas de hotéis. “A ilha não é mais ilha”, diz Kara Pate, de 40 anos, escultora, casada com um alemão que conheceu 23 anos atrás.
O Chile anexou a ilha de Páscoa em 1888, mas, até 1953, permitiu que uma companhia escocesa a administrasse como uma gigantesca fazenda de ovelhas. Os animais andavam soltos, enquanto os rapanuis viviam confinados em Hanga Roa. Em 1964, eles se revoltaram. Obtiveram a cidadania chilena e o direito de eleger seu prefeito.
É grande a ambivalência em relação a el conti (o continente). Os pascoenses dependem do Chile para seu combustível e remessas diárias de alimento. Falam espanhol e vão até lá cursar o ensino superior. Enquanto isso, migrantes chilenos, atraídos em parte pela isenção do imposto de renda na ilha, aceitam de bom grado os empregos desprezados pelos rapanuis. “Um rapanui dirá: O quê, está pensando que eu vou lavar pratos?”, conta Beno Atán, de 27 anos, guia turístico nativo. Embora muitos rapanuis tenham desposado de pessoas do continente, alguns receiam que sua cultura esteja sendo diluída. A população atual, de 5 mil habitantes, é quase o dobro da de 20 anos atrás, e menos da metade é rapanui.
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