Doutores da agonia

Eles utilizaram humanos como cobaias de pesquisas macabras. Agora estudos dizem que essas experiências guardam informações valiosas para a humanidade




Química

Não existia rival à altura da química alemã antes das guerras. O país inventou a aspirina e a novocaína (anestésico usada por dentistas) e desenvolveu fertilizantes, corantes e microscópios muito mais baratos e eficientes. O setor foi um dos que mais se envolveram com o nazismo – a ponto de o maior conglomerado farmacêutico do mundo na época (e que depois da guerra se dividiria nas empresas Bayer, Hoechst e Basf) instalar uma fábrica dentro do campo de concentração de Auschwitz.

Matemática

Sob o regime de Hitler, o raciocínio matemático abstrato foi associado aos judeus e substituído pela “verdade empírica concreta” e a “intuição nórdica”. Perguntado certa vez sobre quanto a matemática havia sofrido, o alemão David Hilbert, um dos matemáticos mais importantes do século 20, respondeu: “Sofreu? Não sofreu, não. Ela simplesmente deixou de existir”.

Biologia

Entre 1933 e 1938, o financiamento para pesquisas aumentou em 10 vezes. Biólogos trabalhavam com relativa tranqüilidade – apenas 14% deles foram perseguidos.?Mas a profunda ligação dos nazistas com a genética faz o ramo ser visto com reservas até hoje na Alemanha. “Uma perseguição completamente irracional à genética ainda existe”, afirma o cientista Benno Müller-Hill.

Física

A Alemanha foi o berço das idéias mais revolucionárias da física teórica: a mecânica quântica e a relatividade. Mesmo assim, esse foi o ramo da ciência mais prejudicado pela ascensão do nazismo: 25% do total de físicos deixou o país – entre eles 6 vencedores de Prêmios Nobel.

1. Auschwitz-Birkenau (abril de 1940 a janeiro de 1945)

Número de mortos - 1,1 milhão a 1,5 milhão.

Experiências - Pesquisas com gêmeos e anões; infecção com bactérias e vírus; eletrochoque; esterilização; remoção de partes de órgãos; ingestão de veneno; criação de feridas para testar novos medicamentos; operações e amputações desnecessárias.

2. Buchenwald (julho de 1937 a abril de 1945)

Número de mortos - 56 mil.

Experiências - Operações e amputações desnecessárias; contaminação com febre amarela, cólera e tuberculose; ingestão de comida envenenada; queimaduras com bombas incendiárias.

3. Ravensbrück (maio de 1939 a abril de 1945)

Número de mortos - Mínimo de 90 mil.

Experiências - Pesquisas fisiológicas, com remoção e transplante de nervos, músculos e ossos; esterilização; fuzilamento com balas envenenadas.

4. Dachau (março de 1933 a abril de 1945)

Número de mortos - Mínimo de 30 mil.

Experiências - Testes de hipotermia com exposição ao frio; câmaras de baixa pressão; infecção com vírus da malária; privação de líquidos com ingestão de água salgada.

5. Sachsenhausen (julho de 1936 a abril de 1945)

Número de mortos - 100 mil.

Experiências - Inalação e ingestão de gás de mostarda; infecção forçada pelo vírus da hepatite; fuzilamento com munição envenenada.

6. Natzweiller-Struthof (maio de 1941 a setembro de 1944)

Número de mortos - 25 mil.

Experiências - Utilização de prisioneiros como “viveiros” de bactérias e vírus como os de tifo, varíola, febre amarela, cólera e difteria.


Texto Rodrigo Rezende
1