quarta-feira, 23 de março de 2011

Estou Lendo - A filha do Silêncio - Morris West

Sinopse


Em A FILHA DO SILÊNCIO, um crime aparentemente frio e incompreensível é cometido em plena luz do sol em uma aldeia na Toscana, na Itália. A assassina vai a julgamento. É aí que vem á luz uma conspiração de silêncio feita por várias pessoas, todas ligadas a outro crime, cometido 16 anos antes. Morris West não brilha apenas por relatar o trâmites legais de um julgamento extremamente complicado, mas também por entremear com maestria os dramas pessoais do advogado de defesa e dos membros de sua família.
  (Devido aos estudos teológicos, eu pausei brevemente nas leituras seculares. Agora com um tempinho, retorno ao meu escritor favorito!)

domingo, 20 de março de 2011

CONVITE PARA O CONGRESSO TEOLÓGICO NA EVANGELHO PLENO, DIAS 25 E 26 DE MARÇO!



Síntese de Waldir Rodrigues/Aconselhamento Pastoral
O termo usado especialmente no contexto norte-americano do século 20 é “aconselhamento pastoral”, uma tradução da palavra inglesa “pastoral conseling”. Outros termos são utilizados:

a) Poimênica – que é a ciencia do agir do pastor.

b) Clínica pastoral – o acompanhamento pastoral na área da saúde.

c) Psicologia pastoral – a interpretação da pastoral sob perspectiva psicológica.

A ordem destas metáforas está na medicina, na psicanálise e no método psicoterápico de Caris Rogers. Esta atividade não se restringe aos ministros ordenados, mas trata-se de uma relação livre entre dois parceiros iguais. O autor define poimênica, como ministério de ajuda a comunidade cristã, para os seus membros e para outras pessoas que a procura no contexto da igreja. O objetivo do aconselhamento pastoral, é ajudar as pessoas para que possam viver a relação com Deus, consigo mesmo e com o próximo de uma maneira consciente e adulta. Sendo assim, o autor indica aconselhamento pastoral como uma dimensão da poimênica, acontecendo sempre em qualquer lugar quando pessoas convivem juntas. A convivência e a comunicação são o fundamento social do aconselhamento em geral e a koinonia um fator que contribui para a realização do aconselhamento, pois nele se transmite um significado espiritual.


A teologia prática sinaliza para uma existência de uma diaconia atuante em conjunto com o aconselhamento pastoral. Ambas, diaconia e aconselhamento se completam e caminham na busca de ajudar o necessitado. Enquanto a diaconia se expressa na área física, o aconselhamento se expressa na área espiritual. Eu particularmente gostei da abordagem do autor, pois analisando o texto, percebe-se o quanto se deve melhorar a pratica de nossas comunidades, para o desenvolvimento de uma diaconia com o aconselhamento em favor das pessoas afim de que sejam tratadas espiritualmente, fisicamente e incluída na sociedade bem como em nossas comunidades.
Poimênica no antigo testamento sinaliza uma prática de aconselhamento centrado na busca do ser humano em resgatar a relação com Deus. O aconselhamento aparece ligado ao culto, ao sistema jurídico e a sabedoria popular. As pessoas que se encontram no antigo testamento fazendo aconselhamento eram:

Sacerdotes

Anciãos

Juízes

Profetas

Já no novo testamento, poimênica desafia os cristãos a realizarem uma identificação com Jesus, identificação através de conduta prática de um testemunho de vida diante das outras pessoas a ser exemplo do mestre. Com esta identificação os cristãos são fortalecidos, tem esperança e paciência adjetivos que servem para a edificação do corpo de Cristo. Este fenômeno se chama “paraclesis” significando consolação e admoestação. Pois a mensagem da vida no Reino de Deus e da ressurreição de Cristo transforma a antropologia abrindo espaço para a verdadeira vida espiritual constituída pelo “pneuma”. Os agentes de aconselhamento do novo testamento são:


Todos os crentes ligados em Cristo Jesus com uma verdadeira identidade Cristã.


Depois vemos a poimênica na idade média e na igreja antiga onde, a integração da tradição bíblica e grega na Igreja antiga transformou a mensagem escatológica num dogma sobre a verdade eterna e levaram ao uso de novos meios de aconselhamento, como cartas de consolação, processos de auto-investigação e penitência ritualizada com a finalidade de purificar a alma. Os eremitas no deserto do Egito, fundadores do monaquismo oriental, se submetiam na solidão de sua caverna, a exames espirituais contínuos, aprofundaram a cultura da auto-observação e desenvolveram um tipo de acompanhamento pastoral por um mestre que assumia o papel de pai espiritual. O livro de confissões de Agostinho é o documento mais importante do aconselhamento como processo de auto-experiência perante Deus. Agostinho reconstruiu, reflete e avalia a história da sua vida na forma de uma oração. De certa forma psicologiza a sua auto-experiência de pecado, culpa luto, conversão e esperança. Assim a torna a fonte mais importante para o seu aconselhamento. Conhecendo a si mesmo, ele pode ser solidário com outros.

Já na reforma a poimênica se constituiu a partir do protesto de Lutero contra o abuso desse tipo de aconselhamento pastoral. A partir do seu próprio processo de luta contra as tentações, a partir de uma profunda experiência daquilo que significa ser pecador, ser condenado pela voz de Deus na consciência,de ser anulado, Lutero descobriu na graça pura como dádiva de Deus por causa da vida e morte de Jesus Cristo o fundamento para uma reconstrução e reestruturação da identidade do indivíduo. Era um indivíduo com dois sujeitos, o verdadeiro sujeito oculto, que é o próprio Cristo ao qual a pessoa pertence.

Em seguida o autor mostra o desenvolvimento da poimênica no contexto da modernidade que pietismo desenvolveu, contra a rigidez desse sistema de controle eclesiástico, uma nova forma de aconselhamento que promoveu pela primeira vez a conversação livre em que uma pessoa podia colocar os seus problemas independentemente da situação de penitência . O enfoque na fé pessoal, nas experiências de conversão e na santificação caracterizava o aconselhamento pastoral pietista.

Tipos de aconselhamento pastoral na América Latina consistem no sistema de penitência e na poimênica sacramental (Santa Ceia, Unção dos Enfermos) da Igreja Católica, porém assumiu, especialmente na convivência das comunidades eclesiais de base, formas e práticas mais comunitárias. Por causa da dependência histórica das igrejas evangélicas dos imigrantes europeus no Brasil da teologia produzida no exterior, encontramos nas comunidades até hoje as diferentes propostas mais ortodoxas ou liberais de aconselhamento, conforme a respectiva posição do pastor. Uma dificuldade com que nos deparamos na apresentação de tipos de aconselhamento pastoral na América Latina consiste no fato de que a maioria dos livros sobre o assunto são traduções de textos escritos no contexto norte americano que mostram apenas na superfície algumas semelhanças com o contexto latino-americano (organização congregacionalista das igrejas, separação de Igreja e Estado, fortes movimentos fundamentalistas, problemas raciais, sociedade multicultural de imigrantes). Atualmente consta-se a importância de quatro modelos teóricos de aconselhamento pastoral na América Latina:


a) O modelo fundamentalista – que se restringe somente ao uso da bíblia.



b) O modelo evangelical de psicologia pastoral – usa a psicologia para efetivar um
aconselhamento mais eficaz.



c) O modelo holístico de libertação e crescimento – O modelo de Clinebell parte de uma visão holística do ser humano a qual se baseia na antropologia bíblica que descreve o ser humano como imagem de Deus, criado à sua semelhança como pessoa na integralidade de corpo, mente e espírito e em relação com os outros, a comunidade. Por conseqüência, é “o alvo da vida cristã” desenvolver a personalidade com todas as suas possibilidades num processo de crescimento.



d) O modelo contextual de uma poimênica da libertação – O aconselhamento parte do sofrimento atual das pessoas. Os seus instrumentos, ouvir e falar serve para dar uma voz ao sofrimento, para articular o protesto e partir para a ação. A psicologia, cuja importância para a teologia da libertação Hoch defende, integra-se nesta tarefa. No trabalho da poimênica da libertação ela transforma-se numa psicologia pastoral contextualizada.






quinta-feira, 10 de março de 2011

Quem Jesus foi realmente?













Por Augustus Nicodemus Lopes


Nem todos os que hoje se consideram cristãos aceitam que Jesus foi e fez o que os evangelhos nos dizem. Em 1994, uma pesquisa revelou que 87% dos americanos acreditavam que Jesus ressuscitou literalmente dos mortos. Três anos depois, a pesquisa descobriu que 30% dos americanos que se consideram verdadeiros cristãos não aceitavam que a ressurreição de Jesus tenha sido algo físico e literal, mas, sim, uma série de experiências psíquicas dos seus discípulos que, de alguma forma, os transformou completamente.


O Jesus sobrenatural

Durante séculos, o relato dos evangelhos sobre Jesus vem sendo aceito pela Igreja cristã, em geral, como fidedigno, isto é, correspondendo com exatidão aos fatos que realmente ocorreram no início do século 1o , e que formam a base histórica do cristianismo. Baseando-se nesse relato, o cristianismo vem ensinando, desde o seu surgimento, que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que nasceu de uma virgem, que realizou milagres e ressuscitou fisicamente dentre os mortos.

A teologia cristã nunca teve dificuldade séria em admitir a atuação miraculosa de Deus na história, e sempre encarou a mensagem da Igreja apostólica registrada no Novo Testamento (como as cartas de Paulo e os evangelhos) como sendo o registro acurado dos eventos sobrenaturais que se sucederam na vida de Jesus de Nazaré.


Os Concílios cristãos que elaboraram dogmas a respeito da pessoa de Jesus (Nicéia, 325; Constantinopla, 381; Calcedônia, 451) não o fizeram como meras idéias divorciadas da história e de fatos concretos. Para eles, a Segunda Pessoa da Trindade encarnou, viveu, atuou, morreu e ressuscitou dentro da história real.

O Jesus racional

A situação mudou com o surgimento do Iluminismo, no início do século 18. A razão humana foi endeusada como capaz de explicar todas as dimensões do Universo e da existência do homem. Tudo que não pudesse ser aceito pela razão deveria ser rejeitado. Houve uma “desmistificação” de todos os aspectos da vida e do pensamento. A própria Igreja se viu invadida pelo racionalismo. Muitos estudiosos cristãos se tornaram racionalistas em alguma medida. Como resultado, em muitas universidades e seminários se chegou à conclusão de que milagres realmente não acontecem. Os relatos dos evangelhos sobre a divindade de Jesus e de sua atividade sobrenatural passaram a ser desacreditados. Era preciso pesquisar para encontrar o verdadeiro Jesus, já que aquele pintado nos evangelhos nunca poderia ter realmente existido. E assim teve início a “busca pelo Jesus histórico”, levada a efeito por professores e eruditos de universidades e seminários cristãos, que achavam irracional o Jesus sobrenatural dos evangelhos.


Eles afirmaram que, para reconstruir o verdadeiro Jesus, era necessário abandonar os antigos dogmas da Igreja acerca da inspiração e infalibilidade das Escrituras, bem como sobre a divindade de Jesus Cristo. Era preciso usar o critério da razão para separar, nos relatos bíblicos, a verdade da fantasia. Para isso, desenvolveram vários métodos que analisavam os evangelhos como qualquer outro livro antigo de religião, procurando, com isso, descobrir como as idéias fantasiosas acerca de Jesus se originaram nas igrejas cristãs primitivas. Pensavam (ingenuamente) que seria possível examinar a história isentando-se de preconceitos ou pressuposições. Acreditavam que o historiador era tão inocente quanto um eunuco. Entretanto, quando os resultados apareceram, verificou-se que o Jesus reconstruído por eles tinha a “cara” de seus criadores.


No século 17, alguns desses estudiosos publicaram obras asseverando que os escritores bíblicos eram impostores fraudulentos. Então, ofereceram suas próprias reconstruções do verdadeiro Jesus de uma perspectiva totalmente humanística. Segundo alguns deles, Jesus fora um judeu que se considerava o Messias de Israel, e que tentara estabelecer um reino terreno e libertar os judeus da opressão política. Ele pensava que Deus o ajudaria nisso, mas ficou desapontado ao ser preso e crucificado.


Os discípulos, disseram esses estudiosos, a princípio, ficaram atônitos com o fracasso de Jesus; mas depois roubaram seu corpo e substituíram a idéia de um reino messiânico terreno pela idéia de uma “segunda vinda”. Também inventaram os relatos dos milagres tendo como base os milagres do Antigo Testamento, quando Jesus, na verdade não havia feito milagre algum. O propósito dos discípulos, com esse embuste, afirma os racionalistas, era ter um meio de vida, pois não queriam voltar a trabalhar.


Obras desse tipo, hoje, estão desacreditadas. Os próprios estudiosos e críticos as consideram amadorísticas e superficiais. Entretanto, elas deram o impulso inicial à busca do Jesus da história, que, para seus empreendedores, não era o mesmo Cristo da fé da Igreja.


No século 18, apareceram muitas “vidas de Jesus”, que eram tentativas de reconstrução novelística do que teria sido a verdadeira vida de Jesus de Nazaré. Nelas, Jesus foi geralmente considerado um reformador social, um visionário, que pretendia construir uma sociedade melhor por meio de uma religião associada à razão. Os milagres dos evangelhos foram explicados por meio de apelações para causas naturais. As explicações para o surgimento da crença dos discípulos na ressurreição são, por vezes, curiosas. A mais freqüente é a de que Jesus não havia morrido realmente, mas entrado em coma. Algumas são criativas. Uma delas sugere que, após a morte de Jesus, um terremoto sacudiu o local onde estava o túmulo de José de Arimatéia, dando a impressão de que o corpo morto de Jesus se movia com vida. Isso explicaria o surgimento da crença na ressurreição de Jesus. Outras, relacionadas às curas, dizem que Jesus nunca curou sem usar remédios. O vinho de Caná havia sido trazido pelo próprio Jesus. Para outros, algumas vezes


Jesus atuava no sistema nervoso das pessoas usando seu poder espiritual. Milagres sobre a natureza foram, na verdade, ilusões que os discípulos tiveram acerca de Jesus, como, por exemplo, o andar sobre as águas. Os discípulos, afirmam os estudiosos liberais, imaginaram coisas, como a transfiguração, entre outras. As ressurreições foram, na verdade, casos em que pessoas não estavam mortas de fato, mas apenas em estado de coma.



O Jesus liberal

Com a queda do racionalismo e o surgimento do existencialismo, alguns estudiosos procuraram entender Jesus à luz da experiência religiosa. Jesus passou a ser visto como um homem cujo sentido de dependência de Deus havia alcançado a plenitude. Esse conceito serviu de base para o desenvolvimento do seu retrato pintado pelos liberais, em que Cristo era simplesmente um homem divinamente inspirado.


No século passado, os estudiosos, em busca do Jesus histórico, começaram a aceitar a idéia do “mito”, ou seja, a idéia de que os evangelhos são relatos mitológicos sobre Cristo, lendas piedosas criadas em torno da figura histórica de Jesus pelos seus discípulos. Assim, firmou-se a idéia de que Jesus não ressuscitou fisicamente. A ressurreição, na verdade, era a crença dos discípulos na presença espiritual de Jesus.


A essa altura, os próprios estudiosos perceberam que a “busca” não os estava levando a lugar algum. Era fácil destruir o Cristo dos evangelhos, mas eles não conseguiam reconstruir um Jesus histórico que os satisfizesse. As vidas de Jesus reconstruídas pelos pesquisadores diziam mais acerca dos autores do que da pessoa que eles tentavam descrever. Os autores olharam no poço profundo da história em busca de Jesus, e o que viram foi seu próprio reflexo no fundo do poço. Também perceberam que haviam esquecido ou minimizado um importante aspecto da vida e do ensino de Jesus, que foi o escatológico-apocalíptico, proclamando o aspecto ainda futuro do reino de Deus. Essa conscientização desfechou um golpe fatal na concepção liberal de um reino de Deus que se confundia com uma sociedade ética no mundo presente, ou numa experiência espiritual interior, que dominava na época.


Além disso, o estudo crítico dos evangelhos começou a afirmar que eles (os evangelhos) não eram biografias no sentido moderno, mas apresentações de Jesus altamente elaboradas e adaptadas por diferentes alas da comunidade cristã nascente. Portanto, era impossível achar o verdadeiro Jesus, pois ficara soterrado debaixo da maquiagem imposta pela Igreja primitiva. Como conseqüência, alguns insistiam em dizer que o centro da fé para a Igreja não era o Jesus da história, mas o Cristo da fé, criado pela igreja nascente. Portanto, a busca estava baseada num erro (que o Jesus histórico era importante) teologicamente sem valor. O único Jesus em que os estudiosos deveriam se interessar era o Cristo da fé da igreja, pois foi o único que influenciou a história. Alguns, assim, tornaram-se absolutamente céticos quanto à possibilidade de se recuperar o Jesus histórico.


Tentando “salvar” a busca, esses estudiosos acabaram por piorar a situação. Quando separamos a fé dos fatos históricos, o cristianismo, despido do seu caráter histórico, e dos fatos que lhe servem de fundamento, torna-se uma filosofia de vida. Uma fé que se apóia num Cristo que não tem nenhum ancoramento histórico se torna gnosticismo ou docetismo.


Assim, os evangelhos e o retrato de Jesus que eles nos trazem passaram a ser vistos como uma elaboração mitológica produzida pela fé da Igreja. Segundo seus defensores, foi a imaginação da comunidade que criou as histórias dos milagres e muitos dos ditos de Jesus.


Apesar das diversas tentativas de reconstrução, ao fim sempre se chegava a um Jesus cuja existência não era apenas implausível, mas também impossível de ser provada. O Jesus liberal, desprovido do sobrenatural e da divindade, foi uma criação da obstinação liberal, que se recusava a receber como autêntico o relato dos evangelhos sobre Jesus. A falta de comprovação histórica e documentária quanto ao Jesus liberal acabou por dar fim à “busca”.


O Jesus do liberalismo pouco se parecia com o Jesus da concepção histórica da Igreja de Jesus Cristo, como sendo tanto humano quanto divino, as duas naturezas unidas organicamente numa mesma pessoa. O racionalismo eliminou a natureza divina de Cristo e a considerou um produto da Igreja, dissociada do Jesus da história. Jesus era apenas o grande exemplo, e a religião que Ele ensinou era simplesmente um moralismo ético e social.


O Jesus liberal fracassou em todos os sentidos! Ele acabou fundando uma nova religião, mesmo sem querer. Acabou sendo “endeusado” pelos seus discípulos, contra a sua vontade. O seu ensino social e ético de um reino de Deus meramente humano acabou sendo sobrepujado pelo ensino de um reino de Deus sobrenatural, presente e ainda por vir. E sua verdadeira identidade se perdeu logo nos primeiros séculos, para ser “redescoberta” apenas depois de 2000 anos de ilusões. Que ironia!


O Jesus libertador

Mas a tentativa dos estudiosos que não criam nos relatos miraculosos dos evangelhos não parou com o fracasso. Em meados da década de 50, outros estudiosos, igualmente céticos, acharam que poderiam acertar onde os antigos liberais falharam, desde que não fossem tão radicais em seu ceticismo quanto aos relatos dos evangelhos. Alguns discípulos dos teólogos liberais afirmaram que, apesar dos muitos erros nos evangelhos, havia neles elementos históricos suficientes para se tentar chegar ao Jesus que realmente existiu. Um deles chegou mesmo a questionar: “Se a Igreja primitiva era tão desinteressada na história de Jesus, por que os quatro evangelhos foram escritos?”. Os que escreveram os evangelhos acreditavam seguramente que o Cristo que pregavam não era diferente do Jesus terreno, histórico.


Mas, ao fim, esses pesquisadores da “nova busca” pensavam de forma muito semelhante à dos seus antecessores: o Jesus que temos nos evangelhos não corresponde ao Jesus que viveu em Nazaré há 2000 anos, o qual pode ser recuperado pelo uso da crítica histórica. Uma coisa todos esses pesquisadores, antigos e novos, tinham em comum: não criam na divindade plena de Jesus, na sua ressurreição nem nos milagres narrados nos evangelhos. Para eles, tudo isso havia sido criado pela Igreja. Além disso, eram todos comprometidos com a filosofia existencialista em sua interpretação dos evangelhos. Os resultados da pesquisa feita individualmente por eles, porém, eram tão divergentes que a “nova busca” acabou desacreditada em meados da década de 70.


Mas o ceticismo desses estudiosos não deixou a coisa parar por aí. Faz poucos anos, um grupo de 75 estudiosos de diversas orientações religiosas se reuniu nos Estados Unidos para fundar o “Simpósio de Jesus” (The Jesus Seminar), que os reúne regularmente duas vezes ao ano para levar adiante a “busca pelo verdadeiro Jesus”. Suas idéias básicas são fundamentalmente as mesmas dos que empreenderam a “busca” antes deles, ou seja, que o retrato de Jesus que temos nos evangelhos é uma caricatura altamente produzida, resultado da imaginação criativa da Igreja primitiva. A novidade é que, agora, incluíram material extrabíblico em suas pesquisas, como o evangelho apócrifo de Tomé, o suposto documento “Q”, contendo ditos antigos de Jesus, e os Manuscritos do Mar Morto.


A conclusão do simpósio é que somente 18% dos ditos dos evangelhos atribuídos a Jesus foram realmente pronunciados por Ele. O simpósio trouxe a público o resultado de suas pesquisas bastante céticas quanto à confiabilidade dos evangelhos, causando grande sensação e furor nos Estados Unidos e na Europa, e reacendendo, em certa medida, o interesse pelo Jesus histórico. E, mais uma vez, a polêmica acerca de Jesus foi levantada, desta feita ganhando até a capa de revistas internacionais, como, por exemplo, Time, Newsweek e U.S. News & World Report, e do Brasil, como Veja e IstoÉ. No final, o Jesus do simpósio é a mistura de um homem sábio, tímido e modesto demais para falar de si mesmo ou de sua missão neste mundo. A pergunta é: “Como uma pessoa assim conseguiu ganhar o ódio dos judeus e acabar sendo crucificada, um fato que até os antigos liberais radicais reconhecem como histórico?”.


Várias outras tentativas têm sido feitas em tempos recentes para se descobrir o Jesus que realmente existiu por detrás daquele que é representado nos textos dos evangelhos. Ele tem sido retratado diferentemente como profeta e libertador social, simpatizante dos zelotes e de suas idéias libertárias, reformador social por meio pacíficos e espirituais, pregador itinerante, carismático e radical, instigador de um movimento, de reforma, libertador dos pobres, “homem, do Espírito”, que tinha visões e revelações e uma profunda intimidade com Deus, de quem recebia poder para curar, fazer milagres e expelir demônios. Um homem santo da Galiléia, um judeu piedoso, uma figura carismática, um operador de milagres, movendo-se fora do ambiente oficial e tradicional do judaísmo, um exorcista poderoso e bem-sucedido — o catálogo é interminável. Mas todas essas tentativas têm uma coisa em comum: para seus autores, o Jesus pintado pelos evangelhos é produto da imaginação criativa e piedosa, da fé dos discípulos de Jesus. Os defensores dessas idéias partem do conceito de que a Bíblia nos oferece um quadro distorcido do verdadeiro Jesus.


De volta ao Jesus sobrenatural

Entretanto, é preciso mais do que teorias, como estas que acabamos de expor, para tornar convincente a tese de que a comunidade cristã inventou tanto material sobre Cristo e que ela mesma acabou crendo em sua mentira. É quase inconcebível que uma comunidade tenha criado material histórico para dar sustentação histórica à sua fé. Uma comunidade que dá tal importância aos fatos históricos não os criaria! Além do mais, essas teorias não levam em conta o fato de que os eventos e os ditos de Jesus foram testemunhados por pessoas que estiveram com Ele, e que essas testemunhas oculares certamente teriam exercido uma influência conservadora na imaginação criativa da Igreja.


Também ignoram o fato de que os líderes iniciais da comunidade, os apóstolos, estiveram com Jesus e muito perto dos fatos históricos para dar asas à livre imaginação. Também deixa sem explicação o alto grau de unanimidade que existe entre os evangelhos. Se cada evangelho é produto da imaginação criativa da igreja, como explicar diferenças entre eles? E se é produto de comunidades isoladas, como explicar as semelhanças?


Essas teorias são especulações e nada podem nos dar de evidência concreta. Portanto, continuamos a crer nas evidências internas e externas de que os evangelhos dão testemunho confiável do Jesus histórico, que é o mesmo Cristo da fé. Entretanto, o ceticismo crítico desses estudiosos influenciou de tal maneira os seminários que introduziu na Igreja de Cristo uma semente que produziu um fruto amargo: um evangelho e um Cristo frutos de imaginações, e que, portanto, não tinham poder, vitalidade, nem respostas para as questões humanas. Resultado: igrejas esvaziadas por toda a Europa, em uma geração.


Que Deus proteja as igrejas brasileiras dessas pessoas. Que as igrejas brasileiras se firmem cada vez mais no Senhor Jesus Cristo, fielmente retratado nas páginas dos evangelhos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Por que somos agressivos ?

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Descoberto o "Perfume de Maria Madalena"

Uma surpreendente descoberta realizada por arqueólogos italianos membros da Custódia da Terra Santa e da Ordem de Estudos dos Franciscanos foi feita neste último dezembro e que pode trazer luz a um dos capítulos mais impressionantes dos evangelhos. Segundo os arqueólogos foram encontrados na cidade de Migdal, ao norte de Israel e junto ao Mar da Galiléia, uma série de lâmpadas e ampoletas, ou seja pequenos vasos contendo uma boa quantidade de perfume que ficou conservado até os dias de hoje pois estavam lacrados. Segundo uma avaliação arqueológica os perfumes datam da mesma época de Jesus, ou seja, o primeiro século da era cristã. Os objetos foram encontrados dentro de uma piscina que ficava debaixo de um arco que estava completamente aterrado com barro. Além do perfume foram encontrados um grande número de pratos, cerca de 70, ao qual se atribui a soldados romanos além de pratos e copos de madeira. Segundo Flávio Josefo, viviam em Magdala nesta época, cerca de 40.000 habitantes, bem mais do que vivem nos dias de hoje. Após um intenso trabalho, ao fundo da piscina foram encontradas outras relíqueas, uma grande quantidade de instrumentos utilizados por mulheres da época como pentes, pinças, potes de cremes que agora estão sendo avaliados quimicamente. Se as descobertas forem confirmadas com as análises químicas, este seria um "boticário" semelhante ao de Maria Madalena ou da Pecadora que teria ungido a Jesus antes de morrer. Isto traria mais luz aos costumes da época e da vida diária no primeiro século. A descoberta da "Pefumaria de Maria Madalena" como está sendo chamada pelos arqueólogos franciscanos é sem dúvida algo impressionante e análises corretas dos produtos poderão permitir a indústria produzir perfumes e cremes semelhantes aos utilizados naquele período da história.

Residência do Tempo de Jesus descoberta em Nazaré

Um edifício residencial do tempo de Jesus foi exposto no Coração da cidade bíblica de Nazaré, na Galiléia.
Os restos foram descobertos em uma escavação arqueológica da Autoridade de Antiguidades de Israel, perto da Igreja da Anunciação
Uma escavação arqueológica realizada pela Autoridade de Antiguidades de Israel recentemente revelou novas informações sobre a antiga Nazaré da época de Jesus. Restos de uma habitação que data do primeiro período romano foram descobertos, pela primeira vez em uma escavação, que foi realizada antes da construção do "Centro Internacional Maria em Nazaré" pela a Associação Maria de Nazaré, ao lado da Igreja da Anunciação. De acordo com o Novo Testamento, Maria, mãe de Jesus, viveu em Nazaré, junto com seu marido José. Foi lá que ela também recebeu a revelação através do Anjo Gabriel que ela iria conceber um filho que seria o Filho de Deus. O Novo Testamento revela-nos que o próprio Jesus cresceu em Nazaré.


Em 1969, a Igreja da Anunciação foi erguida no local, que a fé católica, identificou como a casa de José e Maria. A basílica foi construída sobre as ruínas de três igrejas anteriores, a mais velha delas, é atribuída ao período bizantino (do século IV DC). À luz dos planos de construir no local, a Autoridade de Antiguidades de Israel empreendeu recentemente uma pequena escavação arqueológica perto da igreja, que resultou na exposição da estrutura.

Segundo Yardenna Alexandre, diretora da escavação, em nome da Autoridade de Antiguidades de Israel, "A descoberta é de extrema importância, uma vez que revela pela primeira vez uma casa da aldeia judaica de Nazaré e, assim, lança luz sobre o modo de vida no tempo de Jesus. O edifício que nós encontramos é pequeno e modesto, e é muito típico das habitações em Nazaré do mesmo período. Há poucas fontes escritas, sabemos que no século I DC Nazaré era uma pequena aldeia judaica, localizada dentro de um vale. Até agora, um número de túmulos da época de Jesus foi encontrado em Nazaré, no entanto, permanecia sem construções descobertas e que são atribuídas a este período.

Na escavação ampla, um grande muro que data do período mameluco (século XV DC) foi exposto, que foi construída em cima de uma parede de um edifício anterior. Este antigo edifício, com dois quartos e um pátio em que tinha uma cisterna escavada na rocha em que a água da chuva era recolhida. Os artefatos recuperados dentro do prédio foram poucos e na maior partes de fragmentos de vasos de cerâmica da primeira época romana(séculos I e II da era cristã). Além disso, vários fragmentos de vasos Chalk foram encontrados, que foram utilizados apenas pelos judeus durante esse período, porque esses vasos não ficavam ritualmente impuros.

Além disso, um poço escavado na rocha, cuja entrada era aparentemente camuflada, foi escavada e algumas cerâmicas de Sherds do período romano posterior foram encontradas no seu interior. A arqueóloga, Yardenna Alexandre, disse: "Com base em outras escavações que realizei em outras aldeias da região, este poço foi provavelmente como parte dos preparativos dos judeus para se protegerem durante a Grande Revolta contra os romanos em 67 DC" .

Em algumas das escavações arqueológicas que foram realizadas nesta cidade, um número de cavernas de sepulcros que datam do período romano posterior foram encontradas e estão situadas perto de zonas habitadas. A Igreja moderna da Anunciação foi construída no centro da Nazaré, acima da Igreja dos cruzados da Anunciação e sobre as ruínas de uma igreja do período bizantino. No meio dessas igrejas há uma caverna que já foi atribuída em a casa da família de Jesus. Muitos poços e cisternas de armazenamento, alguns dos quais remontam ao período primeiro romano, foram encontrados no complexo da Igreja da Anunciação.

A "Associação Maria de Nazaré" pretende manter a preservação e apresentar os restos da casa recém-descoberta no interior do edifício planejado para o "Centro Internacional Maria de Nazaré". Esta descoberta lança mais luz às páginas da Bíblia.