segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

De Alexandria a Roma – José Arthur Giannotti



Estoicos, céticos e neoplatônicos levam suas investigações até Roma. Mas feita essa passagem, só poderemos indicar como Agostinho de Hipona será o grande elo entre o pensamento grego e o cristianismo. De que modo o Uno original poderá ser três (Pai, Filho e Espírito Santo)?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PAPO DE GRAÇA | A MITOLOGIA DE TOLKIEN - O SENHOR DO ANÉIS


CONSTANTINO, LACTÂNCIO E O CRISTIANISMO IRREFORMÁVEL...

Depois da Era Apostólica Original, a comunidade mais ampla dos discípulos que permaneciam fiéis à Palavra dos Apóstolos já mortos, estava cansada...; e as coisas somente pioravam...

Já tinham passado por dez grandes perseguições gerais, muitas outras em regiões especificas, e infindas de natureza individual e pessoal.

Os Apóstolos haviam dito que “o tempo estava próximo”; mas eles próprios haviam partido e o Senhor não voltava...

Enquanto isto [...] não sabiam se ficavam nas cidades ou se buscavam refugio nos montes, covas, florestas, regiões distantes, em cidades subterrâneas, ou nos infindos túneis que cavaram [...], como ainda hoje se vê em muitos lugares, especialmente na Capadócia, na Turquia.

Aos olhos deles todas as predições de Jesus e dos Apóstolos estavam já cumpridas, pois, tudo o que tinham visto nos últimos 280 anos eram guerra e rumores de guerra, revoluções, terremotos, vulcões poderosos e devastadores, pragas, mortes em quantidade impensável, pestes chacinadoras, como nos dias do Imperador Décio; além de que não lhes faltaram [de Nero em diante] inúmeros candidatos perfeitos ao posto de Besta e de Anti-Cristo na Roma/Babilônia, na Grande Meretriz, na Cidade das Sete Colinas.

Entretanto, apesar de tudo, quanto mais sofriam, mais cresciam e se espalhavam; de modo que a perseguição sempre foi o maior espalhador das sementes do Evangelho pelo mundo, desde o tempo dos Imperadores Romanos.

Todavia, o Senhor não voltava...; as perseguições não cessavam; e nem o Império se convertia...

Foi nesse tempo de cansaço de esperança, porém de crescimento pela perseguição, que surgiu o Imperador Constantino.

O Império estava divido, enfraquecido, invadido, somente se impunha pela força dos mercenários e das expansões feitas pela brutalidade; enquanto Roma sucumbia à devassidão, à lassidão, à volúpia, a dês-humanização...

Do mesmo que o Império estava enfraquecido [...] seus deuses também estavam; posto que não impedissem as invasões bárbaras; nem as rebeliões de escravos; nem as revoltas das nações conquistadas; nem os terremotos, nem as pragas, nem os vulcões, nem dassem aos romanos nada que não fosse por eles tomado no saque que faziam às nações que submetiam..., ainda que nunca definitivamente...

O Senhor não voltava, mas Constantino aparecera... Aleluia!... Gritavam os crentes!

Metido na sua corte, como seu escriba, estava um cristão chamado Lactâncio. Foi Lactâncio o “profeta” de Constantino, sim, pois foi dele a interpretação de que o meteoro caído diante deles antes do ataque a Roma, para tomar o poder, era um sinal de Jesus de que Constantino era o “escolhido”, o “cristo da história”, o Imperador que, pela espada, imporia o Reino de Deus, ainda que a proposta fosse a de que o império romano de Constantino não teria fim, sendo uma espécie de “reino davídico dos cristãos” — o que se tornou realidade/engano pelo fato de que a Igreja Católica Apostólica Romana é a Roma de Constantino viva até aos dias de hoje...

Lactâncio teve um papel fundamental na construção do Constantino Décimo Terceiro Apóstolo de Jesus, o apóstolo imperador, o apóstolo da espada, o apóstolo das glórias terrenas e da Igreja Triunfante na Terra, não nos céus.

Foi de Lactâncio a inspiração de que o “tamanho da igreja e sua presença em todo o império”, seria de grande valor político para Constantino. Foi dele a idéia de colocar a chamada Cruz de Constantino como novo Emblema do Império, substituindo a Águia.

Também foi dele a idéia de fazer da fé em Jesus uma Religião Oficial no Império. Sim, o escriba Lactâncio foi um cristão cansado de ser perseguido, e que estava próximo demais do poder para não tentar influenciar em nome de Jesus...

Ora, Lactâncio começou apenas buscando mais tolerância para os cristãos [...], mas depois de um tempo suscitou no Imperador a certeza política de que o grupo dos escravos amantes de Jesus era a melhor base de apoio que ele poderia ter no Império, dado ao tamanho e à capilaridade da igreja dos discípulos de Jesus.

Foi dele também a idéia de que o Imperador agradaria aos cristãos construindo Basílicas nos lugares mais históricos para a fé dos cristãos...

Ele foi a peça fundamental também na construção dos elos entre o Imperador e os bispos das igrejas locais, ainda escondidas e intimidadas.

Da noite para o dia os bispos viravam eminências pardas.

Depois Constantino aprendeu a andar com as próprias pernas, manobrando os bispos na medida em que lhes dava poder...

Foi por tal poder que o antigo crescimento dos cristãos se perdeu, virando inchaço e adesão... Logo surgiram os sincretismos... A seguir a bruxaria tomou conta em nome de Jesus, de um lado; e, de outro lado, surgiram os eruditos oficiais dos ditos de Deus, os teólogos; tudo sob o patrocínio do Imperador.

Constantino continuou matando e sendo inclemente com muitos... Foi ele quem primeiro invocou em “nome de Jesus” o principio diabólico da guerra santa e da igreja de espada na mão.

As raízes do Cristianismo Constantiniano [aliás, o único Cristianismo, posto que Jesus nunca tenha fundado nenhuma religião ou Cristianismo] — determinam até hoje quase tudo aquilo que a “igreja” chama de “Deus”, de “Jesus”, de “Igreja”, de “Doutrina”, de “Poder”, de “Estado”, de “Direito”, de “Ciência Teológica”; e está presente em todas as formas de governo e disciplina na “Igreja”.

Ora, como Jesus não voltara, mas Constantino aparecera como um ladrão de noite, os crentes logo celebraram a vitória de Constantino como uma manifestação da vinda do Senhor de forma diferente; como reino glorioso feito pelo poder de um império de trevas...

Em menos de trinta anos um grupo de milhões de discípulos de Jesus, que viviam de modo singelo e hebreu no caminhar, se tornou o poder dominante de um Império, do maior de todos os Impérios, do Império Romano; e, assim, sem pestanejar, reinterpretaram Jesus e a Sua vinda; e celebraram o reino de Deus nas garras da Meretriz Oportunista, que agora apenas dava aos famintos a chance de transformarem pedras em pães, de pularem do Pináculo do Templo com a escolta de anjos imperiais, em troca de darem apenas apoio político ao Imperador, enquanto eles, a agora não mais Igreja, mas apenas “igreja” [...], ganhavam todos os reinos deste mundo...

Praticamente ninguém mais conseguiu ser cristão sem levar alguma marca da Besta Constantiniana; sim, seja nos temas da vida; na idéia acerca de quem é Deus; ou acerca da Trindade [esquartejada em Nicéia]; ou da noção de influencia do Reino de Deus neste mundo; ou de guerra santa e justa; ou de evangelização; ou de teologia; ou de credo; ou de modo de governo; ou de importância humana e histórica; e de um monte de outras coisas... — que não nos tenham vindo como herança de Constantino; e que influenciaram toda a “Cristandade”; e que deram forma ao Cristianismo, que fizeram uma Dieta no Protestantismo, mas que nele não perderam o DNA; e que hoje estão revividas com todas as forças entre os Evangélicos, todos eles, mas especialmente entre os Neo-Pentecostais.

Hoje Constantino tem no Brasil a cara de um Macedino!...

Constantino é o Pai do Cristianismo!...

O Católico, ou Universal em Constantino, não são termos que têm o sentido da catolicidade e da universalidade do espírito de tais termos conforme o espírito do Evangelho.

Católico e Universal em Constantino são termos que significam exatamente aquilo que os termos Católico e Universal se tornaram no Cristianismo...

Sim, Constantino é o Pai do Cristianismo!... Somente ele; e Jesus esteve fora...; sempre...

Jesus esteve presente [...] como apenas sempre apenas nos corações [...]; mas nada teve a ver com toda a História da Igreja [...] de Constantino para cá.

Jesus teve a ver com a história de milhões de pessoas, mas não com a História da Igreja de Constantino, que é todo o Cristianismo, especialmente em sua manifestação ocidental, ainda que o fenômeno tenha sido “católico” em sua influencia “universal” do reino imperial de “Deus”...

Esta é a razão de a “igreja” ser tão diferente de Jesus e tão semelhante a Constantino.

Sim, pois o espírito do Cristianismo sempre foi e será “romano” em seu DNA; e tal espírito é anticristo em relação ao Evangelho de Jesus.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ficção Misticista


Quando adolescente, curtia muito histórias de ficção científica, especialmente em histórias em quadrinhos ou em alguns seriados antigos. O pessoal que tem lá seus 40 deve lembrar de “Túnel do Tempo”, “Perdidos no Espaço”, “Viagem ao Fundo do Mar” e outros clássicos do gênero como “Jornada nas Estrelas” que ainda é exibido.

Quando descobri um canal à cabo de Ficção Cientifica achei ótimo, e passei a ser espectador do canal que fazia lembrar as aventuras imaginadas e conversas animadas dos garotos que se encantavam com esse gênero de ficção há décadas atrás. Mas logo percebi que a ficção cientifica não é mais a mesma. Os filmes são mais ficção mística, ou espiritual do que de fato cientifica. Fantasmas e seus congêneres, como panteísmo, animismo e outros pontos de vista religiosos são apresentados como ficção cientifica, quando na verdade não são sequer ciência, são religião. E cada macaco deve procurar o seu galho.

Isso pode se explicar por um fenômeno mercadológico que tem também faces espirituais.

É fenômeno mercadológico porque ninguém mais se impressiona com a ciência, ela não é mais algo distante e maravilhoso, já está no nosso dia a dia. Os walkie talkies dos astronautas de “Terra de Gigantes” são ridículos perto dos celulares de qualquer criança. O computador então, nem se fala. A ciência perdeu seu poder de maravilhar os adolescentes. Aí entra o lado espiritual: o mercado de filmes de ficção precisa de um objeto de fascinação inalcançável para que mantenha a longevidade do negócio.

É só por isso que mudaram o foco. Não tem nada haver com física quântica ou outras justificativas acochambradas. Precisam ganhar muito dinheiro, usam a especulação espiritual, como qualquer falso profeta faria. Não é novidade, a Bíblia já nos diz em 1 Timóteo 4.1 que “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” e que “E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” 2Tm 4:4. Devido a essa tendência das pessoas no mundo moderno “surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos” Mat 24:11.

Ao contrário do que Dizem, Deus não morreu. A humanidade sabe disso, mas não quer se submeter ao Deus que enviou Jesus para nos Salvar, limpado-nos de nossos pecados e nos tornando novas criaturas. Tentam negar a Deus mas precisam satisfazer seu vazio espiritual, e tentam fazê-lo com fábulas e outras coisas que lhes agradam. Mas não se engane, Deus não pode ser substituído por nada, nem ninguém no coração do homem. Viver sem Deus é caminhar para a morte, pois quem afasta-se da fonte da vida já está morto eternamente pois não tem poder de gerar vida por si mesmo.

Eu gosto de ficção cientifica, mas não gosto de ficção misticista. Vivemos numa era de misticismo enlatado, ou “digitalizado”, que é produzido em massa para a perdição de muitos.

A fé em Jesus é mais simples, veja só: reconhecer que somos pecadores, arrepender-nos de nossos pecados, confessar e aceitar a Cristo como Senhor para ir morar no céu. Isso não dá bilheteria, tanto é que até muitas igrejas ou empresas evangélicas sequer pregam isso, preferem a auto ajuda e outras pregações mais populares, mas com certeza a Fé Genuína e e Salvadora em Jesus é o único e infalível caminho para a Salvação. Aceitar a Jesus não tem temporada. O tempo aceitável é agora, aceite-o em seu coração.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Crescimento e desenvolvimento na adolescência



A adolescência é definida como a fase de transição entre a infância e a idade adulta, uma passagem que pode durar até dez anos (dez aos vinte anos), dependendo do indivíduo, de seu ambiente social, escolar e familiar. A puberdade refere-se a um conjunto de modificações biológicas que vão resultar em capacidade reprodutora.

A puberdade pode variar de indivíduo para indivíduo, quanto a idade de seu início e velocidade das mudanças, segundo influência de fatores hereditários, nutricionais, e pré-existência de doenças crônicas tais como asma, diabetes, doenças gastrointestinais, renais, cardíacas etc.

Seqüência de mudanças físicas nas meninas
A puberdade feminina ocorre um pouco mais cedo do que a dos meninos, embora dure um pouco mais. Primeiramente há uma progressiva deposição de tecido adiposo (gordura) ao redor dos quadris, seguida rapidamente pelo surgimento do broto mamário, que pode ser uni ou bilateral, e dos primeiros pêlos pubianos. Geralmente isto se dá por volta dos onze anos (podendo variar entre 8 e 13 anos). Ao redor de um ano após o início do desenvolvimento das mamas acontece um intenso aumento em estatura, conhecido com estirão puberal.

Aproximadamente seis meses após este aumento da velocidade de crescimento costuma ocorrer a primeira menstruação, a menarca. Percebemos, assim, que a primeira menstruação é um fato relativamente tardio na seqüência de eventos da puberdade. Em termos práticos, como referência, o intervalo de tempo entre o surgimento dos brotos mamários e a menarca costuma ser de cerca de dois anos, dois anos e meio.

Seqüência de mudanças físicas nos meninos

Os meninos, diferentemente das meninas, não têm em seu processo de maturação sexual nenhum fato tão expressivo quanto o aparecimento do broto mamário ou a menarca. As emissões noturnas de esperma, durante o sono, poderiam ser consideradas como algo da mesma importância que a menstruação para as meninas, mas não têm a mesma regularidade.

Em torno dos onze anos, podendo variar entre 9 e 13 anos, os testículos começam a aumentar de volume, ainda sem modificação do tamanho do pênis, o que só vai ocorrer após mais ou menos um ano a partir disto. Um pouco antes do começo do crescimento do pênis surgem os primeiros sinais de pêlos pubianos e de pêlos axilares. O crescimento testicular e peniano pode estar completo entre os doze anos e meio e os dezessete anos, dependendo de quando as modificações começaram a acontecer naquele indivíduo.

O aumento da velocidade de crescimento - estirão puberal - acontece um pouco mais tarde nos meninos do que nas meninas, depois do início do aumento dos testículos.

Problemas freqüentes na puberdade

Mamas de tamanhos diferentes - No início da puberdade uma mama pode começar seu desenvolvimento um pouco antes que a outra, mas ao longo do tempo a tendência é que as duas fiquem mais parecidas em tamanho. Entretanto, é relativamente comum que mulheres adultas tenham seios ligeiramente desiguais, o que nem sempre é facilmente observável. Massas palpáveis nos seios são geralmente cistos ou tumores benignos, dentre outras causas, sendo necessário procurar um médico nestes casos e realizar alguns exames. Câncer de mama é bastante raro nesta faixa etária.

Corrimento ou secreção vaginal - É bastante freqüente que as adolescentes sejam levadas ao médico para averiguação de secreção vaginal. Nesta fase da vida é comum a presença de secreção fina, clara ou leitosa, sem coceira ou mau odor, provocada pela ação dos hormônios estrogênios na mucosa uterina, um pouco antes da menstruação. Maus hábitos de higiene após urinar ou evacuar, ou o uso de roupas muito apertadas, podem levar à mudança das características desta secreção, com contaminação por bactérias presentes nas fezes. É bom lembrar que algumas doenças sexualmente transmissíveis também se manifestam através de secreção vaginal anormal, de aspecto amarelado, em maior volume, com mau cheiro ou com coceira.

Irregularidade menstrual - Durante cerca de um ano após a menarca os ciclos menstruais são geralmente irregulares, tanto no que se refere ao intervalo entre um e outro quanto na duração do fluxo menstrual. Eventualmente este período de irregularidade pode se prolongar além de um ano, mas o tratamento hormonal deve ser evitado sempre que possível, embora a situação seja um pouco inquietante tanto para a adolescente quanto para a família. Devemos ressaltar que estes ciclos irregulares são geralmente anovulatórios, ou seja, ocorrem em geral sem ovulação. Algumas meninas, porém, podem ovular desde o seu primeiro ciclo menstrual.

Ausência de menstruação - Consideramos um problema médico quando a menstruação ainda não aconteceu numa menina de dezesseis anos que já tem seios ou numa menina de quatorze anos que não apresenta sinais de desenvolvimento das mamas. Um outro problema é quando a menstruação desaparece por mais de três meses consecutivos, exceto no primeiro ano após a primeira menstruação, pois neste período ela tem características irregulares. Várias podem ser as causas desta situação, sendo muitas vezes necessária a ajuda tanto do ginecologista quanto do endocrinologista. Fatores ligados à prática de atividade física em excesso, obesidade, deficiências nutricionais, stress (questões familiares, problemas na escola ou com o grupo social), uso de alguns tipos de medicamentos, inclusive anticoncepcionais orais, presença de hímen malformado, sem o orifício normal que permite a passagem do fluxo menstrual, algumas doenças e, finalmente, gravidez, podem ser causas da ausência de menstruação.

Disfunção do sangramento uterino - Os ciclos menstruais normais variam entre 21 e 35 dias, contados desde o primeiro dia de menstruação até o primeiro do próximo ciclo. O fluxo geralmente é de no máximo sete dias. Para efeito de cálculo da intensidade do fluxo menstrual podemos utilizar o número de trocas de absorventes feitas ao longo do dia. O gasto de mais de seis absorventes ou de dez tampões por dia durante mais de oito dias seguidos, geralmente indica fluxo excessivo, embora a freqüência de troca varie bastante entre as mulheres, o que pode dificultar a análise da situação. Geralmente o sangramento excessivo é acompanhado por ciclos sem ovulação, e causado por distúrbios hormonais. Uma minoria dos casos é provocada por distúrbios da coagulação sanguínea ou outras doenças. A principal conseqüência para a saúde da adolescente é a possibilidade de acontecer anemia causada pela perda prolongada de sangue.

Cólicas menstruais - Cerca de 65% das adolescentes se queixam de cólicas nos primeiros três dias da menstruação. Geralmente não há uma doença associada a esta condição, embora isto seja possível, como nos casos de anormalidades anatômicas, tumores benignos e a endometriose, que é a presença anormal de tecido uterino fora do útero. Sabemos também que, embora já se conheçam os mecanismos bioquímicos que causam a cólica menstrual, os fatores psicológicos ou emocionais podem estar relacionados a este problema.

Ginecomastia - Este nome complicado é sinônimo do aumento do tamanho das mamas em meninos. Embora seja muitas vezes motivo de piada e de comportamentos anti-sociais, é bastante comum (é encontrada em 50-60% dos meninos no início da adolescência), benigna e costuma desaparecer sozinha ao longo do período de crescimento. Este aumento das mamas pode ser acompanhado e complicado pelo excesso de peso, uma vez que a gordura pode se depositar nesta região do corpo. Não se conhece muito bem a causa da ginecomastia, embora se saiba que uma minoria de casos está relacionada a algumas doenças renais, hepáticas, glandulares (problemas da tireóide, por exemplo), e ao uso de alguns medicamentos ou drogas. A prática regular de natação ou de musculação com prévio aconselhamento médico pode beneficiar os portadores desta condição pois ajuda a desenvolver a musculatura peitoral e a "disfarçar" o problema. Numa minoria de casos pode ser necessária a administração de um medicamento para controlar a ginecomastia, bem como também a cirurgia plástica.

Anormalidades do crescimento

O crescimento é influenciado por diversos fatores, dentre eles a hereditariedade, fatores nutricionais, ambientais (questões afetivas, familiares, psicológicas, socioeconômicas e glandulares). O crescimento do adolescente deve ser medido em intervalos nunca menores do que seis meses, uma vez que o crescimento não é linear e constante durante os doze meses do ano, acontecendo em "surtos", durante alguns meses e depois dando pausas.

A suspeita de "baixa estatura" costuma ocorrer quando os pais ou familiares comparam o adolescente a outros da mesma idade, embora esta comparação deva ser feita considerando-se também a questão racial, o sexo, e também outros adolescentes da mesma família. Entretanto o diagnóstico de baixa estatura ou de crescimento insuficiente deve ser feito por um médico, pois depende de correlações entre estatura materna e paterna, e avaliação do crescimento num determinado intervalo de tempo, idealmente pelo menos um ano, além de medidas de outros segmentos corporais. Numa análise global entra também o aspecto da maturação sexual, pois muitas vezes os pais podem interpretar como problema de crescimento, por exemplo, um adolescente de treze anos que ainda não tenha passado pela fase do já citado estirão da puberdade, quando acontece um rápido aumento de estatura. Compará-lo com outro menino da mesma idade que esteja em plena fase de crescimento rápido, ou que já tenha passado por ela, pode levar a uma falsa impressão. Outras avaliações, incluindo-se dosagens hormonais, radiografias ósseas e outros exames podem ser necessários.


Dentre as principais causas de baixa estatura na adolescência podemos citar a baixa estatura familiar, a baixa estatura constitucional (indivíduos que crescem devagar mas que atingem uma estatura normal ao final do período de crescimento), a deficiência do hormônio do crescimento, problemas relacionados à glândula tireóide, diabetes sem controle, doenças ósseas, asma, desnutrição, AIDS, doenças genéticas etc.

Em contrapartida ao problema da baixa estatura, que freqüentemente leva o adolescente ao consultório médico, temos o oposto, que é a "alta estatura", o que é mais raro ser motivo de consulta mas que pode ser um distúrbio. A alta estatura pode ser hereditária ou constitucional, ou pode ser resultado de distúrbios glandulares, síndromes genéticas e outras doenças.

Desordens da puberdade

Atraso da puberdade - A puberdade está atrasada quando ainda não deu sinais (broto mamário ou início do aumento dos testículos) até os treze anos nas meninas e até os quatorze anos nos meninos.

Puberdade precoce - Consideramos puberdade precoce casos em que os primeiros sinais de maturação sexual ocorrem antes dos nove anos em meninos e antes dos oito anos em meninas. Existem numerosas causas para tais alterações, que devem ser cuidadosamente investigadas pelos médicos especialistas (endocrinologistas, geneticistas etc). É importante destacar que tem grande valor o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento do adolescente com regularidade e uma periodicidade de duas consultas ao ano, para que eventuais problemas possam ser identificados e tratados no momento certo.

Maria Elisabete Rodrigues Barbosa é médica de crianças e adolescentes.

Fonte: http://www.iupe.org.br/ass/educacao/edu-puberdade_crescimento_e_desenvolvimento.htm

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dica de filme - A Jornada: Uma Viagem pelo Tempo


Ano 1890 - o professor de seminário Russell Carlisle (D. David Morin - Compromisso Precioso) tem escrito uma tese chamada "A Mudança dos Tempos". O seu livro está prestes a receber o aval e apoio da diretoria do Seminário Grace Bible até que sua colega Dr. Norris Anderson (Gavin MacLeod - O Barco do Amor) levanta uma objeção. Dr. Anderson acredita que o que Carlisle tem escrito poderia ter um grande impacto sobre as gerações ainda por vir. Utilizando uma maquina secreta do tempo que construiu, Dr. Anderson envia Carlisle numais de 100 anos para o futuro. É a oportunidade única de ver em que sua tese e crenças se tornarão.





sexta-feira, 30 de setembro de 2011

The BIBLE Song (acoustic) - TDG & SaulPaul - plz "share"

FORMIGAS USAM MÚLTIPLOS ANTIBIÓTICOS



Cientistas de Inglaterra descobriram que as formigas ACROMYRMEX OCTOSPINOSUSusam bactérias que criam antibióticos para proteger os seus jardins de fungos que alimentam a colónia contra infecções e bactérias nocivas.
Formigas estas nascidas no sul dos Estados Unidos, América do Sul e América Central, as formigas estudadas vieram de colónias em Trinidad e Tobago.
Elas estão naturalmente infectadas com a bactéria ACTINOMICETE que vive com elas em simbiose. Elas usam antibióticos produzidos por essas bactérias como pesticida nas colónias e nos seus bem cuidados jardins de fungos para prevenir crescimentos anormais nos fungos e bactérias.
A investigação foi liderada por MATT HUTCHINGS na UNIVERSIDADE DE EAST ANGLIA no Reino Unido. Foi publicado no jornal BMC BIOLOGY.
Os cientistas já sabiam que as formigas usavam antibióticos que elas próprias cultivavam mas não sabiam que elas usavam múltiplos antibióticos ao mesmo tempo.
Enquanto as estudavam os cientistas descobriram um novo antibiótico que pode ser muito útil no tratamento de infecções fúngicas. Está relacionado com um importante antifúngico chamado NYSTATIN.
Espantoso o que as formigas criam.
ARTIGO ORIGINAL
#
JBhad5
1 month ago 2
yoooo.. i seen this movie the other day.. XD
i love it!!! && the ending mannnn.. shit poor kid. lol


Espiral de formigas que foram afastadas da colónia, seguem-se umas às outras até morrerem de exaustão.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mp3 Aice Man & Mensageiros da Profecia


Seres Humanos !!!! 
Quentinho em primeira mão, som do meu disco " A Arte das Boas Novas" Part. especial Mensageiros da Profecia. Minha Alma regozija - o Beat foi produzido pelo my niggar SJ. O Disco voador está chegando ... Gloria ao Eterno



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Problema do Inferno


Por C. S. Lewis
Somente a dor que pode despertar o homem perverso para uma noção de que nem tudo está bem, pode da mesma forma levá-lo a uma rebelião final e sem arrependimento, Foi admitido sempre que o homem possui livre arbítrio e que todas as concessões feitas a ele são, portanto de dois gumes. A partir dessas premissas segue-se diretamente que a obra divina de remir o mundo não pode ter certeza de êxito com respeito a cada alma individual. Alguns não serão remidos. Não existe doutrina no cristianismo que eu gostasse mais de remover do que esta se tivesse esse poder. Mas ela tem o pleno apoio das Escrituras e, especialmente, das próprias palavras de Nosso Senhor; foi sempre mantida pela cristandade, e está fundamentada na razão. Quando jogamos deve haver a possibilidade de perder o jogo. Se a felicidade de uma criatura se acha na auto-rendição, ninguém mais pode realizar essa rendição além dela mesma (embora muitos possam ajudá-la nesse sentido) e ela pode recusar. Eu estaria disposto a pagar qualquer preço para poder dizer sinceramente: “Todos serão salvos”. A minha razão, porém, replica: “Com ou sem o consentimento deles?” Se disser: “sem seu consentimento”, percebo imediatamente uma contradição; como pode o ato supremo e voluntário da auto-rendição ser involuntário? Se disser “com seu consentimento”, minha razão replica, “Como, se não quiserem ceder?”
Os sermões dominicais sobre o inferno, como fazem todos eles, são dirigidos à consciência e à vontade e não à nossa curiosidade intelectual. Quando eles nos despertam para a ação, convencendo-nos de uma terrível possibilidade, terão provavelmente feito tudo o que pretendiam fazer; e se o mundo inteiro fosse composto de cristãos convictos seria desnecessário dizer uma palavra sequer a mais sobre o assunto. Como as coisas se acham, porém, esta doutrina é uma das bases principais para se atacar o cristianismo como sendo bárbaro, e impugnar a bondade de Deus. Dizem- nos que se trata de uma doutrina detestável – e, na verdade, também a detesto do fundo do coração – e somos lembrados das tragédias nas vidas humanas que têm origem nessa crença. Quanto às demais tragédias resultantes do fato de não crermos na mesma, pouco se fala nelas. Por essas razões, e só essas, torna-se necessário discutir o assunto.
O problema não é simplesmente o de um Deus que destina algumas de suas criaturas à ruína final. Seria esse o problema se fôssemos maometanos. O cristianismo, leal como sempre à complexidade do que é real, nos apresenta algo mais intrincado e mais ambíguo – um Deus tão cheio de misericórdia que se torna homem e morre torturado para impedir a ruína final de suas criaturas e que, porém, onde falha esse remédio heróico, parece pouco disposto, ou até mesmo incapaz, de sustar a ruína por um ato de simples poder. Eu afirmei loquazmente pouco atrás que pagaria “qualquer preço” para remover esta doutrina. Mas menti. Eu não poderia pagar um milésimo do preço que Deus já pagou para remover o fato. Este é um problema real: tanta misericórdia e, ainda assim, existe o inferno.
Não vou fazer qualquer tentativa no sentido de demonstrar que a doutrina é tolerável. Não nos enganemos; ela não é tolerável. Penso, entretanto, que pode ser demonstrado que ela é moral, mediante uma crítica das objeções geralmente feitas, ou sentidas, em relação à mesma.
Primeiro, existe uma objeção, em muitas mentes, quanto à idéia de castigo retributivo como tal. Isto foi tratado parcialmente em outro capítulo. Dissemos então que todo castigo se tornaria injusto se as idéias de demérito e retribuição fossem removidas dele; e um núcleo de retidão fosse descoberto no’ próprio íntimo da paixão vingadora, na exigência de que o perverso não permaneça perfeita mente satisfeito com a sua maldade, que ela venha a parecer-lhe o que corretamente parece a outros – um mal. Eu disse que a dor finca a bandeira da verdade na fortaleza rebelde. Estávamos então discutindo o sofrimento que poderia ainda levar ao arrependimento. E se isso não acontecer – se nenhuma outra vitória além de enterrar a bandeira no solo jamais tenha lugar? Vamos ser honestos conosco mesmos. Imagine um homem que tenha ficado rico ou poderoso através de uma série contínua de traições e crueldades, explorando com fins puramente egoístas os sentimentos nobres de suas vítimas, rindo de sua ingenuidade; que, tendo alcançado assim o sucesso, faz uso dele para sua própria gratificação, cobiça e ódio e finalmente perde o último vestígio de honra entre malfeitores, traindo seus cúmplices e zombando de seus derradeiros momentos de desilusão desnorteada.
Suponhamos, ainda, que ele faça tudo isso, não atormentado pelo remorso ou mesmo apreensão, mas comendo como um adolescente e dormindo como uma criança saudável – um homem alegre, sadio, sem um cuidado no mundo. Confiante até o fim de que só ele encontrou a resposta para o enigma da vida, que Deus e o homem são tolos de quem se aproveitou, que seu modo de viver é completamente satisfatório, cheio de sucesso, inatacável. Suponhamos que ele não venha a converter-se, que destino no mundo eterno você consideraria adequado para ele? Será que pode realmente desejar que um indivíduo desse tipo, permanecendo como é (e ele deve ter capacidade para tanto se tiver livre-arbítrio), seja confirmado para sempre na sua felicidade presente – deveria ele continuar, por toda eternidade, a manter-se perfeitamente convencido de que a última risada será sua?
Você não é movido pelo desejo de ver sofrer essa miserável criatura, mas por uma exigência verdadeiramente ética de que, cedo ou tarde, o direito deve vencer, a bandeira deve ser plantada nessa alma tremendamente rebelde, mesmo que não seja seguida de uma vitória melhor e mais ampla. A própria misericórdia dificilmente poderia desejar que um indivíduo assim continue eternamente satisfeito em sua deplorável ilusão. Tomás de Aquino falou a respeito do sofrimento o mesmo que Aristóteles falou da vergonha: tratava-se de algo que não era bom em si mesmo, mas que poderia apresentar certos aspectos bons em determinadas circunstâncias. Isto é, se o mal está presente, a dor ao reconhecer o mal, sendo uma espécie de conhecimento, é relativamente boa; pois a alternativa seria que a alma ignorasse o mal, ou ignorasse que o mal é contrário à sua natureza, “sendo ambas”, diz o filósofo, “manifestamente prejudiciais”. E penso que, embora tremendo, concordamos.
A exigência de que Deus deva perdoar tal homem enquanto permaneça como é, está baseada numa confusão entre tolerar e perdoar. Tolerar um mal é simplesmente ignorá-lo, tratá-lo como se fosse um bem. Mas o perdão precisa ser tanto aceito como oferecido caso deva ser completo: e a pessoa que não admite culpa não pode aceitar perdão.
Mas, naturalmente, embora Nosso Senhor fale com freqüência do inferno como de uma sentença infligida por um tribunal, Ele também diz em outro ponto que o juízo consiste no próprio fato de que os homens preferem as trevas à luz, e que sua “palavra” e não Ele julga os homens (Jo 3:19; 12:48). Temos, portanto, liberdade – desde que os dois conceitos, a longo prazo, significam a mesma coisa – de pensar na perdição deste perverso, não como uma sentença imposta a ele, mas como o simples fato de ele ser o que é. A característica das almas perdidas é “sua rejeição de tudo que não seja simplesmente elas mesmas”. Nosso egoísta imaginário tentou transformar tudo o que encontra em uma província ou apêndice do EU. A preferência pelo outro, isto é, a própria capacidade de gozar do bem, é apagada nele exceto até o ponto em que seu corpo ainda o arrasta a um contato rudimentar com o mundo exterior. A morte remove este último contato. Ele alcança o que deseja – viver inteiramente para si mesmo e tirar o melhor proveito do que descobre em seu interior. E o que encontra ali é o inferno.
Outra objeção se prende à aparente desproporção entre a danação eterna e o pecado transitório. Consiste em dizer que a morte não deveria ser final, que deveria haver uma segunda oportunidade. Acredito que se um milhão de oportunidades tivessem qualquer probabilidade de ajudar, elas seriam dadas. Mas um professor sempre sabe, mesmo quando os alunos e os pais não sabem, que é realmente inútil fazer um estudante repetir uma determinada prova. O fim deve chegar um dia, e não é necessária uma fé muito forte para crer que a onisciência sabe quando deve ser esse dia.
Uma terceira objeção se concentra na terrível intensidade das penas do inferno como sugerido pela arte medieval e, sem dúvida, por algumas passagens das Escrituras. Von Hügel nos adverte aqui para não confundirmos a doutrina em si com as imagens mediante as quais é transmitida. Nosso Senhor fala do inferno sob três símbolos: primeiro, o do castigo (“castigo eterno” Mt 25:46); segundo, da destruição (“temam apenas a Deus, que pode destruir no inferno a alma e o corpo juntos” Mt 10:28); e terceiro, da privação, exclusão e expulsão para as “trevas exteriores”, como nas parábolas do homem que não tinha as roupas do casamento ou a das virgens sábias e das tolas. A imagem predominante do fogo é significativa porque combina as noções de tormento e destruição.
É, porém, praticamente certo que todas essas expressões têm na verdade a intenção de sugerir algo indiscutivelmente horrível, e qualquer interpretação que não enfrente esse fato estará, conforme receio, errada desde o princípio. Não é, entretanto, necessário concentrar-se nas imagens de tortura, excluindo as que sugerem destruição e privação. O que pode ser então aquilo de que as três imagens são símbolo? A destruição, podemos naturalmente presumir, significa a eliminação ou aniquilação dos destruídos. E as pessoas falam com freqüência como se a “aniquilação” de uma alma fosse possível. Em nossa experiência, porém, a destruição de uma coisa significa a emergência de outra. Queime um pedaço de madeira e terá gases, calor e cinzas. Ter sido um pedaço de madeira significa agora ser essas três coisas. Se a alma pode ser destruída, não haverá um estado de ter sido uma alma humana? E não é esse, talvez, o estado que é igualmente bem descrito como tormento, destruição e privação? Você estará lembrado de que, na parábola, os salvos vão para um lugar preparado para eles, enquanto os perdidos vão para um lugar que não foi absolutamente feito para homens (Mt 25.24,41).
Entrar no céu é tornar-se mais humano do que jamais alguém o foi na terra; entrar no inferno é ser banido da humanidade. O que é lançado (ou se lança) no inferno não é um homem: são “refugos”. Ser um homem completo significa ter as paixões obedientes à vontade e essa vontade oferecida a Deus: ter sido um homem – ser um ex-homem ou um “fantasma perdido” – iria presumivelmente significar consistir de uma vontade completamente voltada para o Eu e paixões não controladas pela vontade. Torna-se, naturalmente, impossível imaginar com o que a consciência de tal criatura – já então um agregado indefinido de pecados mutuamente antagônicos em lugar de um pecador – poderia comparar-se.
Pode haver grande parte de verdade no ditado: “o inferno é inferno, não de seu próprio ponto de vista, mas do ponto de vista celestial”. Não acredito que isto interprete mal a severidade das palavras de Nosso Senhor.
Somente aos condenados é que seu destino poderia parecer menos do que insuportável. E deve ser admitido que, nestes últimos capítulos, à medida que pensamos na eternidade, as categorias de dor e prazer, que nos prenderam por tanto tempo, começam a retroceder, enquanto bens e males mais vastos surgem no horizonte. Nem a dor nem o prazer como tais têm a última palavra. Mesmo se fosse possível que a experiência (se pode ser chamada assim) dos perdidos não contivesse dor, mas muito prazer; ainda assim, esse prazer negro seria de um tipo tal que faria qualquer alma, ainda não condenada, voar para as suas orações num terror de pesadelo: mesmo que houvesse sofrimentos no céu, todos os que têm entendimento os desejariam.
Uma quarta objeção é que nenhum homem caridoso poderia considerar-se abençoado no céu enquanto soubesse que uma única alma continuasse ainda no inferno; e se for assim, somos então mais misericordiosos que Deus? Por trás dessa objeção existe uma imagem mental de céu e inferno coexistindo numa época unilinear como coexistem as histórias da Inglaterra e América: dessa forma a cada momento os bem-aventurados poderiam dizer: “As misérias do inferno estão agora continuando”. Mas eu noto que Nosso Senhor, embora enfatizando os terrores do inferno com grande severidade, no geral, não destaca a idéia de duração, mas de finalidade.
A entrega ao fogo destruidor é geralmente tratada como o fim da história e não como o começo de outra nova. Não podemos duvidar que a alma perdida esteja eternamente fixada em sua atitude diabólica; mas se esta fixidez eterna implica numa duração sem fim – ou que dure mesmo – não podemos dizer.
Sabemos muito mais sobre o céu do que sobre o inferno, pois o céu é o lar da humanidade e, portanto contém tudo o que está implícito numa vida humana glorificada: mas o inferno não foi feito para homens. Ele não é de forma alguma paralelo ao céu, mas a “escuridão lá fora”, a borda externa em que o ser se desvanece no nada.
Finalmente, é objetado que a perda final de uma única alma significa a derrota da onipotência. E assim é. Ao criar seres com livre-arbítrio, a onipotência desde o início se submete à possibilidade de tal fracasso. O que você chama de derrota, eu chamo de milagre: pois, fazer coisas que não são Ele mesmo, e tornar-se assim, num certo sentido, capaz de sofrer resistência por parte das obras de suas próprias mãos, é o mais surpreendente e inconcebível dos feitos que atribuímos à divindade. Acredito realmente que os perdidos são, de certa forma, rebeldes bem sucedidos até o fim; que as portas do inferno são fechadas por dentro. Não quero dizer que os fantasmas não desejem sair do inferno, da maneira vaga como uma pessoa invejosa “deseja” ser feliz: mas eles certamente não querem nem sequer os primeiros estágios preliminares daquele auto-abandono através do qual a alma pode alcançar qualquer bem.
Eles gozarão para sempre da horrível liberdade que exigiram, e são, portanto, auto-escravizados, da mesma maneira que os justos, para sempre submissos à obediência, se tornam através de toda eternidade cada vez mais livres.
A longo prazo, a resposta a todos os que se opõem à doutrina do inferno é, em si mesma, uma pergunta: “O que você está querendo que Deus faça?” Apagar os pecados cometidos por eles no passado e permitir-lhes um novo começo, alisando toda dificuldade e oferecendo toda ajuda milagrosa? Mas Ele fez isso, no Calvário. Perdoá-los? Não podem ser perdoados. Abandoná-los? Sim, tenho medo de que é justamente isso que Ele faz.
Mais uma advertência e encerro o assunto. A fim de despertar as mentes modernas para uma compreensão dos pontos focalizados, ousei introduzir neste capítulo a figura do homem mau que facilmente percebemos ser verdadeiramente mau. Mas quando essa figura tiver feito a sua parte, quanto mais cedo for esquecida melhor. Em todas as discussões sobre o inferno, devemos manter firmemente diante dos olhos a possível condenação, não a de nossos inimigos nem a de nossos amigos (desde que ambas perturbam a razão), mas a nossa própria danação. Este capítulo não trata de sua esposa ou de seu filho, não fala de Nero ou de Judas Iscariotes; ele trata de você e de mim.